Pesquisa de Engenharia Química reaproveita resíduos de refeitórios de Manaus para produzir gasolina verde e bioquerosene
(Foto: Reprodução/TV A CRÍTICA)
O laboratório do curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) desenvolveu um projeto de pesquisa que transforma resíduos de gordura gerados por empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) em biocombustíveis. A iniciativa busca apresentar alternativas renováveis aos derivados do petróleo e fornecer uma destinação sustentável a materiais orgânicos que antes eram descartados ou direcionados para incineração.
Segundo o coordenador da pesquisa, Douglas, as fábricas do distrito industrial produzem diariamente cerca de 20 toneladas de resíduos lipídicos retidos nas caixas de gordura de seus refeitórios. Por meio de processos como o craqueamento termocatalítico, o projeto converte esse passivo ambiental em frações químicas equivalentes aos combustíveis fósseis.
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Entre as formulações consolidadas pelo laboratório estão a bionafta — matéria-prima voltada ao setor petroquímico para a fabricação de plásticos —, a biogasolina e o bioquerosene sustentável de aviação (SAF). Nos experimentos laboratoriais, a biogasolina foi testada em uma proporção de 5% misturada à gasolina sem etanol, atingindo parâmetros químicos e físico-químicos semelhantes aos da gasolina comum. O bioquerosene passa por ajustes técnicos adicionais para cumprir os critérios regulatórios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Além dos testes voltados ao cálculo da redução de emissões de gases poluentes, o combustível foi experimentado na prática em motores de rabeta, embarcações amplamente utilizadas para o transporte fluvial no Amazonas. A aplicação da mistura com 5% de biocombustível no motor aquático demonstrou desempenho satisfatório.
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O estudante de Engenharia Química Warley, integrante da equipe científica, pontuou que a pesquisa permitiu aprofundar o conhecimento prático em processos de inovação tecnológica e agregar valor comercial a um material residual. De acordo com os pesquisadores, a tecnologia tem potencial de gerar impacto direto nas comunidades do interior do estado, barateando custos energéticos e promovendo o desenvolvimento sustentável na região amazônica.