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Cotidiano
HISTÓRICO

As lembranças e os desafios enfrentados há 30 anos na 1ª produção comercial de Urucu

Remanescentes de 1988, o 1º ano de produção na província petrolífera, falam dos desafios enfrentados em meio à imensidão da floresta amazônica 19/08/2018 às 07:13
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Gilberto Hosokawa (1º à esquerda) e colegas em imagem nas instalações da Petrobras, às margens do rio Urucu, em 1989 / Foto: Divulgação/Petrobras
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Maior reserva provada terrestre de petróleo e gás natural do Brasil, a Província Petrolífera de Urucu, em Coari (a 650 quilômetros de Manaus), está completando 30 anos de produção comercial. Mantida pela Petrobras na Base de Operações Geólogo Pedro de Moura (BOGPM), a província é motivo de orgulho para o Amazonas e para a companhia. Que o digam alguns funcionários da Petrobras que participaram desses momentos históricos até chegar, hoje, a uma força de trabalho composta por 1.070 pessoas e que gerou, em 2017, uma produção de 13,21 milhões de barris de petróleo.

No começo, em meio à virgem floresta amazônica, tudo era desafio, relembra o supervisor de manutenção carioca Edilberto Souza da Roza, 36 anos de Petrobras e 55 anos de idade. Em 1988, ele veio da bacia de Campos (RJ) e era perfurador.

“No início não era assim. No começo a estrada era de chão e barro, e quando chovia ficava daquele jeito. Eu estive aqui durante toda a transformação, no básico e aí vimos tudo isso acontecer. Ficávamos em trailers, e havia a dificuldade da logística, pois estamos falando de Amazônia”, conta ele,

Edilberto Rosa destaca a dedicação dos trabalhadores daquela época, e que o trabalho só foi possível com o esforço e determinação. “Nós queríamos mostrar que era possível.


O supervisor de manutenção Edilberto Roza: direto do Rio de Janeiro para o rio Urucu em 1988: memórias e trabalho / Foto: André Ribeiro/Agência Petrobras

Com o passar do tempo, a modernidade fez Roza e seus companheiros se atualizarem. E assim, como no início, ninguém quis ficar pra trás. E eles mostraram mais uma vez que era possível, num trabalho diário. “Hoje temos aqui em Urucu uma das mais modernas plantas de produção. É difícil imaginar que há poços de petróleo no meio da floresta amazônica, e com controle efetivo”, ressalta.

De carreira

Gerente geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Amazônia, responsável pelo ativo de Urucu, Gilberto Hosokawa começou sua carreira na Petrobras na Amazônia, logo após o início da produção comercial em Urucu. “Cheguei a Urucu em agosto de 1988, logo após o início da operação ter se tornado uma realidade”.

O gerente esclarece que a Petrobras foi aumentando progressivamente o escoamento da produção até, finalmente, interligar as instalações da província petrolífera com o terminal construído em Coari, às margens do rio Solimões. “Tudo isso foi fruto de muito esforço e dedicação, com respeito ao meio ambiente e o cuidado com a segurança das pessoas”, destaca ele.

O principal desafio era o escoamento da produção de petróleo, para que pudesse ser comercializado. “Naquele tempo, nossa produção era de apenas 3 mil barris por dia. Hoje, nossa produção é mais de 12 vezes maior, com boa qualidade e baixo custo”, avalia.

Ele conta que, no início da produção em Urucu, os trabalhadores enfrentavam longos trajetos de helicóptero, e a maior parte da força de trabalho dormia em balsas alojamento. “Como não tínhamos conexão via telefone comum e nem internet, tal qual temos hoje, a comunicação com as famílias era mais difícil e demorada”, recorda Gilberto Hosokawa.

Província Petrolífera tem bem mais do que gasoduto

Muito se fala, e é inegável,  de Urucu em relação à grandiosidade e à importância dos 663 quilômetros de extensão do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, que faz o transporte do gás natural. No entanto, sempre é bom ressaltar que a província petrolífera tem outras atividades e ações que a tornam ainda mais interessante e dignas de divulgação.

A Petrobras tem sete concessões para exploração dentro da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Amazônia (UO-AM) denominadas Rio Urucu, Leste do Urucu, Sudoeste do Urucu, Cupiúba, Carapanaúba, Araracanga e Arara Azul.


Foto: André Ribeiro/Agência Petrobras

A produção atual de Urucu é de 38 mil barris de petróleo, incluindo 1.200 toneladas de gás de cozinha (GLP) - equivalente a 115 mil botijões de 13 quilos - responsável por abastecer a região Norte e parte do Nordeste do Brasil. A província possui atualmente em operação 65 poços que produzem petróleo, condensado e gás natural. Em Urucu se extrai petróleo de qualidade  (alto grau API e baixos níveis de contaminantes), um dos mais leves entre os processados pela Petrobras no Brasil.


Vista aérea de uma das unidades da Província Petrolífera de Urucu / Foto: Jamil Bittar/Reuters

No início, levava-se mais de uma semana para escoar a produção por balsas de pequeno porte pelo rio Urucu até a cidade de Coari, às margens do rio Solimões e dali, em balsas maiores, até a Refinaria de Manaus (Reman).

Em 2009, o gasoduto Urucu-Coari-Manaus começou sua operação comercial interligando a província petrolífera à Refinaria de Manaus (Reman), na capital. O gasoduto tem capacidade de transportar 5,5 milhões de metros cúbicos de gás natural, passando por sete municípios até chegar a cidade de Manaus.


A gerente de Ativo e Produção Roberta Viana: "Tenho orgulho de fazer parte desses 30 anos de produção comercial" / Foto: André Ribeiro / Agência Petrobras

É de se destacar a preocupação com que a companhia tem para com a tecnologia, segurança, meio ambiente e foco na qualidade dos processos. Um exemplo é a automação de seus poços, que permite que qualquer operação seja feita sem contato manual e a partir da sala de controle, dando agilidade e segurança ao trabalho, e otimizando tempo e, claro, custos.

Em relação ao meio ambiente, uma das várias ações na província é um viveiro, localizado no Pólo Arara, com mais de 70 espécies nativas e cerca de 60 mil mudas que é responsável por abastecer os projetos de revegetação da unidade.

Em Números

1910 a 1986

Antes de ser descoberta, a Província de Urucu era um campo para estudos, pesquisas e tentativas de exploração de petróleo na Amazônia. Nos anos 1910 começaram os esforços para encontrar hidrocarbonetos. A 1ª descoberta de óleo e gás na região foi no rio Juruá, em 1978. Em outubro de 1986, a Petrobras descobriu petróleo em quantidades comerciais na área do rio Urucu, Bacia do Solimões, em Coari.

Em números

5

O Amazonas é um dos cinco maiores produtores de barris de óleo equivalente (petróleo e gás) e responde por 5% da produção nacional, sendo a maior produtora terrestre de petróleo no Brasil.

*O repórter viajou a Urucu à convite da Petrobras

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