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Cotidiano
MEMÓRIA

Manaus de Antigamente resgata história de Manaus através de imagens e vídeos

Iniciativa na Internet é sucesso apostando em postagens de imagens e vídeos relembrando nossa cidade 19/08/2018 às 07:14
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Imagem da avenida Eduardo Ribeiro, nos anos de 1920 / Foto: Reprodução/Manaus de Antigamente
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Numa cidade que perdeu muito do seu patrimônio arquitetônico e cultural ao longo do tempo e no qual o desrespeito às raízes é notório - tanto que um dos slogans da capital é que se “olha de costas para o rio Negro”, uma iniciativa da pedagoga e professora Gisella Vieira Braga busca resgatar, desde 14 de setembro de 2012, a história de Manaus por meio de clássicas e saudosas imagens e vídeos.

O Manaus de Antigamente começou como uma fan page no Facebook e depois criou-se o blog e, de lá, houve a migração para um blog e Instagram. E são números que atestam o sucesso da iniciativa: até o final desta edição, a fan page tinha um total de 136.742 pessoas curtindo, e exatos 137.107 seguidores. No Insta, há 1.099 publicações e 14,5 mil seguidores. O blog chegou a 3 milhões de visualizações.

Tudo começou com a postagem de uma foto de 1972 bastante interessante de um dos maiores cartões-postais da cidade: o Teatro Amazonas na cor cinza, de 1972. Hoje, o TA é rosa. “Nós pegamos uma foto do Teatro Amazonas, na cor cinza. E ainda, até hoje, existe essa discussão se a obra era cinza ou azul, mas já diminuiu bastante. Era cinza, mas devido a coloração das fotos antigas ele aparece azul”, explica Gisella.

No Instagram, a primeira postagem foi em 2 de junho de 2013, e de uma foto antiga da praia da Ponta Negra, com seus frequentadores divertindo-se numa época bem diferente da atual onde a natureza imperava com mais força e podia se ver, ainda, a areia, vegetação e os antigos chapéus de palhas em vez do pesado concreto.


A pedagoga e professora Gisella Vieira Braga, fundadora do Manaus de Antigamente, que busca resgatar, desde 14 de setembro de 2012, a história de Manaus por meio de clássicas e saudosas imagens e vídeos / Foto: Márcio Silva

“O Manaus de Antigamente começou para ter mesmo esse resgate das fotos antigas. Num primeiro momento eu queria que fosse um blog pessoal para mim falar um pouco das minhas experiências com Manaus, sobre o Tarumã e o Centro, como eu cresci e o que eu fazia. E isso foi ganhando uma proporção muito grande e eu parei de deixar a minha opinião e colocar coisas mais de teor teórico, histórico e educacional”, conta a criadora, dizendo que suas maiores fontes são jornais e pessoas mais “antigas”, mas que também recebe muitos vídeos e recortes de jornais de seguidores da página.

“Hoje o Manaus de Antigamente é uma página de pesquisa, e acredito que já deixou há muito tempo de ser blog pois o blog é uma página de opinião pessoal e como a gente coloca bastante arquivos históricos, fotos, vídeos e registros já deixou um pouco de ser algo meu. Tenho muito cuidado de deixar expressado as minhas opiniões, eu fujo disso para evitar polêmicas”, explica Gisella Braga, ressaltando que a iniciativa “é uma forma de contar a história de Manaus por meio de imagens”. A iniciativa não tem patrocínios, mas conta com o auxílio luxuoso de dois essenciais colaboradores: o formando de História Fábio Augusto e o pesquisador Ed Lincon.

SERVIÇO

O que?:Manaus de Antigamente

Objetivo:Divulgar a história da cidade de Manaus por meio de imagens antigas e troca de informações.

Informações:Fan page no Facebook Manaus de Antigamente, no Instagram @manausantigamente e o blog manausdeantigamente.blogs-pot.com

 

BOXE

O Manaus de Antigamente  fez aguçar nos internautas a necessidade da preservação dos seus monumentos históricos. “Quem tem 40, 30, 20 anos têm a preocupação de sair e viajar e conhecer o mundo afora, principalmente quem tem o centro histórico preservado. E se deparam como as outras cidades sobrevivem desse turismo e como Manaus poderia sobreviver, também. Nossa realidade é que Manaus não teve preservação do seu Centro Histórico. O que temos é porque outras pessoas lá atrás lutaram. Hoje, evitamos que outras coisas sejam mais destrúídas. Olhem a Praça da Matriz: se não tivéssemos feitos algo estaria do mesmo, um prostíbulo, com pessoas usando e vendendo drogas. Hoje não está 100%, mas conseguimos trafegar”, disse ela, cobrando ações para locais como a praça Adalberto Valle, mais conhecida como Tenreiro Aranha, onde o piso foi reformado, mas o pavilhão e uma área em frente está abandonada. 

Após cair nas graças da população saudosista, o Manaus de Antigamente passou a organizar passeios pelo Centro Histórico por pontos como o Paço Municipal, onde há a Praça Dom Pedro e a antiga sede da Prefeitura de Manaus. Nos passeios, diz Gisella, os participantes costumam tirar diversas dúvidas e enriquecer seu conhecimento sobre a “Paris dos Trópicos”, como é conhecida Manaus.

Iniciativa de amante de pesquisas de imagens antigas relembra como era a capital paraense de antigamente

Outras iniciativas Brasil afora também evidenciam a lembrança e o resgate de pontos históricos. Em se tratando mais da Região Norte, uma delas é a Nostalgia Belém, que foi criado pelo publicitário e social media Robson Santos (@robinhoosantos), 32, e que tem, além de uma fan page no Facebook, também domínios no Instagram e um blog (www.nostalgiabelem.com).


Mercado de São Brás, em Belém, na década de 1970: hoje, está deteriorado / Foto: Reprodução Facebook Nostalgia Belém

“Tudo começou em nossa Fanpage Nostalgia Belém. E depois foi surgindo os outros canais como blog e Instagram. Nossa finalidade é resgatar a história da cidade em todos em sentidos, tanto em casarões antigos ou situações antigas que o povo se identifica, como por exemplo pegar um ônibus antigo mostrando a imagem do mesmo”, diz Santos, um amante das pesquisas de imagens antigas da cidade de Belém até ver que poderia colocar o fruto do que colhia na Internet.

Reconhecimento

E o sucesso veio com reconhecimento por parte do público. No Facebook a página do Nostalgia Belém tem 130 mil seguidores e, no Instagram, um total de 45,5 mil pessoas.


O publicitário e social media Robson Santos, criador do Nostalgia Belém / Foto: Felipe Tapia Riveros/Divulgação

“Como profissional da área, sou publicitário, fico feliz em ver o meu trabalho sendo reconhecido. E como saudosista vejo com felicidade que muitas pessoas pensam igual a mim em querer ter a preocupação com o passado da cidade, até porque um povo sem memória não vai para frente”, analisa ele.

O Nostalgia Belém tem um poder de fazer as pessoas relembrarem e valorizar a memória de Belém de alguma forma, diz seu criador.

“Quem conta a própria história são os próprios seguidores”, destaca ele.

Participação

Robson Santos diz que um dos maiores diferenciais do Nostalgia Belém é realmente a participação dos seus diversos seguidores.

“Toda foto tem vários comentários (tanto no Facebook, quanto no Instagram), contando a sua história com a determinada foto postada. Exemplo: Se ponho a foto do Ver-o-peso antigo, vão comentar que pequeno iriam lá”, destaca.

O criador ressalta que a iniciativa faz com que os seguidores usem o espaço do Nostalgia tanto para criticar o poder público quanto  para perguntas em geral.

 

 

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