Fumaça em Manaus

Três anos após crise de fumaça, Manaus volta a registrar ar em nível ‘muito ruim’

Em 2023, capital entrou em estágio de mobilização por causa das queimadas. Neste ano, fumaça chega do Sul do Amazonas, de Rondônia e do Norte de Mato Grosso

Lucas Motta
09/09/2026 às 13:00.
Atualizado em 09/09/2026 às 13:00

Fumaça em Manaus. Registro da manhã desta quarta-feira, 9 de setembro de 2026. (Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)

Há cerca de três anos, Manaus entrava em “estágio de mobilização” por causa da fumaça. Em 2026, a cidade vive novos episódios de sufocamento.

Era quarta-feira, dia 11 de outubro de 2023, quando a prefeitura atualizou o status do município. O patamar, segundo em uma escala de cinco níveis, significava que a fumaça causava risco de alto impacto à saúde. As medidas de enfrentamento eram intercaladas com as de proteção: máscaras eram recomendadas especialmente para grupos de risco, como idosos, crianças e asmáticos.

Naquele período, a grande preocupação recaía sobre alguns municípios da região metropolitana de Manaus. Em dois dias, foram registrados 504 focos de queimadas no Amazonas, sendo o município de Autazes (a 111 quilômetros de Manaus) responsável por 20,8% do total registrado. Careiro (50 focos), Careiro da Várzea (26 focos), Itacoatiara (24 focos) e Manacapuru (18 focos) também apresentaram alto índice de queimadas.

Durante o segundo semestre daquele ano, os indicadores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) registravam número de partículas poluidoras no ar que deixavam a qualidade no nível mais grave da métrica. Os bairros das zonas Sul, Centro-Sul e Leste foram os mais afetados. Pelo mapa, notava-se a pouca cobertura urbana de vegetação.

Três anos depois, Manaus amanhece com mais um dia seguido marcado por fumaça. As máscaras voltaram a ser item obrigatório para evitar danos à saúde e garantir o mínimo de conforto nas zonas mais afetadas, que continuam as mesmas. Por ora, o que muda é a dinâmica de onde a fumaça vem.

De acordo com os indicativos do Labclin/UEA, o sul do Amazonas, Rondônia e o norte do Mato Grosso estão “enviando” a fumaça das queimadas para a capital por causa dos efeitos de uma frente fria. Passada a consequência dessa dinâmica, ainda há as queimadas dos municípios da região metropolitana.

Além disso, há também as queimadas na própria capital, que acontecem em propriedades privadas e em espaços públicos, literalmente no meio da rua, pela manhã, tarde ou noite. Para agravar ainda mais a situação, não há chuva para “limpar” o ar.

A Prefeitura monitora as condições da qualidade do ar na capital que, nesta quarta-feira (9), apresenta índice classificado como “muito ruim”. O Executivo afirma ainda que mantém ações de prevenção, fiscalização e monitoramento por meio do Comitê de Prevenção às Queimadas, embora não haja grande número de registros. Denúncias podem ser feitas pelo telefone ou pelo site slim.manaus.am.gov.br.

Recomendações

A Defesa Civil Municipal orienta a população a reduzir a exposição prolongada à fumaça e a evitar atividades físicas intensas ao ar livre durante os períodos de maior concentração. A recomendação é também manter-se hidratado e acompanhar as informações divulgadas pelos canais oficiais.

A Defesa Civil Municipal segue monitorando as condições meteorológicas e a qualidade do ar ao longo do dia, com atualização das informações sempre que houver mudança significativa no cenário.

Em caso de ocorrência relacionada a situações de risco, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.

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