Amazônia Legal e desenvolvimento sustentável

Projeto Floresta+ ampara comunidades tradicionais e fortalece o protagonismo feminino na Amazônia

Iniciativa já beneficia indígenas, quilombolas e ribeirinhos com ações sustentáveis, renda e autonomia. Mulheres lideram 70% dos projetos apoiados pelo programa, que alcança oito estados da região

Lucas Motta
21/05/2025 às 13:09.
Atualizado em 21/05/2025 às 13:22

(Foto: Jeiza Russo/ A Crítica)

O Projeto Floresta+ Amazônia realizou a terceira reunião com comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas nesta quarta-feira (21), em Manaus. A iniciativa, orçada em US$ 30 milhões, ampara 40 projetos de preservação na Amazônia Legal. 

A reunião teve a presença de 115 participantes diretos do projeto, um deles foi o indígena Robson Suruí, que veio de Rondônia. Onde ele vive, na comunidade do Gap Ey, o sustento é retirado da castanha; mesmo sendo um atividade repassada entre as gerações, apenas há cerca de um ano ela passou a ser mais rentável por causa do apoio do Floresta+ Amazônia. Com recursos do programa, os indígenas puderam comprar equipamentos para aumentar a extração e o escoamento. 

“Com esse projeto também temos galpão para estocar, quadriciclos para escoar; está ajudando muito na comunidade. Fizemos oficinas pós-coleta e beneficiamento, também aprendemos o mapeamento de castanhais”, comentou.  

O principal objetivo do Floresta+ Amazônia é promover o desenvolvimento econômico e sustentável da região, por isso ele é voltado para auxiliar as comunidades nativas e os povos originários. Através desse alcance, há o apoio para 80 etnias indígenas; 23 cadeias produtivas da sociobiodiversidade e 31 empreendimentos de bioeconomia. Ao todo, são 40 projetos patrocinados com um orçamento global de US$ 33 milhões.  

“Nós fizemos um processo seletivo no qual as próprias comunidades apresentaram suas propostas de projeto; foram construídas de uma maneira coletiva pelas comunidades e ao final do processo seletivo foram selecionados 40 iniciativas que estão recebendo apoio do do projeto”, explicou a assessora técnica, Mariana Machado.

Mariana Machado - Assessora técnica do Floresta + Amazônia

Protagonismo Feminino 

Dentre os projetos aprovados, 70% (28) estão diretamente relacionados à questões de gênero; as mulheres serão as principais beneficiadas ou protagonistas no estágio de implementação. Além disso, em 30% (12), elas vão participar das atividades de alguma forma. Quem dá nome, vez e voz para essas estatísticas é a líder comunitária Elizângela Conceição, que mora na comunidade do São Francisco da Chagas do Caribi - Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, Itapiranga. 

A ribeirinha é responsável por muitas das atividades desenvolvidas (e apoiadas pelo projeto) na região; a principal delas é a extração do óleo de breu. Ela explicou que a autonomia que as mulheres têm dentro dessa cadeia é um reflexo da participação geral nas comunidades, mais especialmente dentro das famílias. Muitas são as chefes, as provedoras e também responsáveis pelas principais decisões nos empreendimentos. 

“Nós somos as líderes das famílias, temos olhar sensível, mas a força de um dragão quando a gente quer, viramos onça, né? A independência da mulher vai muito além de conseguir renda financeira, formamos cidadãos”, comentou.

Floresta+ Amazônia 

O Projeto Floresta+ Amazônia apoia quem protege e recupera a floresta e contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa. Com o foco na estratégia de Pagamentos por Serviços Ambientais, até 2026, a iniciativa reconhece o trabalho de pequenos produtores, proprietários ou possuidores de imóveis rurais com até quatro módulos fiscais. Nisto são apoiados projetos de povos indígenas e de comunidades tradicionais e ações de inovação com o foco no desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal. 

Implementado com recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF), o Projeto é resultado da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Em apenas uma das cinco frentes (+Comunidades), ele está presente em oito dos nove estados da Amazônia legal. A proposta, no atual estádio, é criar uma rede com os participantes apoiados. 

“A ideia é reunir instituições implementadoras e as comunidades beneficiárias para que elas troquem experiência sobre os seus projetos o que que tá funcionando bem um projeto que pode ser replicado em outro”, comentou Machado. 

Para o Governo Federal, esse tipo de atuação é importante para atingir os principais interesses das comunidades em uma região tão ampla e diversificada como é a Amazônia Legal. A secretária nacional substituta de Povos e Comunidades Tradicionais / Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Isabela Sales, explicou que o Governo busca novos financiamentos internacionais para projetos semelhantes e também cria o Pano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. 

“Esse plano deve ficar pronto e ser entregue até a COP 30, uma grande entrega do Governo e a gente espera que, através dele, a gente consiga enxergar essas metas pra um horizonte aí de, pelo menos, 10 anos. É um horizonte temporal que a gente possa ter tempo de trabalhar as políticas e efetivar elas”, comentou Sales.
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