Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021
Incentivo ao conflito

Coordenador da Funai fala em 'meter fogo' em indígenas isolados do Amazonas

Tenente da reserva do Exército, Henry Charlles Lima da Silva, teria incentivado líderes do povo marubo a ‘meter fogo’ em indígenas isolados caso fossem importunados



povos-indigenas-ebc_B0C76113-5CB8-4EB8-8257-7F6903BDFF22.jpg Foto: Reprodução/Internet
22/07/2021 às 17:57

Um áudio de junho deste ano, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (22), expõe o coordenador da Funai no Vale do Javari, no Amazonas, tenente da reserva do Exército, Henry Charlles Lima da Silva, incentivando líderes do povo marubo a ‘meter fogo’ em indígenas isolados caso fossem importunados.

A declaração teria sido dada durante uma reunião com representantes do povo marubo, na aldeia Paulinho. Eles tratavam de um conflito entre os marubos e indígenas isolados que vivem na região do rio Ituí, que teriam raptado uma mulher do povo marubo em 2020 e repetido o ato dias antes do encontro entre lideranças e o tenente Lima da Silva.



“Eu vou entrar em contato com o pessoal da Frente [de Proteção Etnoambiental] e pressionar: Vocês têm de cuidar dos índios isolados, porque senão eu vou, junto com os marubos, meter fogo nos isolados”, afirma o tenente durante a reunião. A Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javari é quem apura a presença dos indígenas isolados na região.

No áudio, por diversas vezes o tenente reforça o incentivo ao conflito. Em uma parte da gravação, o coordenador da Funai diz que o conflito precisa ser resolvido, já que os isolados já falariam português e teriam contato direto com a Frente, e que recebiam até cestas básicas. As informações ditas pelo coordenador, porém, não são verdadeiras, segundo apurou a Folha de S. Paulo.

 “Não estou aqui pra desarmar ninguém, também não estou aqui pra ser falso e levantar bandeira de paz. Eu passei muito tempo da minha vida evitando a guerra, mas se a guerra vier, nós também não vamos correr. Se vierem na terra de vocês, vocês têm todo o direito de se defender”, disse o tenente em outro trecho.

“Eu não tiro o direito de vocês, independentemente da lei penal ou não, de defender o seu território, a sua maloca, a sua casa, o seu povo, a sua mulher, as suas crianças”, reforçou mais adiante.

Por fim, o tenente explica aos líderes marubos que não pode resolver de outra forma o conflito por ‘questões ideológicas’, e se envolvesse o presidente Jair Bolsonaro no caso, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) denunciaria e levaria o caso a um impasse.

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