Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
Família

Casal homoafetivo adota quatro crianças

Irmãos viviam em um Abrigo de Acolhimento e agora terão o primeiro natal com sua nova família



Sem_t_tulo_F5D34DF2-90A5-4837-9F55-0F2BCFA3A8AA.jpg Foto: Arquivo da família
19/12/2020 às 09:46

Este Natal e Ano Novo serão especiais para os irmãos Ruan, de 2 anos;  Geisa, de 3 anos; Moisés, de 6 anos e Gustavo, de 7 anos  (*nomes alterados conforme recomendação do Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA ). Eles, que viviam em um Sistema de Acolhimento na cidade de Parintins (município distante 369 quilômetros de Manaus), foram adotados, de uma só vez, pelo paranaense Rafael Souza, 41 e o português Pedro Miguel Souza, 43. Ambos tem união homoafetiva estável desde 2011, são casados no civil e ao adotar os 4 irmãos também realizaram o sonho de ter uma família grandiosa não somente em número, mas sobretudo em afeto, cuidado e amor.

"Hoje, não conseguimos pensar em nossas vidas antes da chegada das crianças. Elas chegaram, mudaram nossas vidas para melhor e serão nossos filhos para sempre!", afirmou Rafael Souza.



Rafael é professor universitário e  informou que desde que ele e Pedro Miguel firmaram união estável, há 9 anos e, sobretudo, após casarem-se no civil, há 7 anos, guardaram e amadureceram o sonho de adotar mais de uma criança.

" Pedro vem de uma família pequena e sempre quis constituir uma família com muitos filhos. Já eu, venho de uma família grande, com quatro irmãos e sei da satisfação que é ter uma família grande. Dessa forma, com este sonho amadurecido, fizemos o devido planejamento e decidimos pela adoção, cientes da responsabilidade mas com a certeza, hoje comprovada, de que a responsabilidade é gratificante", disse.

De acordo com o Rafael e Pedro, logo que o município de Parintins passou a compor o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), eles entraram em contato com a Vara da Infância e Juventude da Comarca e iniciaram o procedimento de habilitação, que após a realização de cursos e outras atividades, os tornou habilitados e inscritos no SNA, à espera para que fossem chamados para se tornarem pais dos quatro irmãos, em um processo que levou aproximadamente três anos. "Após a decisão por nós tomada, procuramos saber os caminhos para podermos adotar e fomos muito bem recepcionados e instruídos pelos profissionais da Comarca de Parintins que nos instruíram, forneceram capacitação e após os devidos trâmites nos habilitaram para a possibilidade de adoção", explicou Pedro Miguel, que é costureiro por profissão.

Pedro e Rafael explicaram que, tendo o sonho de adotar mais de uma criança, fizeram questão de informar e formalizar à Comarca que estavam abertos para adotar grupo de irmãos, inclusive com idade avançada, que no Brasil são os perfis que menos são adotados.

Cativados e encantados pelos quatro

O próximo passo, conta Rafael, foi a visita ao Serviço de Acolhimento local. "Logo de início, ao visitar o Abrigo, ficamos encantados e fomos cativados pelos 4 irmãos que hoje são nossos filhos. Uma vez, ocorrida a vinculação pelo SNA dos pretendentes com o grupo de irmãos aptos à adoção, com o devido acompanhamento dos profissionais da Justiça, incluindo o da equipe da Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas por meio da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (CEJAIA) que juntamente com a Comarca de Parintins, nos forneceu assessoramento e instruções sobre os processos de adoção, fizemos a aproximação com as crianças; viabilizamos as visitas delas ao nosso ciclo familiar; realizamos e concluímos a etapa do Estágio de Convivência e hoje as temos conosco, já com as devidas certidões (como meu nome e de Pedro como pais adotivos) homologadas pelo Juízo da Comarca", explicou Rafael.

Experiência gratificante e inesquecível

Sobre os meses iniciais da família recentemente constituída, agora com a presença dos 4 filhos,  Rafael e Pedro contam que a experiência tem sido gratificante e inesquecível. "Temos sim algumas dificuldades, como qualquer pai tem, mas essas dificuldades, para nós, são pouquíssimas e ínfimas frente ao amor, que é recíproco, e que se solidifica a cada dia, como sempre sonhamos", disse Rafael. Para compor a família e auxiliar na criação das crianças, a mãe de Pedro, Judite Castanheira, 66, que até então vivia na cidade de Florianópolis, veio integrar a nova família, passando a morar com eles em Parintins.

*Reportagem: Afonso Júnior, especial para o A CRÍTICA

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