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Desafios das tecnologias educativas no Brasil

Por: Sérgio Agudo*, Country Manager da Udemy para o Brasil 18/04/2018 às 11:45
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O mercado de trabalho está mudando a passos largos devido à crescente adoção de novas tecnologias que transformam a forma como trabalhamos. Sob esta nova realidade, os conceitos de “expertise” ou “domínio profissional” já são noções com datas de validade, portanto as novas gerações de profissionais se vêem forçadas a assumir uma atitude de aprendizado constante para se manter competitivas, seja em qual mercado for. O papel que as tecnologias educacionais – também chamadas de “EdTech”, seu acrônimo em inglês – desempenham hoje é mais relevante do que nunca: elas permitem que processos de ensino e aprendizagem sejam cada vez mais personalizados e eficientes, enquanto respondem em tempo real à demanda por novas habilidades e conhecimentos.

As EdTechs têm como objetivo facilitar o aprendizado e melhorar o desempenho dos alunos por meio do uso e gestão de processos e recursos tecnológicos apropriados. É um setor inovador que conta com uma grande variedade de mídias que nos permitem personalizar ou socializar o conhecimento, de forma que os indivíduos sejam expostos em tempo integral e em cada vez mais canais para absorvê-los, o que estimula um ambiente dinâmico tanto para o ensino quanto para o aprendizado.

Mais do que moda ou tendência temporária, as tecnologias educacionais surgiram em resposta às necessidades de treinamento das empresas de hoje. Essas deficiências nem sempre são cobertas pelas instituições tradicionais de ensino. E é precisamente nesse sentido que as EdTechs têm um grande potencial de crescimento como complemento à formação acadêmica – assim, as EdTechs desenvolvem, como consequência, uma nova indústria que, segundo o fórum EdTechXGlobal e a empresa de investimentos Ibis Capital, valerá US$ 252 bilhões a nível global no ano de 2020.

No campo dos negócios, as empresas dependem cada vez mais de tecnologias e mídias digitais para oferecer alternativas de treinamento contínuo para seus funcionários. Os trabalhadores agora desfrutam de mais acesso a oportunidades para o desenvolvimento profissional e pessoal por meio do fornecimento de produtos e serviços oferecidos pelo setor de EdTech. Com uma população de mais de 200 milhões de pessoas – muitas vivendo em regiões de difícil acesso, como na Amazônia ou nas Serras Gaúchas –, o Brasil se apresenta como um mercado jovem e muito promissor para este setor, com grande potencial para os seus diferentes atores.

Como muitas outras economias, nosso país está experimentando uma profunda transformação tecnológica nos seus processos de produção baseados em informações e conectividade global. Esta revolução, cada vez mais presente em todos os setores, gerou um intenso debate sobre seu impacto nos empregos, uma vez que é inegável que o mercado de trabalho precisa de novos perfis profissionais, muito especializados e inexistentes há apenas alguns anos atrás. Isso quer dizer que não se trata de destruir empregos, mas sim de uma transformação sem precedentes do paradigma produtivo. Nesse sentido, o ecossistema das EdTech enfrenta o desafio de fazer com que trabalhadores atuais e futuros adquiram as habilidades tecnológicas exigidas por essa revolução digital e a encarem como uma oportunidade, algo que se submeta a uma reciclagem profissional contínua.

Em um mundo hipercompetitivo, esse treinamento constante tem sido há anos um privilégio que nem todos podem desfrutar, especialmente devido aos altos custos da educação tradicional. Democratizar o acesso à formação útil e de qualidade ao longo da vida profissional torna-se, assim, outro dos principais desafios das tecnologias educacionais, tanto no Brasil quanto no resto do mundo.

Por outro lado, sendo a flexibilidade de horários e de local de aprendizagem a principal vantagem de um treinamento on-line, as empresas cada vez mais enxergam nisso a opção mais atraente para treinar seus funcionários. Além disso, o e-learning exige de 40% a 60% menos tempo do que o treinamento em sala de aula ou seguindo métodos tradicionais, motivos pelos quais as empresas estão se conscientizando da eficiência da escolha dessa alternativa.

Em suma, em um contexto no qual o ritmo da mudança tecnológica é cada vez mais acelerado, a necessidade de acesso a treinamento flexível e atualizado já é crucial. Conseguir que os funcionários tenham uma atitude constante de aprendizagem não é apenas um desafio, mas sim uma obrigação que deve andar de mãos dadas com trabalhadores, empregadores e o setor de EdTech.

*Sergio Agudo é o Country Manager da Udemy para o Brasil. Ele e sua equipe são responsáveis ​​por trazer uma experiência única para estudantes e instrutores de língua portuguesa. Sergio tem desenvolvido o mercado brasileiro na Udemy desde 2015 e, antes disso, trabalhou na Visa, American Express e em startups nos EUA. Ele se formou em Administração de Empresas pela FGV-EAESP e obteve seu MBA na Thunderbird School of Global Management, nos Estados Unidos.