Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
EXPLICAÇÕES

Cientista do Inpa aciona o MPF contra o plantio de cana na Amazônia

O ecólogo Lucas Ferrante apresentou uma petição pública no Ministério Público Federal (MPF) contra o presidente da República pelo crime de lesa-pátria



show_show_--jj_049042C2-E51E-4B9D-A587-DA507CFDEE68__1__A450013A-2342-4C29-A236-33A8213AF089.jpg Foto: Antonio Lima
11/11/2019 às 08:37

O doutorando em Ecologia no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Lucas Ferrante apresentou uma petição pública no Ministério Público Federal (MPF) contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), e os ministros Ricardo Sales (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura) pelo crime de lesa-pátria. A justificativa é a revogação do decreto 6.961/2009, que simplifica as regras para produção de cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal, assinada na semana passada pelo presidente e pelos ministros.

Ferrante pede a “suspensão imediata” e afirma, por meio de dados científicos apresentados em um artigo escrito por ele em parceria com o cientista norte-americano Philipe Fearnside  na revista Science, que a liberação da cana-de-açúcar para a Amazônia resultará em impactos ambientais extremamente nocivos para a região.



“A liberação da cana-de-açúcar vai gerar mais desmatamento, colapso das florestas adjacentes, perda de patrimônio genético e de biodiversidade. O colapso ambiental que a cana-de-açúcar irá provocar na Amazônia tende afetar os serviços de regulação climática que outras partes do País dependem, inclusive o próprio setor da produção de açúcar e álcool. Foi uma ação tomada pelo presidente e pelos ministros sem nenhum respaldo técnico ou conhecimento científico”, explicou Ferrante.

'Dívida histórica'

A revogação reascende a polêmica da preservação ambiental e políticas de desenvolvimento para a Amazônia e vem levantando opiniões entre os diversos agentes sociais envolvidos. O superintendente de Inovação e Desenvolvimento Institucional da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Victor Salviati, menciona que, apesar desse tipo de atividade trazer retorno financeiro, o impacto ecológico e social historicamente tem sido  negativo. 

“Manejo de solo, uso de agrotóxicos e relações de trabalho historicamente tem sido tudo muito deficitário. A Amazônia passa por um enfraquecimento institucional, de comando e controle, financiamento em baixa. É arriscado que esse tipo de discussão seja feita sem a participação efetiva de todos os atores sociais envolvidos”, disse.
 Por outro lado, o presidente da  Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço lembrou que “o Código Florestal brasileiro, em seus dispositivos já estabelece mecanismos de proteção ambiental”.
 

News whatsapp image 2019 05 27 at 11.54.48 8d32dbdd 4f80 4c51 b627 e3873c2e56de
Repórter
Cientista Social, Escritora e Jornalista. Repórter de A Crítica, apaixonada pela arte de contar histórias.

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.