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Crítica: Nova sequência de 'Predador' não ajuda a revitalizar a franquia

18/09/2018 às 15:08
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Franquia ficou famosa em 1987 e ganhou sequência no ano de 1990 (Divulgação)

Daniel Bydlowski*
Especial para  A CRÍTICA

Mais uma vez a aposta de grandes estúdios é o remake de clássicos, especialmente de ficção científica. Desta vez foi o Predador, que ficou famoso em 1987 e tinha nada mais nada menos do que Arnold Schwarzenegger como personagem principal. A sequência, de 1990, não fica para traz, trazendo Danny Glover e outras estrelas que combatem (ou tentam combater) o conhecido alienígena.

Mas estas primeiras produções trazem algo mais do que grandes atores. Elas trazem uma história original com suspense. Também colocam a ideia de alienígenas de cabeça para baixo, onde a criatura espacial se diverte caçando humanos e, possivelmente, qualquer outro ser do universo por puro esporte.

Já a versão de 2018 não parece trazer nem grandes atores, nem histórias originais e, nem mesmo, grandes suspenses. Não é a primeira vez que a repetição e o constante remake acabam destruindo, ou ao menos modificando completamente , um filme já consagrado.

Por exemplo, todos conhecem o clássico de horror Brinquedo Assassino que traz o personagem Chucky. A primeira produção, de 1988, era carregada de suspense e estava de acordo com o gênero. Após algumas décadas e muitas sequências depois, a franquia começa a não levar a sua própria origem a sério. A Noiva de Chucky, de 1998, mostra uma transformação que modificou o longa essencialmente em uma paródia cômica do gênero.

Talvez O Predador não tenha ido tão longe quanto A Noiva de Chucky, mas caminha junto a produções que parecem ir bastante naquela direção. Repleto de piadinhas rápidas, que quase são engraçadas, o filme parece até mesmo esquecer do Predador. Além disso, o enredo não tem o suspense dos filmes originais.

O longa tem como protagonista o soldado Quinn McKenna, interpretado por Boyd Holbrook. Por saber mais do que deve sobre os segredos do governo em relação aos caçadores alienígenas, ele é colocado em um tipo de manicômio com outros personagens que talvez estejam mais interessados em fazer piadas do que fazer parte de um suspense bem desenvolvido.

A trama se complica mais ainda quando McKenna, na sua fuga, consegue artefatos alienígenas e, sem uma explicação concreta, manda estes por correio para os Estados Unidos. E quem acaba tomando posse destes objetos? Rory, interpretado Jacob Tremblay, filho de McKenna. São estes tipos de ações e cenas sem muita explicação que diluem a qualidade das primeiras produções.

Além disso, o conflito na maior parte do filme parece ser entre os seres-humanos, mesmo quando uma perigosa criatura está solta pela cidade. Este tipo de ideia, que dá muito certo em algumas obras, como em Walking Dead, onde humanos são mais perigosos do que os zumbis, não dá certo em O Predador, já que o alienígena tem consciência e é mais avançado do que os humanos.

E é essa a principal razão do suspense por trás dos originais. Com um ser muito mais inteligente do que os humanos, como é que estes últimos conseguiriam ganhar uma batalha em que são muito mais fracos? Essa pergunta, que dá força à narrativa da ideia inicial dos longas originais, é bastante diluída quando humanos brigam entre si. Mas, no final, O Predador é mais um filme de uma franquia que precisa ainda ser revitalizada.

* Daniel Bydlowski é cineasta brasileiro e membro do Directors Guild of America