Meio ambiente

União para impedir que  garrafas PET  cheguem aos rios

Plastic Bank, Lord e Ascarman iniciam projeto em Manaus que alia reciclagem com valorização dos catadores

Jeysy Xavier
31/05/2025 às 16:24.
Atualizado em 31/05/2025 às 16:24

Catadores, tradicionalmente marginalizados, são reconhecidos como agentes ambientais (Divulgação)

Durante essa semana, uma aliança internacional e inédita ganhou forma em plena zona Norte de Manaus. A multinacional canadense Plastic Bank, em parceria com a empresa de embalagens Lord, anunciou oficialmente sua união com a cooperativa de catadores da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis do Amazonas (Ascarman), localizada no bairro Terra Nova. Juntas, as três organizações deram início a um ambicioso projeto de economia circular que visa impedir que até o final de 2025, o equivalente a 3 milhões de garrafas plásticas cheguem aos rios da Amazônia.

O programa, em operação, representa mais do que uma ação ambiental: é um modelo de impacto social direto e transferência de renda para os catadores da região, muitos dos quais vivem em vulnerabilidade. A iniciativa oferece bonificação por quilo de material reciclado, registrando cada transação com rastreamento em blockchain, o que garante total transparência e segurança na operação. Trata-se da primeira iniciativa do tipo na região Norte do país.

Catadores, tradicionalmente marginalizados, são reconhecidos como agentes ambientais

 Para o diretor de operações da Plastic Bank Brasil Ricardo Araújo, o projeto monetiza o elo mais importante da cadeia de reciclagem: o catador.

“Se não houver catadores organizados, não há reciclagem eficiente. Por isso, o modelo da Plastic Bank é baseado em um ecossistema onde a coleta de resíduos é reconhecida, valorizada e paga com bônus em dinheiro.”

Segundo Araújo, a operação em Manaus é estratégica para a Plastic Bank, que nasceu em Vancouver (Canadá) e está no Brasil desde 2019.

“Nosso desejo era estar aqui, no bioma amazônico, um território fundamental para o planeta. E agora conseguimos materializar isso”, comemora.

A meta da organização até 2030 é multiplicar por cinco o volume atual de coleta e impactar 100 mil pessoas, com foco também em educação ambiental.

A Lord: embalagens conscientes

A empresa Lord, referência no setor de embalagens, é o principal parceiro industrial da iniciativa. A supervisora de ESG da empresa, Patrícia Cruz, destaca que a atuação vai além da responsabilidade corporativa:

“Sabemos que a indústria tem a faca e o queijo na mão. Por isso, assumimos nosso papel. A parceria com a Plastic Bank traz rastreabilidade, seriedade e um novo olhar sobre os resíduos. Expandir esse projeto para a Amazônia é um compromisso com o planeta e com as pessoas que vivem aqui.”

Patrícia destaca ainda o simbolismo da ação ocorrer em um ano em que o Brasil será sede da COP30, a conferência climática da ONU.

Operação da Plastic Bank e Lord tem um profundo cunho social e humano

Catador, não! Agente ambiental

 Mais do que um projeto ambiental, a operação da Plastic Bank e Lord tem um profundo cunho social e humano. Os catadores, tradicionalmente marginalizados, são reconhecidos como agentes ambientais. Além de EPIs e estrutura adequada, a inclusão é parte essencial da metodologia.

“Não estamos falando de quem mexe com lixo. Estamos falando de profissionais que protegem o meio ambiente e fazem um trabalho essencial. Queremos quebrar o preconceito e dar dignidade”, afirma Ricardo Araújo.

Segundo ele, o maior diferencial da ação é a chamada educação por imersão.

“Quando as pessoas visitam os centros de triagem e veem o trabalho dos catadores de perto, saem transformadas. É nesse contato direto que nasce a verdadeira consciência ambiental.”

Cooperativa é o ponto de partida de um modelo que pode ser replicado em outras regiões da cidade e do estado

Catadores na Linha de Frente

 Com cerca de 14 catadores atuando na ASCARMAN, a cooperativa é o ponto de partida de um modelo que pode ser replicado em outras regiões da cidade e do estado. Um dos rostos por trás desse trabalho é o de Ronaldo Soares de Nascimento, 35 anos, amazonense e catador há 15 anos.

“Mesmo que a gente tire o mínimo possível do lixo das ruas e igarapés, já é uma grande evolução. A gente salva peixe, limpa o rio, muda o futuro”, relata.

Ronaldo conta que separa o lixo reciclável em casa, influencia sobrinhos e vizinhos e evita jogar qualquer resíduo na rua. “Educação tem que vir de casa. Mesmo com pouco, já é um efeito grande.”

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