Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
EFEITO PANDEMIA

Gigantes da Zona Franca de Manaus param produção por causa do novo coronavírus

Empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) liberam seus funcionários para evitar contaminação pela Covid-19, entre elas a BMW, Honda e Yamaha, Samsung e Transire



Linha-de-montagem_motor160cc_0_6407F002-CA98-4331-894D-1F52FF429FF5.jpg Foto: Divulgação
25/03/2020 às 09:59

Cinco empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) já anunciaram a paralisação da produção para atenuar os riscos de contaminação do novo coronavírus. As três principais montadoras de motocicletas - BMW, Honda e Yamaha - e empresas do polo de eletroeletrônicos, Samsung e Transire, comunicaram que irão interromper a fabricação em suas unidades. A medida também já foi adotada por empresas do polo relojoeiro, segundo o vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas, Nelson Azevedo.

A Transire Fabricação de Componentes Eletrônicos foi a primeira empresa do PIM a divulgar plano de paralisação das atividades. O presidente da Transire, Gilberto Novaes divulgou vídeo, nas redes sociais da empresa, informando que a produção será suspensa a partir de hoje. “Uma quantidade ainda vai trabalhar para finalizar o que deve ser concluído. Depois disso ficaremos em recesso por 15 dias. Vamos traçar estratégias de como trabalhar nos próximos dias”, disse o empresário.



Desde terça-feira, a Samsung Eletronics interrompeu as atividades por pelo menos  sete dias. A decisão foi tomada na segunda-feira no mesmo dia em que a empresa foi alvo de reclamações do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas por não respeitar as normas estabelecidas pelos órgãos de saúde. No comunicado distribuído aos funcionários, a data do retorno aos trabalhos não foi estabelecida. “A data de retorno será definida e comunicada à medida que as informações forem recebidas”, atesta o informe.

Motos

A Yamaha Motor do Brasil decidiu suspender a produção de motos e de motores de popa no período de 31 de março a 19 de abril, regressando às atividades no dia 20 de abril. A assessoria de imprensa da Yamaha esclareceu que ainda será definido se os trabalhadores ficarão em casa mediante férias ou licença remunerada.

O diretor de Relações Institucionais da Yamaha no Brasil, Hilário Kobayashi informou, em comunicado, que profissionais de áreas técnicas, por exemplo, de fundição e logística, trabalharão em regime excepcional de plantão. “Nesses casos a empresa seguirá oferecendo a seus colaboradores todas as proteções individuais necessárias em salvaguarda para evitar o contágio. Medidas adicionais, se necessárias, quando definidas serão informadas oportunamente”, declarou.

Honda

A Moto Honda comunicou que a produção será paralisada a partir da próxima sexta-feira, dia 27. O retorno está previsto para 13 de abril podendo ainda ser prorrogado por mais uma semana, até o dia 20.

A empresa informou que todos colaboradores diretamente envolvidos no processo produtivo das motocicletas entrarão em férias coletivas a partir de 30 de março.

Entre os dias 27 e 30 de março, as jornadas serão compensadas com a utilização do banco de horas e que a medida prioriza a segurança e saúde dos trabalhadores.

A Honda explicou que está direcionando o maior número possível de profissionais das áreas administrativas para férias coletivas ou regime de home office.

“Para as atividades imprescindíveis, que não podem ser realizadas à distância, será mantido um contingente mínimo de colaboradores, com as medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades para proteger as pessoas e conter a disseminação do vírus”, detalhou a empresa.

A BMW Group Brasil anunciou a suspensão temporária da produção de motocicletas na planta de Manaus a partir da próxima segunda-feira, 30 de março, e com previsão de retorno em 23 de abril. A empresa espera recuperar os dias de produção ainda neste ano e não informou, no comunicado divulgado à imprensa, se os funcionários ficarão em  férias ou afastamento remunerado.

“Nosso foco agora é proteger nossos colaboradores, manter todos em segurança e com saúde, e nos preparar para o que virá, com a retomada das atividades e do mercado. Ao adotar esta medida preventiva, acreditamos reduzir a circulação dos nossos funcionários e, como consequência, a redução das chances de um eventual contágio”, afirmou o diretor da fábrica de produção de motocicletas do BMW Group em Manaus, Jefferson Dias.

Em números

104,6 bilhões  de reais correspondeu ao faturamento do Polo Industrial de Manaus, em 2019, um aumento de 12% em relação ao ano de 2018 (R$ 93,4 bilhões),  segundo dados da Suframa. Em dezembro de 2019, o PIM registrou 89,4 mil trabalhadores entre efetivos, temporários e terceirizados. A média mensal do ano foi de 89,2 mil empregos, representa um aumento de 1,7 mil postos de trabalho em relação a média mensal de 2018 (87,5 mil).

Análise de Fernando Almeida Prado – Advogado e professor universitário

A pandemia de Covid-19 trouxe para as empresas a necessidade de adotar formas alternativas ao modelo tradicional e presencial de trabalho, com pouquíssimo prazo para adequação. A Medida Provisória (MP) 927 prevê a possibilidade de flexibilizar a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) em diversos aspectos. Considerando a dificuldade de assinar aditivos aos contratos de trabalho, a MP passou a permitir a realização de home office sem o prévio ajuste formal, garantindo a possibilidade de retorno ao trabalho presencial após o fim da pandemia. Durante o período de calamidade pública, as horas não trabalhadas ou extraordinárias poderão ser compensadas por meio de banco de horas em favor do empregador ou do empregado, estabelecido por meio de acordo coletivo ou em contrato individual. A compensação deverá ocorrer no prazo de até 18 meses, contados da data de encerramento do estado de calamidade pública. As horas destinadas à compensação poderão ser realizadas mediante prorrogação da jornada em duas horas, observado o limite de 10 horas diárias de trabalho. A forma de compensação será determinada pelo empregador. A empresa poderá conceder férias individuais durante o estado de calamidade.

Comentário de Nelson Azevedo - Vice-presidente da Fieam

“As empresas não estão parando por falta de material. É pela prevenção ao vírus, evitar aglomeração e a proximidade das pessoas nas linhas de montagens. Todas as empresas do polo relojoeiro (Orient, Magnum, Technos, Seculus) estão também paralisadas por 15 dias. Cada empresa está dosando esse tempo. Transire também vai parar assim como a Technicolor. Paralisando as montadoras a tendência é a parte componentista parar. As empresas estão estudando e avaliando se suspendem as atividades a partir de sexta-feira ou do dia 1º. Empresas podem reduzir o seu plano de produção em função do mês mais curto. Diante da pandemia, a Transire procurou se precaver, em janeiro e fevereiro, entrou em contato com os clientes, adiantou a produção e entregou as mercadorias. A paralisação de uma empresa reflete nos prestadores de serviço, fornecedores, transporte, na logística e tudo para. Toda a roda da economia gira ao contrário. Por enquanto é adotar férias ou banco de horas. As medidas que o governo adotou estão facilitando o entendimento entre as empresas e seus colaboradores retirando a interferência de sindicato patronal ou laboral.

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Repórter de A Crítica

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25/05/2020 às 13:17

O estudante que tiver interesse em suspender as parcelas deverá se manifestar junto ao banco até 31 de dezembro. A suspensão vale para os contratos que estavam em dia antes da decretação do estado de calamidade pública, reconhecido em 20 de março, e será retroativa às parcelas que não foram pagas desde então


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