projeção

AM deve registrar 748 mortes por Covid-19 até segunda quinzena de maio, aponta estudo

Informações constam no Boletim Atlas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas, da Universidade Federal do Amazonas, que projeta ainda mais de 16 mil novos casos até meados de junho

Luiz G. Melo
01/05/2020 às 20:30.
Atualizado em 22/03/2022 às 16:22

(Foto: Divulgação )

O Amazonas registrará cerca de 748 mortes por Covid-19 até a segunda quinzena de maio e mais de 16 mil novos casos até meados de junho. A projeção foi publicada no Boletim Atlas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que tem analisado dados sobre o avanço da doença no Estado.

De acordo com os pesquisadores do Atlas, pelo crescimento do número de mortes, ainda não há indicativo de desaceleração da pandemia da Covid-19. Já o número de novos casos mostra tendência de estar se aproximando de um ponto de desaceleração.

Pela velocidade com que a doença vem se propagando pelo interior, o estudo prevê que todas as cidades amazonenses já tenham sido alcançadas pela doença, embora os dados oficiais não confirmem isso. O Atlas supõe ainda que o pico da pandemia pode ser atingido na primeira quinzena de junho – isso levando em consideração que a propagação do novo coronavírus é influenciada por mudanças causadas a partir de medidas governamentais e da adesão em massa (ou não) do distanciamento social por parte da população.

Conforme o pesquisador convidado para o estudo, Jesem Yamall Orellana, suposições sobre a dinâmica da epidemia do novo coronavírus no Amazonas tendem a ser pouco precisas e dependentes de informações desconhecidas, tais como a data de início dos primeiros sintomas, da exposição à possível fonte de infecção ou mesmo o dia em que a amostra do paciente foi coletada.

“Os resultados diários que temos para casos confirmados de Covid-19 representam, muito provavelmente, o dia do seu lançamento no sistema. Este é um ponto chave para entender a dinâmica de uma doença infecciosa com alto potencial de dispersão e com crescimento claramente exponencial”, destacou ele, que é mestre em saúde pública e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo o coordenador geral do Atlas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas, Henrique dos Santos Pereira, o modelo utilizado na pesquisa (curva de crescimento logístico) precisa ser atualizado diariamente para que incorpore as tendências de expansão ou retração da pandemia.

“Os cálculos estatísticos nos permitem prever com 95% de chance de acerto que o valor real estará dentro de um limite. No caso da previsão feita com os valores até 30 de abril, o número de casos previstos ficaria entre 6,5 e 18,5 mil. Contudo, esse número se modifica na medida em que os órgãos oficiais declaram, a cada dia, o número de novos casos e de óbitos pela doença”, disse.

O pesquisador ressalta que os números oficiais são aproximações da realidade, já que há mortes cuja causa não foi verificada e pessoas doentes ou portadoras que não foram testadas e, portanto, não figuram nos registros dos órgãos de saúde do Estado.

“Pela curva projetada com os dados até 30 de abril, até início de junho seria a data em que já teriam sido detectados pelo menos 97% dos casos esperados. Isso apenas se as medidas de prevenção, especialmente de distanciamento social, forem mantidas. Caso contrário, esse número total de infectados pode ser maior e a data de controle da pandemia acontece posteriormente”, ressaltou ele.

A subnotificação de casos de covid-19, admitida pelo Ministério da Saúde, contribui para que a população relaxe mais na adesão ao isolamento social. O resultado, na prática, é um círculo vicioso em que mais gente vai para as ruas e mais casos ficam fora das estatísticas oficiais, dessa forma aumentando a proliferação da doença.

“A intensificação de medidas de reforço ao distanciamento social deve, sim, surtir efeitos esperados de desaceleração da curva de novos casos”, frisou o coordenador geral do Atlas, Henrique dos Santos Pereira.

“Porém, a previsão pode ser afetada por medidas, tais como o aumento da aplicação de testes que pode levar ao aumento do número de casos detectados - ou seja, se a subnotificação for reduzida, então um número maior de casos virá a ser conhecido. Porém, essa mudança não alteraria grandemente o ritmo da pandemia (forma de curva), mas sim o pico de casos (altura da curva)”, completou.

Questionada pela reportagem do portal A Crítica sobre a possibilidade de ocorrer a testagem em massa no Amazonas nas próximas semanas, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) não se manifestou até a conclusão desta reportagem.

Boletim

O Amazonas começou o mês de maio com mais 469 novos casos de Covid-19, totalizando 5.723 pacientes, segundo boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) divulgado na tarde desta sexta-feira (1°). O total de mortes por coronavírus subiu de 425 para 476 - com mais 58 óbitos em investigação. Segundo o Ministério da Saúde, o Amazonas tem a maior taxa de incidência da doença em todo o Brasil.

Dos 5.723 casos confirmados no Amazonas, 3.491 são de Manaus e 2.232 do interior do Estado (39%). Destes, 279 pacientes estão internados, sendo 138 deles em  Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em um dia, mais 69 pessoas se recuperaram da doença, totalizando 1.708 de pacientes fora do período de transmissão.

“Com os dados [do último boletim epidemiológico da FVS-AM], a previsão do governo de iniciar o relaxamento das medidas a partir de 14 de maio deixa de ser recomendável, pois a previsão para o total de óbitos e de controle da pandemia foram alterados. A data mais razoável para iniciar o relaxamento das medidas de distanciamento social seria 23 de maio, e com maior segurança 9 de junho”, apontou o coordenador geral do Atlas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas, Henrique dos Santos Pereira.

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