Sexta-feira, 14 de Maio de 2021
Números alarmantes

Pandemia: Janeiro de 2021 entra para a história como um dos meses mais tristes para os amazonenses

No primeiro mês do ano, foram batidos todos os recordes de mortes, novos números de casos e de internações



ac_3_15E0E356-968A-4A5E-B496-50E59A5D8B0A.jpg No dia 14 de janeiro, funcionários de hospitais entraram em desespero ao verem que o oxigênio dos pacientes estava acabando. Foto: Junio Matos
03/02/2021 às 09:58

Ao analisar os dados da pandemia no Amazonas de maio do ano passado – pior mês da doença em 2020 – imaginava-se que o Estado já havia chegado ao 'auge' do número de casos e pior momento da pandemia. A chegada de 2021 provou o contrário, com o mês de janeiro 'estreando' o ano com aumento de quase 80% no número de óbitos em relação àquele maio. Enquanto à época as mortes foram 1.575, o janeiro de 2021 escancarou a assustadora marca de 2.832 vidas levadas pela doença, de acordo com dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM).

E o aumento de números não é somente ao número de mortes. Em maio de 2020 foram 36.124 casos confirmados e em janeiro de 2021, foram 66.381 novos infectados. O que representa um aumento de 83%.



“A palavra que descreve o mês de janeiro é desespero. Eu chegava para trabalhar e não sabia nem por onde começar o atendimento”, relembrou a enfermeira Cynara Ávila, que atua na linha de frente da doença na Unidade Básica de Saúde (UBS) Alfredo Campos, no bairro Zumbi 2, na Zona Leste. “Chegávamos a ficar esperando uma ambulância do SAMU por mais de cinco horas para a remoção de um paciente. Tínhamos que compartilhar as balas de oxigênio com conexões para q pudéssemos atender a todos.. A sensação de impotência em não conseguir atender a todos era enorme”, relembrou.

Os números de sepultamentos em janeiro também assustam. O primeiro mês de 2021 registrou mais enterros do que abril e maio do ano passado somados. 

O dia 14 foi o mais dramático do mês, com o ápice da falta de oxigênio nos hospital. Naquele dia, o desespero das famílias em busca dos pacientes internados foi algo nunca visto antes em Manaus e muitas pessoas acabaram morrendo por falta de ar. As cenas de caos em Manaus chamaram a atenção de pessoas de todo o país, que mobilizaram-se em diversos estados para tentar amenizar o sofrimento dos amazonenses.

Expectativa de melhora

De acordo com o epidemiologista e chefe de Sala de Situação de Saúde da FVS-AM, Daniel  Barros, a  média móvel de casos de Covid-19 no Amazonas mostrou redução nos últimos 4 dias.

“Ainda é cedo para falar de uma tendência de redução, mas podemos afirmar que o sacrifício que a população está fazendo em manter o isolamento social está mostrando efeito. Isso nos mostra que estamos no caminho certo e que devemos continuar até que o número de casos reduza ainda mais”, ponderou.

Daniel afirma que ainda não é o momento de relaxarmos em relação aos cuidados com a doença “É importante tomarmos muito cuidado ainda, pois estamos iniciando o período histórico de aumento da transmissão de vírus respiratórios. Geralmente o período sazonal de transmissão de vírus respiratórios inicia na última semana de janeiro e se estende até final de maio, com o pico da curva de casos na primeira quinzena de março. Portanto, neste período é fundamental que a população continue seguindo todas as medidas de prevenção e mantendo em isolamento social sempre que possível”, afirmou.

Com relação aos óbitos, a FVS-AM também observa o início da estabilização na média de óbitos registrados diariamente.

“Em 21 de janeiro alcançamos a média de 120 óbitos por dia e, atualmente, registramos uma média de 80 óbitos. Ainda é um patamar muito elevado, mas acreditamos que já seja resultado das medidas de isolamento social”, acrescentou o epidemiologista.

Especial para A CRÍTICA

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.