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Crítica: Novo 'Animais Fantásticos' parece prólogo para futuro filme

23/11/2018 às 16:49 - Atualizado em 23/11/2018 às 16:53
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Daniel Bydlowski*
Especial para  A CRÍTICA

Depois de Animais Fantásticos e Onde Habitam, filme do universo de Harry Potter dirigido por David Yates em 2016, a sequência esperada muda o tom divertido da primeira produção. Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, embora também dirigido por Yates e escrito pela talentosa escritora J.K. Rowling, parece se preocupar mais em dar informações sobre uma produção futura do que criar uma obra mais fechada. 

A franquia de Animais Fantásticos traz duas características muito diferentes de Harry Potter. Primeiro, o personagem principal, Newt Scamander (Eddie Redmayne) já é adulto e especialista no que faz: é um Magizoologista, ou seja, estuda animais mágicos. Neste caso, Newt tem uma coleção de criaturas impressionantes em uma maleta que, possivelmente inspirada por Mary Poppins ou ainda Doctor Who, funciona como uma espécie de portal para uma paisagem natural maravilhosa onde os bichos vivem. 

A segunda diferença é a data onde a história acontece. Se Harry Potter começa nos anos 80 e avança de acordo com a idade de Potter, aqui é a realidade dos anos 20 que aparece. Isto garante à J.K. Rowling não somente a habilidade de dar a Animais Fantásticos um estilo diferente, mas também lidar com questões sociais que eram presentes no passado, como aquelas ligadas as Guerras Mundiais. 

Estes dois aspectos faz de Animais Fantásticos uma franquia diferenciada. Porém, os estilos dos dois filmes parecem bastante distintos. Animais Fantásticos e Onde Habitam é um filme divertido e que mostra personagens carismáticos e engraçados (assim como também animais levados e perigosos). Em Nova Iorque dos anos 20, as ações de Newt vão desde capturar animais levados que correm pela cidade até confrontar os vilões, inclusive Gellert Grindelwald (Johnny Deep), que é o nome do novo filme. 

Personagens carismáticos e situações engraçadas também estão presentes. Porém, logo no começo, a cena onde Grindelwald escapa de uma prisão dá o tom mais sombrio. Grindelwald também está rumo à consolidação de seu poder maligno, que conta com grande violência e uma crença repleta de ideias maléficas como “sangue-puro”, algo coerente com a época difícil em que o filme se passa.

Mas esta não é a única diferença entre os dois filmes. Aqui, o enredo é tão repleto de informações novas e diferentes acontecimentos, muitas vezes indo além do necessário, que parece mais como uma preparação para um filme futuro onde essas informações serão usadas de modo efetivo. Além disso (e talvez como o primeiro filme), animais e personagens secundários muitas vezes roubam a cena e é difícil voltar ao enredo principal.

Mesmo assim, ainda vale a pena ver o filme, especialmente para aqueles que são amantes do gênero e das obras de Rowling. Vamos aguardar, pois o próximo pode ter cenas gravadas no Brasil.

* Daniel Bydlowski é cineasta brasileiro e membro do Directors Guild of America