Dados de uma parceria entre a empresa InLoco e o Atlas ODS Amazonas apontam o último domingo como o dia de maior isolamento; média móvel também está em alta
(Foto: Arquivo A CRÍTICA)
Manaus atingiu, no último domingo (10), o maior índice de isolamento social desde o início da pandemia de coronavírus no Amazonas: 62%.
O número é resultado de um levantamento feito em uma parceria da empresa InLoco e do Atlas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Atlas ODS Amazonas). A análise é feita com base nos sinais emitidos por telefones celulares em um raio de até 500 metros quadrados.
O índice superou o registrado em 19 de abril do ano passado, que foi de 60%, e do dia 3 de janeiro, de 61%. Todos as três marcas de maior isolamento social aconteceram aos domingos, dia em que tradicionalmente, desde o início da análise dos dados, em fevereiro do ano passado, a circulação de pessoas é menor.
O aumento do isolamento social acontece quando Manaus enfrenta um momento ainda pior do que o enfrentado nos meses de abril e maio. As internações superaram patamares jamais vistos anteriormente, com mais de dois mil leitos ocupados por pacientes com Covid-19 ou suspeitos, hospitais superlotados e números de sepultamento chegando cada vez mais próximos ao recorde do mês de abril. Some-se a isso a crise de abastecimento de oxigênio enfrentada no Estado, que tem feito o governo do Amazonas pedir auxílio inclusive a outros governadores.
"Nós consideramos que essa é uma reação coletiva que combina dois comportamentos: o induzido e o voluntário. No induzido temos o impacto direto das medidas restritivas que suspendem as atividades não essenciais. O voluntário é aquele que o indivíduo, a despeito das restrições ele, ou ela mesma fica mais tempo sem sair de casa", analisa o professor PhD Henrique Pereira, que coordena o Atlas ODs Amazonas.
O início da mudança de comportamento em Manaus aconteceu na medida que o número de casos e mortes passou a parecer muito mais uma reta de subida do que, necessariamente, uma curva. Um dado que sustenta a afirmação é que a média móvel - que reúne os índices dos últimos sete dias - também cresceu: ela está em 48%, patamar que não era alcançado desde 19 de maio do ano passado. Para que se tenha uma ideia, em outubro ela ficou no patamar de 35%.
A percepção popular de que a situação está ficando mais grave em Manaus com base nos noticiários e nas relações sociais é um fator que impulsiona esse comportamento voluntário, na análise do coordenador do Atlas, pois "é uma resposta à intensidade da veiculação das notícias da lotação dos hospitais, mas também das redes familiares e de relações que aumentam na medida em que as pessoas vão percebendo que a doença 'está mais próxima'".
Na análise dos gráficos, é perceptível que a subida da curva de isolamento cresce como uma reação à subida dos casos de óbito. Mas apesar de acontecer com atrasado, uma vez que as mortes já aconteceram, esse comportamento reativo é importante. "Vejo como um 'instinto de proteção' importante, pois, ainda que retardado, pode colaborar com a redução da velocidade de transmissão da doença, como aconteceu em maio".