Aeronaves resfriam as linhas de fogo para permitir o avanço das equipes em solo; extinção definitiva depende do trabalho dos brigadistas
(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
Os aviões Air Tractor utilizados no combate aos incêndios florestais no Amazonas podem lançar até 3 mil litros de água em apenas 1,4 segundo. O equipamento conta com uma comporta computadorizada que permite controlar a descarga e dividir o volume em diferentes etapas, conforme a extensão e as características da linha de fogo. A estratégia é reduzir a temperatura da área atingida e criar condições para que os brigadistas avancem com segurança no combate às chamas.
Segundo Leandro Kemmerich, piloto de uma aeronave AT-802, o sistema de lançamento é um dos principais diferenciais do modelo. A comporta permite despejar toda a carga de uma só vez ou fracioná-la em duas ou até quatro liberações.
“Ela tem a capacidade de lançar a totalidade da água, os 3 mil litros, em 1,4 segundos. E ela tem uma comporta que permite fracionar os lançamentos”, explicou o piloto.
A escolha entre liberar toda a água de uma vez ou distribuir o volume ao longo de um trecho depende da necessidade da operação. Em linhas menores, a descarga concentrada pode ajudar a resfriar rapidamente o local. Em frentes mais extensas, o despejo controlado permite distribuir a água ao longo da área que precisa ser resfriada, favorecendo o trabalho das equipes terrestres.
Aeronaves e brigadistas atuam em conjunto
O coordenador do Prevfogo no Amazonas, Gleibson Rui Bom, explica que a principal função dos Air Tractors é atuar diretamente sobre a linha de fogo para diminuir a temperatura e permitir que os brigadistas se aproximem. O lançamento aéreo, portanto, não substitui o trabalho em solo, mas funciona como apoio para tornar o combate mais viável diante do calor e da intensidade das chamas.
“Eles vão na linha para poder esfriar a linha, para os brigadistas poderem avançar sobre ela”, afirmou Gleibson.
O coordenador ressalta que há uma diferença entre reduzir ou apagar momentaneamente as chamas e extinguir o incêndio. Depois da passagem da aeronave, os brigadistas precisam avançar sobre a área, combater os focos restantes e trabalhar na linha para evitar que o fogo continue se propagando.
“Eles apagam o fogo, mas quem faz a extinção mesmo do incêndio são os brigadistas”, destacou.
Mais aeronaves ampliam a capacidade de resposta
De acordo com Kemmerich, o aumento do número de aviões permite organizar a operação em grupos, alternando as aeronaves que fazem os lançamentos com aquelas que retornam para reabastecer. Em um cenário com seis aviões atuando na mesma frente, por exemplo, três podem realizar os despejos enquanto os outros três se preparam para voltar à operação.
A alternância busca reduzir o intervalo entre os lançamentos e manter o apoio aéreo às equipes em solo. Para o piloto, o resultado depende da atuação conjunta: a água lançada pelos aviões ajuda a diminuir a intensidade do fogo, mas o avanço dos brigadistas é fundamental para concluir o trabalho.