Publicidade
Cotidiano
AVIAÇÃO

Custo do tíquete de voos para o interior do Amazonas pode reduzir em até 25%

O presidente da Amazonastur afirmou que uma pista em Itacoatiara permitirá que os aviões voem com menos combustível e, consequentemente, mais passageiros 19/02/2018 às 07:43 - Atualizado em 19/02/2018 às 07:50
Show avia  o foto
Pelas regras da aviação, é preciso voar sempre com combustível suficiente para chegar num aeroporto alternativo (Foto: Renato Queiroz/ACrítica)
Rebeca Mota Manaus (AM)

O presidente da Amazonastur, Orsine Oliveira Junior, anunciou a construção de uma pista alternativa de pouso para balizamento e abastecimento em Itacoatiara que pode reduzir em até 25% o custo de tíquete médio de voos para o interior do Amazonas. Segundo ele, a obra já foi autorizada pelo governador Amazonino Mendes.

Orsine explica que a pista em Itacoatiara permitirá que os aviões voem com menos combustível e, consequentemente, mais passageiros. E quanto mais passageiros, menor é o custo do voo.

Pelas regras da aviação, é preciso voar sempre com combustível suficiente para chegar num aeroporto alternativo, caso o destino original esteja com problema, e mais meia hora de segurança. Hoje, o aeroporto alternativo de Manaus é Santarém. Se Itacoatiara tiver capacidade de receber voos desviados do Eduardo Gomes, o volume de combustível embarcado será menor, pois a cidade é mais perto de Manaus.

Um exemplo é o ATR que faz Manaus-Tabatinga. Com 48 lugares, hoje só se pode vender 33 bilhetes porque ele tem de levar o combustível da viagem da ida, da volta (pois lá, como em todo o interior do Estado, não há operação de abastecimento) e mais o suficiente para chegar no aeroporto alternativo. “O ticket médio ia descer até 25% porque todos os acentos poderiam ser vendidos. O peso desse combustível ‘a menos’ que deixa de ser levado libera assentos”, esclarece Orsine.

Desafios enormes

A MAP Linhas Aéreas atua em oito municípios do interior do Amazonas: Parintins, Lábrea, Carauari, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Tefé, Eirunepé e Coari, além da capital. O vice-presidente da empresa, Marcos Pacheco, explica que o custo para operar na aviação é muito alto e, na Amazônia, os desafios são maiores ainda.

“A distância geográfica entre os municípios é grande, o que acaba fazendo com que haja poucas alternativas para pouso e abastecimento. Devido a esses fatores, para se fazer uma viagem na Amazônia é preciso limitar o número de passageiros para poder levar mais combustível e conseguir voar com segurança”, destaca Pacheco.

Dribles

O prefeito de Eirunepé, Raylan Barroso, conta que para “driblar” as dificuldades encontradas na aviação do município está trazendo a empresa Pioneiro para o aeroporto da cidade. A empresa fará o abastecimento de combustível das aeronaves.

“Nossa principal dificuldade hoje é a questão do abastecimento. A aeronave não tem como abastecer em Eirunepé. Com a Pioneiro no município, vamos ter o terceiro voo semanal interligando com Tabatinga”, revela Barroso.

O prefeito de Barcelos, Edson Mendes, conta que o aeroporto teve duas vistorias da Anac e foi necessário fazer ajustes na pista de pouso. “Entre os meses de agosto a março o volume de voos aumenta por conta da pesca esportiva. Fica em média 15 aeronaves por final de semana. E temos sinalização da Amazonastur de ampliar o nosso aeroporto nos próximos meses”, diz Mendes.

Prefeitos buscam solução

O prefeito de Coari Adail Filho destaca que o município foi contemplado com a verba de R$ 14 milhões da Secretaria de Aviação Civil (Sac) para ampliar e reformar o aeroporto de Coari. A previsão para o início da obra é para abril deste ano e ela será realizada pela Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comapa).

“Neste projeto está prevista a ampliação do pátio de estacionamento de aeronaves, da estação de passageiros, da seção contra incêndio, construção de hangares, recapeamento da pista e balizamento da pista para operações por instrumento”, explicou o prefeito.

Uma das soluções apresentadas pelo o prefeito está o ponto de abastecimento (PA) que entrará em funcionamento no município em abril deste ano. “Com isso vamos abastecer aeronaves movidas a querosene e gasolina. Esse avanço atrai maior número de aeronaves e outras empresas se interessarão em operar provocando a concorrência e automaticamente reduzindo o preço das passagens”.

Em Parintins, a prefeitura está investindo na modernização do terminal de passageiros. “Vamos fazer a instalação do sistema Wi-Fi e aumentar a  sala de desembarque com instalação de esteira de bagagem de restituição”, revela Jean Jorge, diretor do aeroporto da cidade.

Publicidade
Publicidade