Plastic Bank, Lord e Ascarman iniciam projeto em Manaus que alia reciclagem com valorização dos catadores
Catadores, tradicionalmente marginalizados, são reconhecidos como agentes ambientais (Divulgação)
Durante essa semana, uma aliança internacional e inédita ganhou forma em plena zona Norte de Manaus. A multinacional canadense Plastic Bank, em parceria com a empresa de embalagens Lord, anunciou oficialmente sua união com a cooperativa de catadores da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis do Amazonas (Ascarman), localizada no bairro Terra Nova. Juntas, as três organizações deram início a um ambicioso projeto de economia circular que visa impedir que até o final de 2025, o equivalente a 3 milhões de garrafas plásticas cheguem aos rios da Amazônia.
O programa, em operação, representa mais do que uma ação ambiental: é um modelo de impacto social direto e transferência de renda para os catadores da região, muitos dos quais vivem em vulnerabilidade. A iniciativa oferece bonificação por quilo de material reciclado, registrando cada transação com rastreamento em blockchain, o que garante total transparência e segurança na operação. Trata-se da primeira iniciativa do tipo na região Norte do país.
Catadores, tradicionalmente marginalizados, são reconhecidos como agentes ambientais
Para o diretor de operações da Plastic Bank Brasil Ricardo Araújo, o projeto monetiza o elo mais importante da cadeia de reciclagem: o catador.
Segundo Araújo, a operação em Manaus é estratégica para a Plastic Bank, que nasceu em Vancouver (Canadá) e está no Brasil desde 2019.
A meta da organização até 2030 é multiplicar por cinco o volume atual de coleta e impactar 100 mil pessoas, com foco também em educação ambiental.
A empresa Lord, referência no setor de embalagens, é o principal parceiro industrial da iniciativa. A supervisora de ESG da empresa, Patrícia Cruz, destaca que a atuação vai além da responsabilidade corporativa:
Patrícia destaca ainda o simbolismo da ação ocorrer em um ano em que o Brasil será sede da COP30, a conferência climática da ONU.
Operação da Plastic Bank e Lord tem um profundo cunho social e humano
Mais do que um projeto ambiental, a operação da Plastic Bank e Lord tem um profundo cunho social e humano. Os catadores, tradicionalmente marginalizados, são reconhecidos como agentes ambientais. Além de EPIs e estrutura adequada, a inclusão é parte essencial da metodologia.
Segundo ele, o maior diferencial da ação é a chamada educação por imersão.
“Quando as pessoas visitam os centros de triagem e veem o trabalho dos catadores de perto, saem transformadas. É nesse contato direto que nasce a verdadeira consciência ambiental.”
Cooperativa é o ponto de partida de um modelo que pode ser replicado em outras regiões da cidade e do estado
Com cerca de 14 catadores atuando na ASCARMAN, a cooperativa é o ponto de partida de um modelo que pode ser replicado em outras regiões da cidade e do estado. Um dos rostos por trás desse trabalho é o de Ronaldo Soares de Nascimento, 35 anos, amazonense e catador há 15 anos.
Ronaldo conta que separa o lixo reciclável em casa, influencia sobrinhos e vizinhos e evita jogar qualquer resíduo na rua. “Educação tem que vir de casa. Mesmo com pouco, já é um efeito grande.”