Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
OPERAÇÃO

José Melo era chamado de ‘velhinho’ e foi preso pela PF com R$ 90 mil em sítio

Polícia Federal também cumpriu mandados em empresas da ex-primeira-dama, onde foram identificadas movimentações financeiras atípicas



21cfea0f-df42-4c4b-bbb2-8235e11eeecf.jpg Foto: Jair Araújo
21/12/2017 às 12:53

O ex-governador José Melo era chamado de “velhinho” ou “professor” pelos integrantes de uma organização criminosa que desviava recursos da Saúde do Amazonas. A declaração é do delegado federal Alexandre Teixeira, que comandou a operação “Estado de Emergência”, deflagrada na manhã desta quinta-feira (21) pela Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Controladoria-Geral da União (CGU).

José Melo foi preso temporariamente na manhã de hoje no sítio onde vive, no ramal do Banco, no Km 126 da rodovia AM-010, no perímetro do município de Rio Preto da Eva, a 57 quilômetros de Manaus em linha reta. No local, segundo o delegado, foram apreendidos R$ 90 mil em espécie, e o caseiro do sítio, cujo nome não foi revelado, também foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Empresas da esposa de José Melo, a ex-primeira dama do Estado, Edilene Gomes de Oliveira, também foram alvo da operação. Segundo o delegado, foram encontradas movimentações financeiras atípicas nas contas de pelo menos duas empresas.


Quase R$ 400 mil em espécie foram apreendidos pela PF (Foto: Divulgação)

Em outra casa em que a Polícia Federal realizou busca e apreensão, foram encontrados cerca de R$ 300 mil. O lugar específico não foi revelado. No total, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, além do mandado de prisão temporária contra José Melo. Medidas de condução coercitiva, solicitadas pelo Ministério Público Federal, não foram deferidas pela Justiça.

De acordo com Israel Carvalho, da CGU, foi feita uma análise em cima do patrimônio do ex-governador José Melo e constatou-se que o mesmo era incompatível com salários dele como servidor público. A casa de José Melo, situada no bairro de Flores, na Zona Centro-Sul da capital, é avaliada em R$ 7 milhões, segundo Carvalho. “Há uma incompatibilidade elevada entre os rendimentos e os bens”.

O superintendente da PF, Alexandre Saraiva, afirmou que o governador usou recursos públicos para valorizar o sítio que ele possui próximo a Rio Preto da Eva – o mesmo onde ele foi preso. Segundo o superintendente, o ramal foi o único a ser asfaltado na região e o processo foi feito com dinheiro público exclusivamente para dar acesso ao sítio do ex-governador.


Israel Carvalho da CGU, Alexandre Saraiva da PF e Alexandre Teixeira da PF (Foto: Jair Araújo)

Investigações

A Operação “Estado de Emergência” é a terceira fase da Operação Maus Caminhos, deflagrada em setembro do ano passado que identificou uma organização criminosa acusada de comandar desvios superiores a R$ 100 milhões no dinheiro da Saúde do Estado. O médico e empresário Mouhamad Moustafa é apontado como líder da organização criminosa.

Na segunda fase, deflagrada semana passada e denominada Custo Político, foram presos membros do alto escalão do Governo Melo: os ex-secretários de Saúde Pedro Elias e Wilson Alecrim, o ex-secretário de Administração e irmão de José Melo, Evandro Melo, o ex-secretário de Fazenda, Afonso Lobo, e o ex-chefe da Casa Civil, Raul Zaidan.

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