Coronavírus

Covid-19: quais as diferenças entre as variantes e por que devemos tomar cuidado?

Como forma de controle da pandemia, a OMS estabeleceu categorizações para as variantes do Coronavírus que estão circulando pelo mundo

Portal A Crítica
23/09/2021 às 22:33.
Atualizado em 08/03/2022 às 23:04

(Foto: Divulgação)

Muitas dúvidas surgem desde o início da pandemia da Covid-19. Após termos técnicos como variantes, mutações e cepas virem à tona, pode parecer cada vez mais difícil entender como um vírus funciona no corpo humano e como é possível se proteger dele. Os novos casos da variante Mu confirmados no Brasil e a velocidade do aumento de casos da Delta também preocupam em relação ao controle da pandemia no país, já que o avanço da vacinação tem contribuído com a queda de casos mais graves, internações e óbitos. 

Para ajudar a entender melhor o assunto, o diretor científico do laboratório de biotecnologia DNA Consult e professor na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Euclides Matheucci, Jr., tirou as principais dúvidas sobre situação atual e as diferenças de cada tipo de variante. Confira:

Afinal, o que são variantes?

Segundo o especialista é tudo parte da versão original do vírus. “Podemos dizer que uma variante é a nova versão de um vírus após ele sofrer uma mutação ao replicar nas células. Com isso sua composição genética se altera e não é mais idêntica à primeira versão dele”, explica. 

Qual a diferença entre mutação e variante?

O professor explica que as variantes surgem a partir das mutações. “Como explicado anteriormente, uma mutação é o processo de mudança que o vírus sofre após se replicar nas células e estas alterações acabam sendo esperadas com a sua disseminação. A partir desta mutação, surgem as novas variantes que tem um código genético diferente do vírus original, como se fossem novos vírus”, esclarece.

Qual a diferença entre uma variante de interesse e uma variante de preocupação?

Como forma de controle da pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu categorizações para as variantes do vírus SARS-CoV-2 que estão circulando pelo mundo, são elas: Variantes de Preocupação (VOC), do termo em inglês Variants of Concern, e Variantes de Interesse (VOI), em inglês Variants of Interest. “Essa classificação serve para que a população consiga entender as características de cada variante. Nem sempre uma nova variante apresenta mais riscos, mas é preciso entender suas diferenças e para isso existe o acompanhamento científico com o sequenciamento genético”, afirma Euclides.

“Dessa forma, segundo a classificação da OMS, as Variantes de Preocupação são aquelas que podem contribuir com o aumento da transmissão e possuem uma alteração considerada prejudicial para o controle epidemiológico. Elas podem ainda apresentar uma mudança do quadro clínico viral ou até mesmo demonstrar resistência às medidas sanitárias de controle, como terapias e vacinas”, explica. 

“Já as Variantes de Interesse são aquelas que apresentam mudanças genéticas no vírus original e causam transmissão comunitária com muitos casos ou agrupamentos, ou até mesmo podem ter sido identificadas em vários países”, completa Euclides. 

De acordo com o monitoramento da OMS, atualmente existem quatro Variantes de Preocupação (VOC): Alpha (B.1.1.7), identificada no Reino Unido Beta (B.1.351), identificada na África do Sul Gama (P.1), identificada no Brasil Delta (B.1.617.2), identificada na Índia

Já as Variantes de Interesse (VOI) somam cinco no total: Eta (B.1.525), identificada em vários países Iota (B.1.526), identificada nos Estados Unidos Kappa (B.1.617.1), identificada na Índia Lambda (C.37), identificada no Peru Mu (B.1.621), identificada na Colômbia

Recentemente, novos casos da variante Mu foram confirmados no Brasil e o receio se a nova mutação pode ser imune a vacina se tornou uma incógnita. Para Euclides, por enquanto não há respostas conclusivas, uma vez que é necessário acompanhar o monitoramento científico. “A variante Mu, assim como as outras variantes, está sendo acompanhada constantemente pelos órgãos científicos. Não podemos nos precipitar em temer uma variante mais do que outra. O recomendado ainda é continuar seguindo as normas de distanciamento, o uso de máscaras e realizar a higiene contínua das mãos. Apesar do avanço da vacinação, a pandemia ainda não acabou e o risco de se contaminar ainda é grande”, finaliza Matheucci. 

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