Especialistas apontam influência de queimadas na capital e em municípios vizinhos. Amazonas acumula 6,9 mil focos de calor em 2026, aumento de 95,11%
(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
“Estamos com uma dupla carga de fumaça tóxica”, afirmou o epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz/Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz/Amazônia), ao comentar a nova onda de poluição do ar em Manaus. O fenômeno começou na noite de quarta-feira (7) e se intensificou na manhã desta quinta-feira (8).
“Temos a fumaça dos incêndios e queimadas de Manaus, incluindo o fatídico evento do Distrito Industrial 2, que é recheada de outros poluentes tóxicos ausentes na queima de biomassa, bem como a de municípios vizinhos e até de outros estados”, afirmou Orellana.
Segundo o engenheiro ambiental Alan Ferreira, a maior parte da fumaça que atinge Manaus é proveniente de queimadas registradas em outros municípios do Amazonas.
“São queimadas que estão se preparando para as florestais das zonas de amortecimento”, destacou o especialista.
Ferreira afirmou que a fumaça que paira atualmente sobre a capital amazonense ainda não é proveniente de Santarém (PA). No entanto, segundo ele, uma mudança na direção dos ventos pode alterar o cenário.
“Se a pluma de vento mudar, o que deve acontecer logo, a fumaça vai chegar a Parintins e Urucurituba. Dependendo do tamanho dos incêndios, a contaminação vai chegar à nossa capital”, explicou.
(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
Conforme informações da nota técnica da Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde Ambiental do Ministério da Saúde, os grupos mais vulneráveis à exposição à fumaça são gestantes, idosos, crianças, pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares, indígenas e moradores de áreas próximas às queimadas.
O documento também aponta que determinados trabalhadores estão mais expostos aos riscos provocados pela fumaça, entre eles bombeiros, trabalhadores florestais, profissionais de saúde, militares, agentes de defesa civil, agricultores e trabalhadores rurais.
Na noite de quarta-feira (7), o bairro Petrópolis registrou concentração de 490,1 µg/m³ de partículas no ar, Armando Mendes marcou 485 µg/m³, enquanto o Parque Dez de Novembro registrou 393,1 µg/m³. Os três locais apresentaram níveis classificados como “péssimos”, segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva).
Na tarde desta quinta-feira (8), os indicadores apresentavam melhora, com poluição classificada como moderada. O aplicativo registrava 47,8 µg/m³ no Mauazinho e 47,2 µg/m³ no Morro da Liberdade.
De acordo com o Panorama de Focos de Calor no Amazonas, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), os municípios que concentram os maiores registros de queimadas são Apuí, Novo Aripuanã, Lábrea, Autazes e Boca do Acre.
Entre janeiro e 6 de outubro deste ano, o Amazonas registrou 6.901 focos de calor. O número representa um aumento de 95,11% no período.