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Cotidiano
AMAMENTAÇÃO

É possível amamentar dois filhos com idades diferentes ao mesmo tempo?

Dentre muitos mitos que cercam a maternidade, suspender o aleitamento porque o “leite vai secar” é um deles. Saiba o que dizem os especialistas 12/08/2018 às 07:55
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A jornalista Naira Malze amamenta atualmente os dois filhos: Miguel, de 11 meses, e Eva, de 4 anos e seis meses de idade (Arquivo Pessoal)
Mayrlla Motta e Lucy Rodrigues Manaus (AM)

Muitas mulheres engravidaram do segundo filho ainda amamentando o primeiro. Dentre muitos mitos que cercam a maternidade, suspender o aleitamento porque o “leite vai secar” é um deles. Ao contrário do que o senso comum diz, a mulher pode sim amamentar dois filhos com idades diferentes ao mesmo tempo. 

A prática é chamada de amamentação em tandem. Após a chegada do recém-nascido, a mãe pode continuar o aleitamento do mais velho juntamente com o novo bebê. Nesse caso, é uma situação especial, que nem sempre pode ser fácil, mas cabe à mãe decidir se quer ou não, segundo aponta a pediatra neonatologista e professora de Saúde da Criança da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rossiclei Pinheiro. 


Pediatra neonatologista Rossiclei Pinheiro

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que a amamentação seja praticada pelo menos até os dois anos de idade. “A mãe pode ter vários motivos para continuar amamentando. Seja porque a mãe quer continuar a fornecer ao seu bebê os benefícios emocionais e psicológicos que a amamentação proporciona ou porque a mãe pode sentir que não é o momento certo para desmamar seu filho mais velho. Se a mãe for consciente e acreditar que o ‘desmame’ (este termo me angustia) deve ser liderado pela criança e em acordo com a mãe, ela vai preferir continuar amamentando”, aponta a médica. 

Benefícios

O aleitamento materno em si possui diversos benefícios para mãe e bebê. Dentre eles: conforto, nutrição, desenvolvimento normal do sistema imunológico e desenvolvimento social, intelectual e mental. No caso da amamentação em tandem, os benefícios são ainda maiores. 

“A chegada de um novo bebê pode ser inquietante para as crianças, especialmente as que são muito novas para entender completamente as implicações. A mudança é inevitável, mas a amamentação em tandem ajudará o filho mais velho a perceber que o peito ainda é seguro e as perdas serão menores”, complementa a Dra. Rossiclei, membro do Departamento Científico do Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). 

Quando ganhou o primeiro bebê, a médica Sarah Sicsu, 31, enfrentou diversas críticas, principalmente por escolher a amamentação exclusiva. Apesar dos palpites e comentários do tipo “você não vai aguentar” e “teu leite não sustenta”, ela conseguiu amamentar Estevão exclusivamente durante os seis meses. 

Aos dez meses de idade do bebê ela descobriu a segunda gravidez e novamente lidou com comentários ruins. “Como não sentia nenhum incômodo com a amamentação, decidi continuar mesmo grávida. O que gerou mais críticas ainda. Diziam que eu ia prejudicar a gravidez, perder meu bebê, que meu leite ia virar água...”, relembra. 


Sarah com Estevão de 1 ano e 9 meses e Luís

O novo bebê, Luis Martin, nasceu quando Estevão tinha um ano e sete meses. Sarah ficou cinco dias sem ver o filho mais velho, e quando se reencontraram foi natural ele pedir para mamar ao ser colocado nos braços da mãe. “E eu amamentei. Desde então amamento os dois e de modo nenhum isso prejudicou a minha saúde ou a deles. Minha produção de leite é ótima e eles são super saudáveis”, complementa.

A amamentação em tandem também reduz o ciúme e ajuda a aumentar a ligação entre os irmãos. “Não deixar de amamentar o mais velho tornou mais fácil a assimilação da novidade que é ter um irmão. Hoje, sempre que escuto uma crítica, procuro entender que vem da falta de informação. É preciso conscientizar que amamentar é normal, natural e necessário. Sinto que estou nutrindo meus filhos de amor”, finaliza Sarah. 

Experiência positiva

A experiência também foi positiva para a jornalista Naira Malze, 38. Ela amamentou a filha mais velha, Eva, até os três anos e quatro meses, e até aquele momento o desmame foi natural. Nessa época, ela descobriu a segunda gravidez. Durante os últimos quatro meses de gestação Eva não mamou.

Quando Miguel nasceu, Eva solicitou novamente a amamentação da mãe, e ela atendeu ao pedido. “Desde então minha vida se divide entre os dois. Ela tem quatro anos e seis meses e ele 11 meses. No caso dele, a amamentação é em livre demanda, e a dela em momentos específicos, quando ela solicita. É mais um aconchego, carinho, afeto, pelo ato de estar com a mãe e essa é a maior prova de que o leite não é só para matar a fome”, aponta a jornalista Naira. 

Não é recomendado amamentar

  • Nas seguintes situações o aleitamento materno não é recomendado:
  • Mães infectadas pelo HIV;
  • Mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2 (vírus da leucemia humana);
  • Uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação. Alguns fármacos são citados como contraindicações absolutas ou relativas ao aleitamento, como por exemplo os antineoplásicos e radiofármacos, usados no tratamento contra o câncer;
  • Criança portadora de galactosemia, doença rara em que ela não pode ingerir leite humano ou qualquer outro que contenha lactose.
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