POLÍTICA

Deputados federais eleitos pelo AM começam articulações para viabilizar mandato

Em Brasília, Sidney Leite e Marcelo Ramos fazem reuniões com membros da atual bancada, empresários ligados à Zona Franca e até com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia

Antônio Paulo
31/10/2018 às 23:03.
Atualizado em 11/03/2022 às 18:20

(Rodrigo Maia e o deputado federal eleito Marcelo Ramos. Foto: Divulgação)

Os novos deputados federais eleitos pelo Estado do Amazonas já começaram suas articulações políticas em Brasília antes mesmo de tomarem posse em 1º de fevereiro de 2019.  O deputado Sidney Leite (PSD-AM) participou, na terça-feira (30), como convidado, da reunião da atual bancada de deputados e senadores que definiu recursos da ordem de R$ 500 milhões ao Amazonas por meio de emendas ao Orçamento da União.

Embora não haja previsão legal de que os novos parlamentares tenham direito a apresentar emendas, a presidência da Câmara dos Deputados e a Comissão Mista de Orçamento (CMO) reservam parte dos recursos aos “novatos” a cada início de legislatura. A bancada do Amazonas teve renovação de 75% dos deputados federais – dos oito membros somente dois se reelegeram em 7 de outubro (Átila Lins e Silas Câmara) – e um senador eleito (Plínio Valério). A segunda vaga disputada ficou com Eduardo Braga, que foi reeleito.

“Acompanhamos a reunião da bancada para saber quais as emendas que serão propostas e as ações que nós parlamentares, principalmente os estreantes, teremos que encampar durante o mandato. As áreas de saúde, segurança, investimentos em educação, a estruturação do setor agropecuário e a conclusão do Zoneamento- Ecológico- Econômico (ZEE) serão as minhas prioridades, e, claro, o fortalecimento da Zona Franca de Manaus (ZFM), a nossa maior bandeira”, disse o Sidney Leite.

Além da bancada, ele se reuniu com o presidente do PSD, ministro da Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informação, Gilberto Kassab, e com a liderança do partido na Câmara dos Deputados. Com esses dirigentes pediu apoio às pautas de interesses do Amazonas e da região Norte.

Presidência da Câmara e empresários

Nesta quarta-feira (31) foi a vez do deputado federal eleito Marcelo Ramos (PR-AM) fazer suas primeiras articulações políticas. Ele se encontrou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-AM), com empresários do setor farmacêutico e de interlocutores de empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus.   

“Com o presidente Rodrigo Maia, conversamos sobre a próxima legislatura e sobre o papel que pretendo exercer em defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM), de alternativas econômicas para nossa região e da manutenção e geração de novos empregos para os amazonenses. Num ambiente nacional em que se fortalecem as teses de revisão de renúncias fiscais e redução de imposto de importação (principalmente com a eleição do presidente Jair Bolsonaro), concordamos que é necessário muita habilidade no diálogo e uma nova estratégia de defesa do nosso modelo industrial”, argumenta Marcelo Ramos.

É a partir desse diálogo dos parlamentares da Amazônia e de todas as regiões do país com o novo governo que Marcelo Ramos acredita ser possível diminuir a dependência dos incentivos fiscais da ZFM, garantindo investimentos em infraestrutura logística: BR-319, portos, hidrovias, energia, internet e combate à burocracia que, para ele, cria custos à indústria e ao comércio amazonense.

“Essa pauta pode unificar o país em defesa do desenvolvimento da nossa região. Com ela, podemos tirar toda essa antipatia que o Brasil inteiro tem com os incentivos fiscais dado à Zona Franca de Manaus. Com essa política econômica liberal que virá, corremos, sim, sérios riscos não somente com a indústria amazonense, mas também com a indústria nacional. Se nos garantirem a conclusão da BR-319, dando-nos acesso ao Brasil; as hidrovias da Amazônia, a dragagem do Madeira, a permissão legal para que possamos fazer o manejo de 20% da floresta, alinhando-se ao funcionamento do CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia), que vai abrir espaço de mercado para a indústria de fármacos, fitoterápicos, dermocosmésticos e a bioindústria, podem tirar um pouco dos incentivos, pois teremos como sobreviver na nossa região”, declarou Marcelo Ramos.

Fusões de ministérios

Em Brasília, o deputado Marcelo Ramos criticou o anúncio feito pelo presidente eleito Jair Bolsonaro e seus futuros ministros da fusão do Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio (Mdic) com o Ministério da Fazenda e o Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Agricultura. “É um desastre para a Zona Franca de Manaus e para toda Amazônia. É preciso, portanto, garantirmos infraestrutura à região para minimizar esses impactos que virão”, declarou Marcelo Ramos.

O deputado federal eleito, Sidney Leite, também considera prejudicial a fusão do Ministério do Meio Ambiente com a Agricultura principalmente por conta do agronegócio, visto que as exportações da carne brasileira, por exemplo, estão ligadas diretamente com o desmatamento no Brasil. “Essas relações e decisões precisam ser claras e tenham maior segurança jurídica, pois, o rigor do licenciamento ambiental prejudica o agronegócio do Amazonas”, defendeu Leite. O parlamentar também criticou o fato de que os 20% de manejo legal na Amazônia sejam dificultados pelos órgãos ambientais assim como a exploração mineral na região.

Agora há pouco, o empresário ruralista Luiz Antônio Nabhan Garcia – cotado para ser o ministro da Agricultura e Meio Ambiente – deixou a casa de Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, dizendo que essa fusão dos dois ministérios ainda não é definitiva e que o novo presidente está avaliando essa decisão.

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