Quinta-feira, 29 de Outubro de 2020
pós-pandemia

Telemedicina pode se transformar na solução para ampliar o acesso à saúde

Especialistas defendem regulamentação e acreditam que ferramenta veio para facilitar o tratamento de pacientes



Docway-divulga__o-960x540_83C8A6EE-0444-4A5E-915E-54BD0A47D577.jpg Foto: DIvulgação
26/07/2020 às 18:53

Em um mundo onde cada vez mais a presença digital vem se expandindo, muitas atividades estão se remodelando, como a forma de estudar, trabalhar, comprar e até mesmo receber atendimento de profissionais de diversas áreas. Na medicina, esse fenômeno tecnológico tem acontecido nos últimos anos, mas por conta da pandemia do novo coronavírus, muitos protocolos acabaram sendo acelerados pela necessidade de atender os pacientes de forma remota. 

O Brasil é um país de dimensão continental e muitas pessoas têm se beneficiado da telessaúde desde que ela foi autorizada em caráter emergencial em decorrência do Projeto de Lei 696/20, com foco no tratamento da Covid-19.  Essa liberação ainda não é definitiva, visto que esse tipo de atendimento só está autorizado enquanto a saúde pública estiver em colapso por conta da pandemia. 



Avanços

Para alguns especialistas a telemedicina deve ser encarada como um recurso que vem para somar. A regulamentação - ainda que temporária da telemedicina - se fez necessária para que as pessoas não perdessem o contato com os médicos e para que eles conseguissem conduzir doenças que são extremamente importantes estarem estabilizadas e não podem esperar o fim da pandemia, como a hipertensão arterial e diabetes melitus, bem como outros agravantes como pacientes com colestrol elevado e com transtornos emocionais.

“Eu atendi muita gente com transtorno de ansiedade, crises hipertensivas, que eram secundárias a um quadro emocional, pois estavam muito angustiadas diante do cenário de pandemia. Para esses pacientes, a telemedicina foi perfeita porque eu conseguia acalma-los pela teleconsulta, ajustar medicação de diabetes, hipertensão, e eventualmente solicitar exames”, afirma o cardiologista Tales Esper.

Para o infectologista João Hugo Abdala, que atendeu pacientes de Cruzeiro do Sul, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo,Goiás, Tocantins e Roraima, a teleconsulta é uma liberação que pode se tornar definitiva, mas precisa ser regulamentada para que possa ser definido quais os critérios e quais os momentos que deve ser utilizada. “Considero que é uma ferramenta que veio para ficar, mas deve ser usada com muito cuidado, uma vez que o médico não vai estar avaliando o paciente presencialmente. Uma coisa é você ver a pessoa através de um vídeo, onde não consegue perceber alguns sinais e sintomas. Então, é mais uma consulta orientativa de cuidados não emergenciais”, declara o médico.

O dermatologista Ilner Souza, que também atendeu pacientes de outras cidades e países por meio da teleconsulta, considera que este recurso deve ser regulamentado em todos os setores, facilitando o acesso ao atendimento médico. “Essa ferramenta irá promover a possibilidade de acesso a lugares longínquos, bem como facilitar situações de pacientes com dificuldade de mobilidade, doenças crônicas ou agudas com diagnóstico ja confirmado por exames complementares”, garante o especialista.

Desafios

Dentre os principais limitações da teleconsulta, os médicos consideram a perda do contato físico. “A minha crítica à telemedicina é o paciente que a gente atende pela primeira vez, pois  não tem o exame físico. É muito dificil para nós médicos nos adaptarmos a essa nova tecnologia, pois a medicina é uma arte muito humana. Esse calor humano a gente perde um pouco, por outro lado ganha-se praticidade”, declara o cardiologista Tales Esper. 

Para o Dr. Ilner Souza, um dos desafios está na qualidade da conexão tecnológica e recursos para otimizar a consulta com o paciente. “A vantagem principal é a celeridade e o maior alcance. Já os desafios são a melhora na qualidade de transmissão das imagens, falta de acesso aos exames para confirmação diagnóstica, e redução da relação médico-paciente que implica na  credibilidade e confiança do paciente”, pontua o dermatologista.

Segundo dados do IBGE de 2019, o Brasil tem mais de 72% da população brasileira conectada à internet, além de cada vez mais sinal de redes 2G e 3G nas regiões rurais. Isso acaba auxiliando na troca de informações entre o paciente e o profissional, pois a telemedicina não é apenas uma troca de mensagens, mas sim uma troca de informações entre os dois e essa tecnologia facilita o acesso à saúde.

Cardiologista, Tales Esper - "Estou esperançoso de que a telemedi-cina seja bem regulamen-tada e que a gente aprimore a tecnologia para poder ter o atendimento mais próximo possível da consulta presencial". 

Infectologista, João Hugo - "Precisa ser regulamen-tada para que possa ser definido quais os critérios e quais os momentos que deve ser utilizada"

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Dermatologista, Ilner Souza - "Deve ser regulamentada em todos os setores facilitando o acesso ao atendimento médico em lugares de difícil acesso".

Repórter de A Crítica

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