Publicidade
Blogs

Crítica: 'Os Incríveis 2' cativa e diverte tanto quanto o primeiro

10/07/2018 às 13:50
Show estreia da semana 2

Daniel Bydlowski*
Especial para A Crítica

Com tantas sequências e tantos remakes, especialmente de super-heróis, fica difícil de se surpreender que o filme Os Incríveis 2 teria espaço no cinema, ainda mais com o sucesso do primeiro. Só que, desta vez, demorou 14 anos para a continuação finalmente ver a luz do dia, e todos agradecem.

Com um enredo cativante e com uma animação que claramente avançou com o tempo, Os Incríveis 2 é tão criativo e divertido quanto ao primeiro. Com a direção e o roteiro de Brad Bird, que ficou conhecido bem antes destafranquia com a animação tradicional O Gigante de Ferro, o filme traz todos os elementos que deram ao primeiro seu estilo único.

Assim, a animação não somente se trata de heróis salvando a humanidade. Muito pelo contrário, ficam em cena os problemas e as tribulações de uma família de classe média baixa tentando ter seu espaço em uma sociedade que não os dá a chance que precisam para brilhar. Sim, a família Pera pode ter superpoderes, mas super-heróis foram proibidos de salvar o mundo devido aos efeitos colaterais das lutas contra os inimigos (afinal, é só pensarem qualquer filme de super-heróis para lembrar a destruição que as brigas causam).

A cidade, que tem seguro contra os roubos dos vilões, prefere que a seguradora pague as dívidas causadas por estes, do que heróis salvando o dia. Porém, isto não é o que a população quer. Afinal, todos querem ver os heróis que se sacrificam para fazer do mundo um lugar melhor. E se o primeiro filme mostra a família superpoderosa lidando com o inimigo de maneira indireta, agora as coisas começam a ficar mais complicadas. Antes, os Pera contavam com serviços secretos que os protegiam, mas agora perderam até isto com a destruição que causaram.

Mas o que dá ao filme o seu caráter único é que os inimigos são sempre baseados nos efeitos causados pelas ações dos próprios super-heróis. No primeiro filme, um aspirante a super-herói é ignorado por seu ídolo e decide se vingar. No segundo, o vilão culpa a própria existência de heróis pelos problemas do mundo, dizendo que a presença destes faz com que pessoas comuns não lutem pela melhora de suas próprias vidas.

Mas há também amigos, aqueles que acreditam que banir os superpoderosos causam tragédias que poderiam facilmente ser evitadas. Acreditam também que o melhor modo de legalizar super-heróis é por meio da publicidade. E assim a história começa, com a mulher elástica Helena, esposa do superpoderoso Beto, participando de aventuras para mudar a imagem de todos os heróis.

E assim também a comédia começa, com Beto tendo que cuidar da família e fazer todas as tarefas domésticas, que antes eram feitas por sua mulher. Agora ele tem que cozinhar, ajudar com lições de casa e, ainda, dar sugestões amorosas para a filha. Esse contextoé mais difícil para o paizão do que lidar com qualquer vilão! E as coisas ficam ainda mais difíceis quando o bebê Zezé desenvolve superpoderes muito mais complexos do que aqueles que aparecem no final do primeiro filme. E o pequeno traz as piadas mais engraçadas da produção, dando trabalho tanto para os heróis quanto para os inimigos. Os Incríveis estão de volta!

* Daniel Bydloweski é cineasta brasileiro e artista de realidade virtual com Masters of Fine Arts pela Universityof Southern California