MEIO AMBIENTE

Incêndios florestais aumentam 134% no Amazonas em nove meses

Estado já registra 3.070 ocorrências em 2026, contra 1.308 durante todo o ano passado; Governo busca reforço federal para combater o fogo

Lucas Motta
23/09/2026 às 14:25.
Atualizado em 23/09/2026 às 14:25

(Foto: Jeiza Russo/ A Crítica)

Incêndios florestais crescem 134% em 9 meses de 2026 em comparação com todo o ano passado, diz o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). O Governo do Estado busca apoio do Ministério da Justiça para intensificar as ações de combate.

Os dados consolidados do sistema de monitoramento do Comitê de Crise do Amazonas mostram que, em todo o ano de 2025, foram registrados 1.308 incêndios florestais no estado. Do dia 1º de janeiro deste ano até a quarta-feira desta semana (22), o registro foi de 3.070. Essa alta representa 134,7% e sustenta uma tendência de mais focos até o fim do ano.

Ainda de acordo com o Poder Executivo, o cenário atualmente é de maior complexidade. Ocorre uma concentração da umidade relativa do ar classificada como “muito baixa” na região central do Amazonas. Essa dinâmica aumenta a incidência de incêndios. Além do Sul do estado, a região metropolitana de Manaus também concentra registros constantes das queimadas.

A Defesa Civil do Estado do Amazonas disse que há 17 municípios em emergência oficial decretada por causa da forte estiagem. Outros 19 seguem em alerta. Para os próximos três meses, a previsão da pasta é de pouca chuva, especialmente para as regiões Leste e Oeste do estado. 

Outro problema compartilhado entre a capital e o interior é a fumaça. A Secretaria de Estado de Saúde informou que 130 atendimentos foram registrados na rede pública em decorrência da inalação desses gases tóxicos. Nenhum paciente apresentou piora do quadro após o atendimento inicial.

Na próxima quarta-feira (30), cinco “caminhões de alta potência” devem chegar a Manaus para ajudar no trabalho do CBMAM. Os equipamentos foram comprados para a instituição e vieram do Rio Grande do Sul, passam por Belém (PA) e devem ser distribuídos para atuação entre o interior e a capital. Vão reforçar o trabalho de 1.000 agentes destacados neste período do ano.

O comandante-geral dos bombeiros, Coronel Orleilso Muniz, disse nesta quinta-feira (23) que o Estado busca ampliar o apoio do Governo Federal para o combate aos incêndios. Ele pretende se encontrar com representantes do Ministério da Justiça nos próximos dias.

“Ontem, tive um retorno com a possibilidade do acionamento do Protocolo Pegasus. Ele mobiliza aeronaves de outros estados para apoiar o Amazonas”, comentou.

Cel Orleilso Muniz - Comandante-Geral dos bombeiros

Incêndios provocados por ação humana

 O Comitê de Crise classificou que “quase a totalidade” dos incêndios registrados no Amazonas são provocados por ação direta humana. Entre as causas mais recorrentes estão a queima de fios para a venda do cobre no interior deles e a de lixo doméstico ou mato, como forma de limpeza. Com as atuais condições do tempo, as chamas fogem do controle.

Desde o dia 9 de setembro deste ano, o Governo do Estado publicou o decreto nº 55.339, que estabeleceu a proibição do uso do fogo para esse tipo de finalidade por 120 dias em todo o Amazonas. A Polícia Civil aumentou a fiscalização com o apoio do Batalhão Ambiental, mas ainda não apresentou dados práticos de prisões ou medidas punitivas. Quem descumprir o decreto poderá ser multado em valores que variam de R$ 3 mil a até R$ 50 milhões, além de cumprir de 2 a 4 anos de prisão.

“As pessoas têm a sua parcela de contribuição e precisam fazer parte da solução, entendendo que não podem fazer fogo. Vamos continuar combatendo”, disse Muniz.
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