Com o crescimento da prática esportiva na cidade, especialistas alertam que os benefícios da atividade física permanecem, desde que os treinos sejam adaptados às condições climáticas da região.
(Foto: Daniel Brandão)
Com a chegada do período mais quente e seco do ano, praticar atividades físicas ao ar livre em Manaus exige atenção redobrada. O calor intenso, a alta umidade e, nos próximos meses, a fumaça das queimadas aumentam os riscos à saúde e exigem planejamento para que os exercícios continuem sendo aliados do bem-estar.
Correr, caminhar ou pedalar ao ar livre já faz parte da rotina de milhares de moradores da capital amazonense. Com o crescimento da prática esportiva na cidade, especialistas alertam que os benefícios da atividade física permanecem, desde que os treinos sejam adaptados às condições climáticas da região.
O médico do exercício e do esporte José Diniz afirma que o clima de Manaus impõe desafios diferentes dos encontrados em outras cidades do país. Durante a atividade física, a elevada umidade dificulta a evaporação do suor, comprometendo um dos principais mecanismos de resfriamento do organismo.
"O calor não é desculpa para deixar de fazer exercício. Toda atividade física traz benefícios para o sistema cardiovascular, melhora a imunidade, ajuda no ganho de massa muscular, aumenta a longevidade e ainda faz parte do tratamento de doenças como depressão e ansiedade. O que muda em Manaus é que precisamos praticar atividade física com mais planejamento e conhecimento do ambiente", afirma.
Segundo o especialista, como o suor demora mais para evaporar, o organismo perde calor com menos eficiência, aumentando o risco de hipertermia e insolação. Por isso, ele recomenda adaptar os horários dos treinos, usar roupas leves e claras, iniciar a atividade já hidratado e redobrar a atenção com pessoas que têm hipertensão, doenças cardiovasculares ou fazem uso de diuréticos.
José Diniz explica que calor e alta umidade dificultam a dissipação do calor corporal e exigem hidratação
"A principal dica é hidratação. A pessoa precisa estar hidratada antes de começar a atividade. Não adianta iniciar uma corrida para só depois lembrar de beber água. Além disso, vale fazer refeições leves antes do treino e escolher horários mais amenos. Fazer uma corrida ao meio-dia, em Manaus, não faz sentido", destaca.
ROTINA E ADAPTAÇÃO
No Passeio do Mindu, na zona Centro-Sul de Manaus, um dos principais espaços para a prática de atividades físicas na cidade, o militar carioca Diogo Costa, de 38 anos, conta que precisou adaptar a rotina desde que chegou à capital amazonense, há quatro meses.
"É bem mais quente do que eu estava acostumado. Então, a gente precisa se preparar melhor, manter a hidratação e cuidar da alimentação. Depois dos 30 anos, isso faz ainda mais diferença. O calor atrapalha um pouco, mas não pode ser desculpa. Quem quer correr precisa manter o foco", afirma.
Também militar, Josivaldo de Souza, de 34 anos, natural de Natal (RN), diz que sentiu rapidamente a diferença entre o clima da cidade onde nasceu e o de Manaus.
Os militares Diogo Costa e Josivaldo de Souza relatam que precisaram adaptar a rotina de treinos ao calor e à umidade
"Lá também faz calor, mas aqui é muito mais abafado. A gente transpira o tempo todo, sente sede com mais frequência e, até dentro de casa, continua suando. Mesmo assim, dá para manter a rotina. Eu faço corrida, natação e musculação. O importante é manter a hidratação e a alimentação", relata.
Sol também exige cuidados com a pele
Além da hidratação, quem pratica atividades físicas ao ar livre também deve redobrar a atenção com a proteção da pele.
A dermatologista Montaha Jasserand explica que o suor reduz o tempo de permanência do protetor solar, tornando necessária a reaplicação durante o exercício.
A especialista recomenda produtos com fator de proteção solar (FPS) de, no mínimo, 15, resistentes à água e adequados ao tipo de pele de cada pessoa.
"A radiação solar causa danos cumulativos. Ela aumenta o risco de câncer de pele, favorece o aparecimento de manchas e acelera o envelhecimento da pele. Como o suor faz o protetor sair mais rapidamente, quem pratica atividade física ao ar livre deve reaplicá-lo a cada duas horas. Hoje existem protetores específicos para esportistas, mais resistentes ao suor, e o melhor é sempre aquele que a pessoa consegue usar diariamente", explica.
Além do protetor solar, a dermatologista recomenda o uso de bonés ou viseiras, óculos com proteção contra raios ultravioleta e roupas com proteção UV, especialmente para quem realiza atividades nos horários de maior incidência solar.
E quando começa o período de queimadas?
Outro ponto de atenção é o período de queimadas, comum entre agosto e outubro no Amazonas. Diferentemente do calor, que pode ser amenizado com mudanças de horário e hidratação adequada, a fumaça representa um risco que, segundo o médico, não pode ser minimizado durante a prática esportiva.
"Quando a fumaça está intensa, não há como minimizar esse risco. Não adianta colocar máscara e continuar correndo ao ar livre. O ideal é substituir a corrida por uma esteira ou outro exercício em ambiente climatizado até que a qualidade do ar melhore", recomenda.