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Cotidiano
Audição sensível

Barulho dos fogos pode deixar animais de estimação em 'pânico'

Técnica de amarração pode ajudar a acalmar os pets na hora da queima e evitar acidentes às vezes fatais 30/12/2018 às 19:41 - Atualizado em 31/12/2018 às 12:59
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Reprodução/Internet
Luiz G. Melo Manaus (AM)

A queima de fogos desta época do ano, principalmente a que vai ocorrer na noite de hoje, costuma preocupar donos de cães e gatos. O motivo já é bem conhecido: o barulho dos explosivos pode causar estresse, pânico nos pets e, além disso, não são raros os casos de animais que acabam morrendo. Tudo isso porque eles têm um sistema auditivo mais sensível do que os humanos.

Os cães de pequeno porte estão mais sujeitos a esse tipo de dano. Muitos se sentem aterrorizados com o barulho dos fogos e tentam fugir desesperadamente, o que pode causar acidentes, já que alguns acabam colidindo contra muros, paredes ou objetos cortantes. Mesmo assim, nem todos os pets são afetados pelos ruídos. Cães e gatos mais acostumados com agitação e passeios ao ar livre costumam sentir menos o impacto.

“Normalmente [o ruído dos fogos de artifício] acomete mais os cães. Os gatos, quando têm medo, costumam se isolar. Já os cães mais sensíveis aos ruídos tendem a correr e se machucarem em algum objeto pontiagudo no quintal, e alguns chegam a fugir”, conta a médica veterinária Iana Moral.

Os donos podem tomar algumas medidas para amenizar o impacto dos ruídos dos fogos nos bichos durante os festejos de fim de ano, dentre elas procurar deixar o pet em um lugar fechado, onde o som pode ser mais abafado, e que haja espaço para ele se esconder. Também calmantes naturais, receitados por um veterinário, são uma alternativa geralmente recomendável para acalmar os animais – principalmente os mais idosos e cardiopatas.

Iana orienta que o ideal é ir acostumando a audição dos pets a ruídos mais elevados, seja colocando o volume da TV mais alto ou pondo um vídeo na Internet com o barulho de queima de fogos. “Em hipótese alguma deixe o animal preso, pois em um possível ataque de pânico ele pode se enroscar na coleira ou na guia e acabar se enforcando acidentalmente”, alerta. “Tampouco aconselho a abraçar o animal numa possível crise de pânico porque ele pode ficar agressivo e machucar o próprio dono”, acrescenta.

Técnica Tellington Touch

Segunda Iana Moral, uma técnica de amarração com panos pode ajudar a acalmar os bichos de estimação durante uma queima de fogos – mais seguro para o animal e para o dono. A “técnica telling touch” consiste em colocar pressão sobre várias partes do corpo do animal a fim de ativar seu sistema nervoso e tranquilizá-lo.

A melhor maneira de colocar essas vendas é cruzando elas ao redor do peito, em torno das costas e das patas traseiras do pet. As vendas exercem pressão sobre o sistema nervoso do bicho proporcionando, assim, um efeito relaxante, ajudando seu equilíbrio físico e mental.

Manaus 'barulhenta' até 2020

Por conta dos possíveis problemas que podem causar não só em animais de estimação, mas também em crianças e idosos, a adesão de fogos de artifício sem estampido tem se tornado cada vez mais comum em algumas cidades do mundo. No Brasil, as prefeituras de São Paulo e Curitiba já anunciaram que as principais festas públicas de fim de ano serão feitas com fogos mais silenciosos.

A presença dos fogos  sem ruído ainda é bem discreta nas festas de Ano Novo, é verdade. Para quem nunca viu um, ou se viu não lembra, é um artefato mais visual. Ele sobe (não tão alto quanto os tradicionais), às vezes se divide no ar e no fim desaparece sem fazer uma grande explosão. Faz  barulho, claro, mas é bem menor que os fogos comuns.

Embora estejam aos poucos se tornando comuns nos réveillons ao redor do mundo, os fogos de artifício mais silenciosos estão longe de tomar o lugar de seus “primos” mais barulhentos. 

Em Manaus, segundo a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), pelo menos até as festas de Ano Novo de 2020 teremos queimas de fogos barulhentas nas festas da prefeitura, já que, segundo a pasta, na época da licitação, em 2017, “esse tipo de material [fogos sem estampido] não era uma prática comum no mercado”.

 Mário Oliveira/Semcom/Arquivo 

E os humanos...

Nosso sistema auditivo pode não ser tão sensível quanto de cães e gatos, contudo, isso não significa que não devemos tomar alguns cuidados durante a queima. 
“O ouvido humano tolera ruídos de até 70 decibéis, enquanto um fogo de artifício tem um ruído em torno de 120 a 140 decibéis. Então se a pessoa estiver muito próxima dessa fonte ruidosa pode sofrer consequências, como a ruptura do tímpano e inflamação do nervo auditivo, ou, em casos mais graves, perda definitiva da audição”, alerta o médico otorrinolaringologista Álvaro Siqueira.

O ideal seria que a pessoa que vai manusear os fogos, principalmente em festas caseiras, usasse um protetor auricular, e que os outros mantivessem uma distância mínima de 20 a 40 metros de distância do lugar da queima.
Pessoas mais vulneráveis, principalmente crianças e idosos, também deveriam usar esses protetores, que podem ser comprados em lojas de itens esportivos (aqueles que os nadadores usam) ou encomendar um em lojas que vendem aparelhos auditivos.

Caso após a queima de fogos aparecerem os seguintes sintomas, ruídos insistentes e diminuição abrupta da audição, que não melhora com o passar dos dias, um médico precisa ser consultado, orienta Siqueira.

Enquanto as explosões barulhentas ainda forem comuns na cidade nesta época, é importante maior atenção aos animais de estimação e à nossa saúde auditiva.

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