Casa d’Arraia reúne animais vivos, exemplares para estudo e informações sobre espécies amazônicas. Visitação é aberta ao público de terça a domingo
Arraia Motoro, uma das espécies que está em exibição no espaço. (Fotos: Junio Matos/A CRÍTICA)
O Bosque da Ciência inaugurou nesta quinta-feira (3) a Casa d’Arraia. O aquário está aberto para visitação pública de terça-feira a domingo e tem como uma das propostas combater a desinformação a respeito do animal.
A nova atração do bosque está montada perto da Casa da Ciência e conta com a exibição de uma das espécies de arraia, a motoro; outra espécie deve ser adicionada com o passar dos dias.
Há também exemplares abatidos usados para estudos de anatomia, além de painéis informativos sobre comportamento, reprodução, habitat e outras características, como a produção de veneno.
O espaço fica aberto das 9h às 12h e de 14h às 16h30.
A Casa d’Arraia surgiu de uma ideia do pesquisador Lucas Castanhola, formado em ciências biológicas e medicina veterinária.
O projeto foi desenvolvido por meio de uma parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e um edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) voltado para a divulgação científica.
“Foi um edital que surgiu no ano passado, voltado para a extensão universitária. Vi a oportunidade de trabalhar com esses animais na popularização da ciência”, comentou o pesquisador.
Lucas Castranhola (de colete), idealizador do projeto
Além das arraias, o espaço abriga um “visitante” de outro bioma que faz parte da exposição: o peixe-serra. Ele se assemelha a um tubarão, mas é, na verdade, um animal pertencente ao grupo das arraias.
O exemplar faz parte da coleção de animais conservados para estudos do Inpa e foi encontrado há cerca de 30 anos em Manacapuru, na Região Metropolitana de Manaus.
Além de arraias, outras espécies também estão em exibição como o peixe-serra
“É uma estrela do projeto, um achado nosso de mais de 30 anos. Ele é um animal marinho, encontrado em Manacapuru. Possivelmente, seguiu algum navio cargueiro, perdeu-se no rio e está aqui hoje”, explicou Castanhola.
Henrique Pereira, diretor do Inpa
O diretor do Inpa — entidade que administra o Bosque da Ciência —, Henrique Pereira, esclareceu que, além da disseminação de informações e do incentivo à pesquisa, a Casa d’Arraia nasceu para combater o senso comum de que as arraias são pragas que precisam ser combatidas.
“Queremos desmistificar a visão de que esses animais não merecem proteção, e esperamos que o público saia daqui sensibilizado”, afirmou o diretor.
O aquário está aberto para visitação de terça-feira a domingo.
O espaço fica aberto ao público de terça-feira a domingo, das 9h às 12h e de 14h às 16h30. Esse horário limite refere-se à entrada de visitantes; quem já estiver dentro do Bosque da Ciência pode permanecer até as 17h para aproveitar todas as atrações.
Do lado de fora, a Casa d’Arraia recebeu uma verdadeira obra de arte, feita em parceria pelos artistas Alessandro Hipz e Juliana Lama. O primeiro trabalho em conjunto da dupla resultou em um muralismo que evidencia o contato entre o ser humano e o animal. Na obra, foram usadas duas técnicas de pintura: pincel e tinta spray.
“Aqui, nós propusemos a interação de duas técnicas diferentes. Ela gera uma conversa, mesmo que sutil, entre ambas. Isso também dialoga com a interação entre pessoas e bichos. Foi o que buscamos”, disse Juliana.
Alessandro Hipz e Juliana Lama assinam a arte que ocupa a entrada do novo espaço.
A proposta foi justamente traduzir o objetivo da exposição e do próprio Bosque da Ciência: disseminar informações e criar um vínculo entre a comunidade científica e a população em geral.
“Foi uma grande troca, e isso acaba reverberando no resultado final. Foi algo muito produtivo e simbólico para nós como artistas. É um espaço verde, e essa relação de criar imerso na natureza está expressa nesse trabalho”, concluiu Alessandro.
Há também exemplares abatidos para estudos de anatomia.