Terça-feira, 25 de Janeiro de 2022
À Luz do dia

Em Manaus, dragas de garimpo nascem 'ao lado' da sede de órgão da Marinha

'Negócio lucrativo', classificam os fornecedores de balsas do garimpo ilegal, que inclusive facilitam o pagamento. Sede de fiscalização da Marinha fica a menos de 3 quilômetros do 'estaleiro', situado no Educandos



WhatsApp_Image_2021-12-03_at_19.40.43__2__381FE827-6EF0-4822-8CE9-F1DD38E7468E.jpeg Foto: Iago Albuquerque
04/12/2021 às 09:12

À luz do dia e em frente ao Centro de Manaus, cinco homens trabalham despreocupados na construção de três dragas de garimpo. Nem a chuva da sexta-feira (3) os impediu de parar o trabalho, já que o negócio é lucrativo. Quando finalizadas, cada balsa será vendida por cerca de R$ 1 milhão. 

Quem informa o valor é um homem conhecido como ‘Careca’, um dos responsáveis por um estaleiro na orla. Ele diz já ter trabalhado com todo tipo de embarcação, mas atribui as balsas avistadas pela reportagem como de outro estaleiro. 



“Sabe aquelas dragas que tocaram fogo lá [no rio Madeira]? É nesse sentido aí [das que estavam sendo construídas]”, comenta.

As balsas estavam encostadas na margem do igarapé de Educandos, no bairro de mesmo nome. Careca conta que atua no local há 11 anos e que as dragas sempre são construídas lá. A construção está sendo feita a menos de três quilometros da sede da  Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC), orgão da Marinha brasileira que licencia e fiscaliza as embarcações. A sede da CFAOC fica a menos de três quilômetros de onde as dragas estão sendo construídas.

“Uma dessas sai por mais ou menos R$ 1 milhão. O quilo do ferro tá R$ 8. Imagina o peso dessa daí, que ainda nem está finalizada. Falta todo o maquinário que instala aqui mesmo em Educandos”, explica.


Anúncio de balsa para garimpo ilegal no Faceboook


Das três balsas, uma estava mais próxima de ser finalizada. A pintura estava recente e já tinha instalada ao fundo, no térreo, uma rampa utilizada pelos garimpeiros durante a extração do ouro no rio. Ainda faltava, porém, colocar o motor que dá força à draga para sugar o leito do rio. Careca diz custar cerca de R$ 800 mil somente esse maquinário. 

O primeiro piso da balsa também estava em construção. É onde fica a cozinha e o quarto dos garimpeiros. “Já estão com mais de um ano construindo essas. Começam na seca [do rio]”, diz Careca.

A reportagem conversou com um ex-garimpeiro que preferiu não se identificar. Foi ele quem informou o local onde as dragas são construídas em Educandos. Também confirma o valor de R$ 1 milhão das balsas.

Quem mora ou trabalha na vizinhança dos estaleiros está acostumado com o som de ferro sendo soldado. Com a construção de dragas na margem do igarapé de Educandos, também.

 “Essas dragas são feitas todas aí. Eu sempre vejo. Moro e trabalho aqui há oito anos”, comenta o carregador Odenilson, mais conhecido na margem do bairro Educandos como ‘Andarilho’.

Fiscalização

A reportagem procurou o Instituto de Proteção Ambiental da Amazônia (Ipaam), órgão responsável por licenciar e fiscalizar os estaleiros. Mas preferiu não emitir nota sobre o assunto. A CRÍTICA fez contato também com a CFAOC.

A assessoria informou que não é competência da Capitania fiscalizar as construções, apenas quando as balsas estão prontas. No caso das dragas, pedem a licença ambiental.

Draga no Facebook

Além das balsas encontradas facilmente na orla de Educandos, é possível comprar dragas mais simples (de madeira) por R$ 50 mil a R$ 500 mil no Facebook. Os anúncios encontrados pela reportagem foram postados a partir de Itacoatiara, município a 270 km de Manaus, e em Porto Velho (RO). 

Na descrição da venda, os negociadores oferecem propostas de parcelamento com entrada a partir de R$ 3,9 mil para uma balsa de R$ 50 mil. As parcelas mensais ficam por R$ 424,18, sem detalhes sobre em quantas vezes será pago. Para balsas mais caras, que estão à venda por R$ 500 mil, a entrada sai por R$ 39,6 mil mais R$ 4,2 mil mensais, também sem especificar de quantas vezes. 

O anúncio destaca que o parcelamento é realizado diretamente com a empresa, “sem vínculo bancário”, o que pode facilitar em muito a atividade ilegal de extração do ouro.


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