Instituto destaca que até 200 espécies utilizam os rios e florestas do estado como pontos de descanso entre as Américas
Andorinhas-azuis (Progne subis), também conhecidas como andorinhas-azuis-do-norte, são aves migratórias que viajam entre a América do Norte e o Brasil (Divulgação)
No Dia Mundial das Aves Migratórias, celebrado neste sábado (09/05), o Amazonas reafirma seu papel estratégico no cenário ecológico global. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aproveita a data para sensibilizar a população sobre as rotas migratórias que cruzam o estado, servindo de refúgio para cerca de 200 espécies que se deslocam entre a América do Norte e a América do Sul, e orienta a população a evitar interferências nos trajetos dessas espécies durante o período de passagem pelo estado.
No Amazonas, entre as espécies registradas estão o maçarico-de-perna-amarela (Tringa flavipes), o maçarico-solitário (Tringa solitaria), o sanhaço-vermelho (Piranga rubra), a andorinha-azul (Progne subis), o gavião-tesoura (Elanoides forficatus) e a águia-pescadora (Pandion haliaetus), que utilizam as áreas alagáveis e florestas de municípios como Manaus, Iranduba, Manicoré, Coari, Tefé e Parintins.
Para o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, as aves são "bioindicadores". Sua presença confirma que o ambiente ainda oferece os recursos necessários para a sobrevivência da fauna em trânsito.
O médico veterinário da Gerência de Fauna Silvestre (GFAU) do Ipaam, Eduardo Marques, alerta que alimentar ou manter essas aves em cativeiro pode causar desorientação comportamental, impedindo que elas concluam seu ciclo natural de retorno.
Sanhaço-vermelho (Piranga rubra), também conhecido como sanhaçu-verão, é uma ave migratória que deixa o hemisfério norte e pode ser avistada na região amazônica
O Ipaam reforça que animais silvestres não devem ser tratados como pets. Caso uma ave seja encontrada ferida ou fora de seu habitat na Região Metropolitana de Manaus, o contato deve ser feito com a Gerência de Fauna Silvestre (GFAU). No interior, a orientação é buscar o Ibama ou as secretarias municipais de meio ambiente.
Na Região Metropolitana de Manaus, animais silvestres feridos, debilitados ou fora do habitat natural podem ser comunicados à Gerência de Fauna Silvestre (GFAU), do Ipaam, pelo telefone (92) 98438-7964, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do ICMBio, a Bacia Amazônica abriga algumas das rotas mais importantes do hemisfério ocidental. O monitoramento por anilhamento e satélite revela que algumas espécies percorrem mais de 10 mil quilômetros para chegar aos rios do Amazonas.
Em Manaus, áreas como o Encontro das Águas e o arquipélago de Anavilhanas são pontos críticos de concentração. Dados do Ipaam indicam que, apesar da vasta área verde, a expansão urbana desordenada e o uso de linhas de cerol representam ameaças crescentes às aves em baixa altitude. O estado tem investido em parcerias internacionais para o rastreamento dessas espécies, uma vez que a preservação dos "corredores ecológicos" fluviais é considerada prioridade para as metas de biodiversidade da ONU para 2030, das quais o Brasil é signatário.