Criador das alegorias da Andanças de Ciganos fala sobre estreia na escola e preparação do desfile com o tema: “Leite – O Líquido da Vida no Deleite do Carnaval”
(O artista plástico Itamar Marinho e parte de uma das esculturas da Andanças de Ciganos que vão para o Sambódromo no sábado / Fotos: Eraldo Lopes)
Aos 42 anos o artista plástico Itamar Marinho é o principal responsável por criar as alegorias da Andanças de Ciganos para este Carnaval. Para o desfile 2020 a escola do bairro da Cachoeirinha, Zona Sul da cidade, vai tratar do “Leite – O Líquido da Vida no Deleite do Carnaval”.
Nascido em Parintins mas há cerca de 20 anos em Manaus, ele conta que trabalhar no Carnaval das grandes da capital amazonense é um serviço que gera visibilidade.
“Nossa expectativa é a melhor possível, como em todos os anos, em relação ao nosso trabalho. Até porquê o que fazemos no Carnaval, hoje, é uma vitrine para projetos futuros, do amanhã. Vamos fazer um bom trabalho”, disse ele, que trabalha com arte desde os 15 anos de idade e que começou com seu cunhado, o também artista plástico parintinense Assis Oliveira.
“Já trabalhamos juntos nos bois Garantido e Caprichoso, já fomos trabalhar no Rio de Janeiro e Brasília. E depois passei a fazer trabalhos sozinho, por conta própria em escolas de acesso como a Balaku Blaku, depois do Grupo Especial como a Unidos do Alvorada, onde fiquei por 4 temporadas até o ano passado. E agora estou na Andanças de Ciganos”, relata.
Trazer para o Sambódromo um enredo que vai tratar sobre o leite e toda a sua importância para a humanidade é um trabalho que está surpreendendo Itamar. “Estou surpreso pois o trabalho está até mais adiantado do que ano passado”, declara o artista plástico, que tem na equipe uma ajuda bastante especial: sua esposa Bel Costa, que é também artista plástica, aderecista e diretora do barracão da Andanças. No total, a equipe, além do casal, tem também mais 14 operários de barracão e dois xodós: dois gatinhos.
Vida à alegoria
E como é o processo de dar vida às alegorias que vão encantar a todos no Sambódromo no próximo sábado pela Andanças de Ciganos? Com a palavra, o próprio criador Itamar Marinho.
“Nosso trabalho começa desde a ‘planta baixa’ dos carros alegóricos, depois passa para a parte da ferragem, em seguida emoldurar a escultura, pintura e a parte final que é a adereçagem e o acabamento das alegorias que é feito pela minha esposa. Mas o trabalho só acaba mesmo no dia quando o carro entra na avenida”, explica ele, sobre o serviço minucioso que vai durar em torno de cinco semanas.
À esquerda Itamar Marinho, a esposa Bel Costa e a equipe de barracão que vai dar vida às alegorias da Andanças de Ciganos
Para Itamar, além do serviço colocar a comida na mesa da família, trabalhar no Carnaval é um privilégio. “É uma coisa da qual eu gosto de fazer e que se eu trabalhasse em outra coisa não ficaria completo; me sinto um abençoado por fazer o que gostamos e ainda sermos pagos por isso”, conta o artista.
Frase
“Eu gosto do trabalho que faço no Carnaval. Me sinto um abençoado por fazer o que gostamos e ainda sermos pagos por isso”
Itamar Marinho, artista da Andanças de Ciganos
Samba, enredo e convite ao interior
O presidente da escola de samba Wilson Benayon explica que o samba-enredo da agremiação para este ano foi encomendado para a equipe de músicos conhecida como “Alterados”.
O dirigente, que é advogado, aproveita para falar como vem a Ciganos para o desfile do próximo sábado, quando será a terceira a entrar na pista da Avenida do Samba a partir de 22h40, após a apresentação das co-irmãs Primos da Ilha (que abre o show do Grupo Especial) e Unidos do Alvorada.
“Não resta dúvida senão acreditar no êxito desse enredo que trouxemos esse ano. A nossa bateria virá com aproximadamente 250 ritmistas, três a quatro carros alegóricos e dois módulos. Iremos desfilar com 19 alas e cerca de 70% do nosso Carnaval já está finalizado”, destaca Benayon.
Ele faz um convite ao povo interiorano para que se faça presente no desfile. “Aproveito para mandar um abraço e convidar que todos os sambistas de Manaus venham prestigiar a escola, em especial os filhos de Autazes, do Careiro-Castanho e do Careiro da Várzea porque eles são extremamente importantes nesse enredo que visa valorizar o setor produtivo de leite e dar mais credibilidade a esse ramo do agronegócio que é o que mais cresce no Amazonas”, conta ele.