Terça-feira, 20 de Abril de 2021
EM 2021

Taxa de letalidade hospitalar no Amazonas para pacientes com Covid é de 46%

A taxa leva em consideração a quantidade de pessoas que se internaram em 24h e a quantidade de óbitos pela doença no mesmo período; média quase dobrou em relação a dezembro



cemit_C2A49A83-DE9F-4854-B740-A256EE1E8916.jpeg (Foto: Phil Limma)
09/02/2021 às 06:59

A taxa de letalidade hospitalar dos pacientes com Covid-19 no Amazonas foi de  45,9% no mês de janeiro. Isso significa, em linhas gerais, que a quantidade de mortos pela doença foi equivalente à quase a metade do total de novos pacientes internados.

Os dados são do painel '​Indicadores da COVID-19 para o estado do Amazonas', alimentados pelos pesquisadores que integram o Atlas ODS Amazonas com base nos dados oficiais dos boletins divulgados diariamente pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.



A taxa é resultado de uma razão criada pela equipe do Atlas ODS Amazonas levando em consideração a quantidade de pessoas que se internaram em 24h e a quantidade de óbitos pela doença no mesmo período. Os dados referentes a este indicador específico são computados a partir de 1º de dezembro.

O índice registrado em janeiro é substancialmente mais elevado que o computado em dezembro, mês em que o número de casos e mortes por Covid-19 voltou a crescer de maneira alarmante após um período de relativa estabilidade em patamares mais baixos. No último mês de 2020, a taxa de letalidade hospitalar era de 27%  - ou seja, a cada 100 novos pacientes internados, 27 morriam. Em janeiro, a cada 100 novos hospitalizados, 46 foram a óbito.

O pico de letalidade hospitalar foi apresentada no dia 16 de janeiro, com assustadores 96,6% de mortes entre os casos internados. Isso significa que a quantidade de novos pacientes internados foi praticamente igual a de mortos no dia. O dado é um reflexo direto da crise de oxigênio que teve seu ápice no dia 14 de janeiro e causou as mortes em sequência - sem que as equipes de saúde pudessem evitar devido à falta do insumo mais básico para uma síndrome respiratória. Após o trágico dia, o segundo maior registro foi no dia 21, com 84,55%. Depois, o Estado ainda teve outros dois dias em janeiro com taxas acima dos 80%.

Cenário segue inalterado

Nos sete primeiros dias de fevereiro, a taxa de letalidade hospitalar teve uma pequena variação para cima: está em 46,9%, em um momento onde mais de 500 pacientes já foram transferidos do Amazonas e há uma ideia de queda na quantidade de hospitalizações.  Mas essa suposta redução deve ser observada com cautela.

"A gente sabe hoje que as hospitalizações estão diminuindo, mas a gente não sabe se essas pessoas estão sendo transferidas ou se estão morrendo na UTI aqui e dando espaço para outras pessoas que vão precisar de UTI. E ainda temos uma taxa de espera por leitos que continua muito alta", analisa o coordenador técnico do Atlas ODS Amazonas, Dr. Danilo Egle.

Nesta segunda-feira, o secretário de Estado da Saúde, Marcellus Campêlo, revelou que, até a noite de domingo (7), 519 pacientes haviam sido transferidos para outros Estados, sendo que 52 deles faleceram e 189 tiveram alta. O restante segue em tratamento em diversas unidades federativas.

Isolamento

Na terceira semana de vigência de um decreto com maior restrição à circulação de pessoas no Amazonas, o isolamento social vem apresentando queda em Manaus, epicentro da pandemia no País neste momento. Para que se tenha um exemplo, a cidade iniciou fevereiro com um índice de 0,56 na média móvel dos últimos sete dias - a maior já registrada desde o início da pandemia na capital amazonense.

 De lá para cá, no entanto, esta média móvel só cai, estando em 0,51 no último dia 7. Os dados, obtidos por uma parceria da empresa Inloco com o Atlas ODS, são baseados na movimentação dos telefones celulares nas cidades.  

Ao analisar os dados, de isolamento e hospitalizações, o pesquisador entende que o momento não é de se flexibilizar nenhuma atividade, e sim de endurecer ainda mais as medidas para garantir um combate efetivo à doença. "Até porque a queda (nos números de casos, mortes e internações) é muito mais lenta que a subida e não se sabe exatamente o que significa esse dado absoluto de gente que está saindo da UTI - se são mortes ou pacientes de fato recuperados".

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Jornalista de A CRÍTICA
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