Publicidade
Cotidiano
CONFIRMAÇÃO

Sete casos da Doença de Chagas em Lábrea ocorreram por consumo de açaí, diz FVS-AM

Após investigações realizadas pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), foi constatado que a contaminação ocorreu por meio do açaí consumido pelos pacientes, o que, até então, era a principal suspeita 09/01/2018 às 16:59 - Atualizado em 09/01/2018 às 17:34
Show show acai03
Foto: Arquivo/AC
acritica.com* Manaus (AM)

A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) confirmou que os sete casos da doença de Chagas registrados no município de Lábrea (a 702 quilômetros de Manaus) ocorreram após contaminação por meio do açaí consumido pelos pacientes. Dos sete pacientes contaminados, cinco estão em Manaus e dois permanecem em Lábrea.

Na primeira semana de 2018, três casos haviam sido confirmados em pacientes do município no interior do Amazonas e a principal suspeita para a causa da doença era o consumo de açaí contaminado. Entre segunda-feira (8) e terça-feira (9), mais quatro casos de Doença de Chagas foram confirmados.

"A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) informa que apenas uma pessoa está internada. Por se tratar de uma criança, os médicos optaram pela internação. Os outros quatro pacientes estão fazendo acompanhamento ambulatorial. Eles foram avaliados e a equipe médica constatou que não era necessária a internação. Todos foram orientados a buscar uma unidade de saúde com urgência em caso de alguma mudança grave no quadro", diz trecho de nota emitida pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

A doença de Chagas transmitida por via oral foi observada pela primeira vez no Brasil há 10 anos, em Joinville, Santa Catarina, e desde então é a principal forma de contaminação da doença catalogada no país.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, ressalta que por ser uma doença de difícil tratamento, o diagnóstico deve ser feito logo no primeiro mês.

“Quando não é diagnosticada e tratada, o parasita da doença de Chagas permanece no hospedeiro pelo resto da vida, levando ao desenvolvimento de doença cardíaca crônica, podendo causar falta de ar, inchaço no coração e todos os problemas que um cardíaco apresenta, limitando cada vez mais a vida do paciente”, observa Magaldi.

Causada pelo protozoário parasita Trypanosoma cruziencontrado nas fezes do triatoma, inseto conhecido como barbeiro, a doença de Chagas pode ser adquirida por transmissão natural, por meio da picada do inseto que, ao se alimentar do sangue da vítima, elimina fezes contaminadas, penetrando no corpo pela pele ou mucosas, ou por transmissão oral, ao ingerir produtos contaminados como o açaí, a bacaba, o patauá e o buriti.

O fiscal de saúde do Departamento de Vigilância Sanitária (VISA Manaus), Augusto Kluckovski, explica que os cuidados na compra e consumo de açaí e caldo de cana são fundamentais para prevenir a doença.

“O consumidor deve observar normas básicas de higiene desde a hora da compra. Além disso, deve lavar bem o alimento e ter os mesmos cuidados na preparação, conservação e consumo. Importante observar as condições higiênicas do fornecedor, se o mesmo possui o cuidado de lavar, espalhar as frutas em um pano branco para observar se há algum inseto antes de entregar ao consumidor e verificar se o local de venda é muito perto da mata”, orienta Kluckovski.

Ele destaca, ainda, que a maneira mais eficaz de prevenir a contaminação é o aquecimento do alimento acima de 60º, além da pasteurização e liofilização (processo de desidratação realizado em baixas temperaturas).

Sintomas

Os principais sintomas da doença podem ser bem parecidos com os da malária.

“O parasita da malária e o parasita da doença de Chagas podem ser facilmente confundidos, bem como os sintomas que incluem febre, dor muscular, inchaço próximo aos olhos. Para garantir o diagnóstico exato, técnicos treinados para diferenciar esses parasitas realizam o teste que consiste em extrair uma amostra de sangue da vítima, em um processo rápido e prático”, finaliza o fiscal.

*Com informações da assessoria de imprensa