Segundo quem mora na comunidade São Thomé, no Rio Negro, o cenário no local é desesperador. Trajeto que antes levava 6 horas de barco até a capital amazonense, agora está quase impossível de ser feito
Atual situação da comunidade indígena São Thomé, que está praticamente ilhada (Foto: Divulgação)
Este é o relato e o drama do agricultor Abílio Lopes, de 56 anos, e do restante dos moradores da comunidade indígena São Thomé, que estão praticamente ilhados por conta da vazante extrema no Amazonas. O trajeto que antes levava 6 horas de barco até a capital amazonense, atualmente, com o nível baixíssimo dos rios, está quase impossível de ser feito.
A comunidade São Thomé está localizada na região do arquipélago de Anavilhanas, à margem esquerda do rio Negro, na entrada do rio Cuieiras, e o cenário por lá, segundo os moradores, é desesperador. Para chegar ao local em que o nível do rio possibilita a navegação, os moradores precisam caminhar cerca de 6 quilômetros, enfrentando poças de águas escaldantes e risco de picada de raia.
As plantações estão morrendo, o poço secou, mas a preocupação maior do agricultor Abílio é a esposa que está prestes a ganhar bebê. Ele relata que o nascimento do filho está previsto para o dia 25 deste mês, mas para levá-la ao posto de saúde mais próximo na hora do parto somente carregando a esposa grávida nos braços, porque a ambulância que atende a região não chega mais até lá por conta da seca.
Outro problema da comunidade ribeirinha, além da água potável, é a alimentação, que antes podia ser buscada na capital ou trazida pelos barcos, que hoje não passam mais por lá.
O agricultor destacou ainda que, até o momento, nenhuma ajuda chegou até a comunidade, nem mesmo um levantamento para saber qual a necessidade básica deles. Ainda segundo Abílio, a prefeitura de Manaus teria prometido levar água potável e alimentos à comunidade, mas até agora esses mantimentos não chegaram.
Nesta terça-feira (3), o governo do Amazonas, por meio do Comitê Intersetorial de Enfrentamento à Situação de Emergência Ambiental, divulgou que até as 14h desta terça havia 24 municípios em situação de emergência, 34 cidades de alerta, 2 em atenção e 2 em normalidade.
O Comitê foi instituído no dia 29 de setembro pelo Governador Wilson Lima, que também decretou situação de emergência em 55 municípios do Amazonas afetados pela seca severa que atinge o estado.
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (3), o vice-presidente da República e ministro de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Alckmin, anunciou que virá a Manaus, nesta quarta-feira (3), com uma comitiva para verificar a situação da vazante no estado. Segundo o governador Wilson Lima, o plano é que Alckmin faça um sobrevoo na região metropolitana de Manaus e depois visite uma comunidade afetada pela estiagem.