Fumaça em Manaus

‘Precisamos investir no combate aos incêndios’, diz especialista sobre fumaça em Manaus

Engenheiro ambiental afirma que mudança no deslocamento das plumas contribuiu para chegada da fumaça; bairros registraram qualidade do ar péssima nesta quarta (23)

Thiago Monteiro
23/09/2026 às 12:07.
Atualizado em 23/09/2026 às 12:09

(Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)

Manaus teve índices de qualidade do ar entre 187,9 µg/m³ e 286,2 µg/m³, classificados como péssimos, segundo os sensores do aplicativo de Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) ao longo desta quarta-feira (23). Entre os bairros mais afetados com a fumaça estão Mauazinho e Morro da Liberdade, ambos na zona Sul da capital amazonense, que apresentaram altos níveis de poluição atmosférica.

De acordo com o engenheiro ambiental Alan Ferreira, a conscientização da população é uma das principais medidas para melhorar essa problemática da fumaça em Manaus.

“Precisamos combater o descarte de lixo doméstico em áreas de transição, como as áreas rurais. O governo precisa investir, de fato, em tecnologias de combate aos incêndios florestais”, afirmou.

Ferreira explica que a chegada da fumaça à capital está relacionada ao deslocamento das plumas de fumaça, que varia diariamente conforme as condições atmosféricas.

“Até a última quinta-feira (17), as plumas estavam seguindo no sentido oposto. Desde sábado (19), estamos com as plumas vindo do sudeste em direção ao norte”, afirmou o engenheiro, que desenvolve estudos sobre a problemática desde 2014.

Valores instantâneos

Segundo o professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Rodrigo Souza, criador do aplicativo Selva, os valores apresentados pela plataforma são instantâneos e podem mudar ao longo do dia.

“Quero dizer, representam a qualidade do ar no momento da consulta. Não é garantia de qualidade do ar péssima o dia inteiro”, frisou Souza.

Dados

Ao longo desta quarta-feira, o aplicativo Selva registrou a qualidade do ar 83,9 µg/m³, considerada como muito ruim no Centro de Manaus, além níveis ruins na Compensa (62 µg/m³), Petrópolis (57,1 µg/m³) e Chapada (58,5 µg/m³). O município de Manaquiri também computou 300,1 µg/m³, de qualidade do ar péssima e Manacapuru (242,4 µg/m³ - também considerada péssima).

Nota

A Prefeitura de Manaus informou, por meio de nota, que a fumaça é proveniente de áreas de queimadas em diversas regiões da Amazônia, principalmente nos municípios da Região Metropolitana de Manaus e do leste do Amazonas.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Manaus está entre as cidades com menor número de focos de incêndio no Amazonas.

A prefeitura também explicou ainda que mantém ações de prevenção, fiscalização e monitoramento por meio do Comitê de Prevenção às Queimadas. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudança do Clima (Semmas) realiza campanhas educativas, além de ações de fiscalização e monitoramento com drones.

A Guarda Municipal de Manaus (GMM) recebe denúncias 24 horas por dia, pelo telefone 153 ou pelo endereço eletrônico slim.manaus.am.gov.br. Sempre que possível, a população deve informar o horário, o endereço completo e encaminhar imagens da ocorrência.

Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) orienta a população a reduzir a exposição à fumaça, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.

Nos períodos de pior qualidade do ar, a recomendação é evitar a prática de exercícios ao ar livre, principalmente caminhadas, corridas e ciclismo.

A população também deve manter-se hidratada e proteger os olhos e o nariz. Quando a exposição à fumaça for inevitável, o uso de máscaras adequadas, como a N95, pode ajudar a reduzir a inalação de partículas.

Tosse, irritação ou dor de garganta, ardência e lacrimejamento dos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito, falta de ar e agravamento de crises de asma são sinais de alerta.

Em casos leves, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Para sintomas mais graves, a recomendação é buscar um serviço de pronto atendimento. Em situações de emergência, a população deve acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.

Focos de calor

Conforme o Panorama de Focos de Calor da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema), de janeiro até hoje (23), foram registrados 5.771 focos de calor no Estado.

Entre os municípios com os maiores números de registros estão Apuí, com 969 focos; Novo Aripuanã, com 735; Lábrea, com 406; Autazes, com 343; e Manicoré, com 301.

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