Previsão foi dada hoje pelo secretário de Saúde, Rodrigo Tobias, que fez um alerta: nos próximos dias é possível não haver leitos de UTI disponíveis nem na rede pública e nem na privada
Escolhido para ser o ‘hospital de campanha’ do sistema público de saúde do Amazonas em meio à luta contra o coronavírus, o Hospital Nilton Lins deve ficar pronto em no máximo uma semana para receber pacientes diagnosticados com a Covid-19.
O prazo foi estabelecido pelo secretário de Estado de Saúde, Rodrigo Tobias, durante coletiva de atualização dos dados da pandemia no Amazonas. O Estado tem, hoje, 532 casos confirmados e 19 óbitos. Além disso, há outras sete mortes e 860 casos em investigação.
De acordo com o secretário, o espaço montado na Nilton Lins será dedicado exclusivamente a 400 leitos clínicos, ou seja, sem Unidades de Terapia Intensiva. Hoje, entre os casos confirmados e suspeitos, há 104 pacientes ocupando leitos clínicos em unidades públicas. “Nosso plano de contingência foi pensando em centralizar todos os casos em duas unidades. Delphina Aziz com casos graves e o Hospital de Campanha, o Hospital Nilton Lins, que faz cuidados com os leitos clínicos. Então antes de agravar, vão para Nilton Lins e caso se agravem, vão para os leitos de UTI do Delphina Aziz”, explicou o secretário.
De acordo com ele, as equipes estão fazendo os últimos ajustes necessários para que, “em um prazo máximo de sete dias”, os leitos possam ser ocupados. Ele afirmou ainda que esses leitos são novos leitos, ou seja, não serão remanejados de nenhuma outra unidade de saúde.
Colapso
Questionado sobre um eventual colapso do sistema de saúde, Rodrigo Tobias disse que ele “ainda” não aconteceu, mas que hoje o sistema tem praticamente 95% de sua capacidade esgotada com o tratamento dos casos de coronavírus. “Temos uma capacidade mínima de leitos vazios de UTI”, reconheceu.
Tobias afirmou que o sistema de saúde é limitado e que nos próximos dias esse cenário pode ser bem diferente, uma vez que além do coronavírus há diversos outros vírus em circulação que produzem as Síndromes Respiratórias Agudas Graves. “Provavelmente nos próximos dias não teremos leitos de UTI nem na rede pública e nem na privada”, alertou.