Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Cinomose em animais não precisa terminar em eutanásia

Veterinário neurologista explica como a doença pode ser tratada e as alternativas para que a eutanásia não seja obrigatória para o animal


07/09/2018 às 17:32

Maria Paula Santos
@mariapaulasantos

Normalmente quando vemos doenças neurológicas no animal doméstico o temor pelo desconhecido é muito comum, e não é a toa todo esse medo, as pesquisas e avanços no Brasil em torno da neurologia animal ainda são precárias. Em todo o Estado do Amazonas há somente dois veterinários que se dedicam a área, um deles é o Prof. Dr. Márcio Rodrigues, e ele alerta para o surto de cinomose que temos atualmente na capital.

Cinomose é uma doença altamente contagiosa provocada por um vírus que degenera os envoltórios lipídicos que envolvem os axônios dos neurônios, em livre tradução, ele causa atrito entre nos neurônios do animal dando sinais neurológicos como convulsões por exemplo, fazendo o pet então perder os sentidos. É um doença exclusiva de cães e alguns animais silvestres e não passa para o homem, porém a contaminação de outros animais é feita através da respiração do ar contaminado ou através de contato direto.

“Um erro comum que muitos cometem, é achar que qualquer tremor que o animal apresente já significa que o diagnóstico é a cinomose. Mas na verdade na doença, os sintomas vão muito além de somente os tremores, as vezes ela está entre problemas mais comuns como diarréia, pneumonias e até mesmo a gripe animal ou podem ser assintomáticos, ou seja, não apresentam sintomas”, comentou o veterinário.

Tratamento

“Nós nunca devemos indicar a eutanásia, somente sugeri-la, mas antes disso não podemos deixar de cogitar os tratamentos através dos medicamentos certos, e claro, sempre relembrar da importância da vacinação correta”, alerta.

A prevenção da doença ainda é unicamente feita através da vacina, que está dentro do pacote oferecido pelas vacinas V8 , V10 e V11. No caso de filhotes, devem receber três a quatro doses da vacina a partir de 45 dias de vida, com intervalo de 21 dias entre as aplicações. Apenas depois da última dose seu sistema imunológico estará apto a combater o vírus caso haja contato com ele, sendo liberados os passeios na coleira. “A vacina prepara o sistema imune com pequenas doses do antígeno (vírus) para ter memória imunológica”, comenta.

Mesmo com todos os esforços, ainda mata cerca de 70% de filhotes devido ao diagnóstico tardio. Porém, aqueles que conseguem descobrir cedo e aderem ao tratamento com sucesso, ainda podem apresentar sequelas, dependendo da evolução do estágio de acometimento do sistema nervoso da doença, podendo ficar com tremores musculares, andar desordenado e/ou crises convulsivas por toda sua vida, mesmo não portando mais o vírus. Neste caso, o animal terá de ter auxílio de sessões terapêuticas como fisioterapia e acupuntura para melhorar o quadro.

“Conhecer as opções terapêuticas alternativas existentes para tratar a doença e a escolha de um veterinário de confiança ajudam a lidar melhor com os casos para que a eutanásia seja a última opção do animal”, disse Márcio.

Saiba +

De acordo com o Márcio, a neurologia animal ainda é vista por muitos como um bicho de sete cabeças devida a sua complexidade, mas que mesmo com os receios, ela vem crescendo e melhorando. Natural do ceará e pós doutorado pela USP, Márcio destaca a urgência de centros especializados na área, revelando inclusive que a única máquina de ressonância animal do Brasil fica em São Paulo.

Serviço
O quê: Centro Veterinário Nova Pets
Onde: Av Curação n°3, Qdr 238, Conjunto Nova Cidade
Infos: 3307-1193 / 98411-3822 / @novapets


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