Presidente voltou a reclamar de restrições impostas por governadores para circulação de pessoas e chamou pandemia de ‘gripezinha’
(Foto: Reuters)
O presidente Jair Bolsonaro voltou a reclamar, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, de restrições impostas por governadores para a circulação de pessoas para conter o avanço do coronavírus e chamou novamente a pandemia —que já matou 46 e infectou 2.201 pessoas no país— de uma “gripezinha”.
Diante da fala do presidente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AL), classificou o posicionamento defendido no pronunciamento como "grave".
Reafirmamos e insistimos: não é momento de ataque à imprensa e a outros gestores públicos. É momento de união, de serenidade e equilíbrio. A Nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. — Davi Alcolumbre (@davialcolumbre) March 25, 2020
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ressaltou que a fala de Bolsonaro será reconhecida como "um dos pronunciamentos políticos mais desonestos da história".
Outra personalidade que não poupou críticas ao presidente foi o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Ele disse que os danos causados pelo pronunciamento serão imprevisíveis e gravíssimos.
Pronunciamento de hoje mostra que há poucas esperanças de que Bolsonaro possa exercer com responsabilidade e eficiência a Presidência da República. Os danos são imprevisíveis e gravíssimos. — Flávio Dino 🇧🇷 (@FlavioDino) March 24, 2020
Membros do Congresso Nacional, tanto da base aliada quanto da oposição, fizeram coro às críticas. Autoridades e deputados estaduais também reagiram ao pronunciamento de Bolsonaro,
Durante o pronunciamento do presidente, houve o registro de uma série de panelaços em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, como tem ocorrido nas últimos noites.
Em menor número, parlamentares defenderam posicionamento do presidente. Um deles foi o senador e filho do presidente, Flávio Bolsonaro, que partiu em defesa do pai.
Presidente @jairbolsonaro fala a verdade ao povo brasileiro: proteger os mais vulneráveis (idosos e com doenças pre-existentes) e retomar a normalidade no país! Outros líderes mundiais já esboçam iniciar o mesmo movimento. — Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) March 24, 2020
Bolsonaro defendeu que algumas poucas autoridades estaduais e municipais deixem de lado o discurso de “terra arrasada” e novamente disse que o país não pode parar em razão do vírus, uma vez que os empregos têm de ser preservados. O presidente voltou a minimizar os efeitos da pandemia.
Bolsonaro atacou novamente os meios de comunicação por estarem supostamente criando pânico e histeria entre os brasileiros.