Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
POLÍTICA

Paulo Guedes deixou claro que não acaba com a ZFM porque é lei mas vai matá-la à míngua, diz senador

Na interpretação do senador Plínio Valério, o ministro deixou claro que vai matar a Zona Franca de Manaus por asfixia, mudando o sistema tributário nacional



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Foto: Arquivo A Crítica
18/04/2019 às 12:47

A fala do ministro da Economia Paulo Guedes, que afirmou em entrevista a jornalistas da Globonews na noite de quarta-feira (17), que não precisa mexer na Zona Franca de Manaus e que bastava reduzir a zero todos os impostos, como o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), causou impacto entre parlamentares do Amazonas.

Nas palavras de Guedes durante a entrevista, ele afirma que o Brasil não pode ficar "ferrado" por conta da Zona Franca e da manutenção das vantagens comparativas que o polo tem, amparadas na Constituição Federal. "Quer dizer que o Brasil não pode ser eficiente?", questionou o ministro ao ser inquirido sobre a ZFM pelos jornalistas.

Na interpretação do senador Plínio Valério (PSDB-AM), o ministro deixou claro que vai matar a Zona Franca de Manaus por asfixia, mudando o sistema tributário nacional de forma a zerar os subsídios e incentivos dados às empresas que atuam no polo de Manaus.

“O ministro Paulo Guedes, que se acha um semideus grego, deixou claro que não acaba com a Zona Franca de Manaus porque não pode, é lei, mas vai matá-la à míngua, deixando assim uma grande incerteza e dúvida para quem pretendia investir no Amazonas. O que ele finge não entender, é que uma nação não se faz com números, mas com políticas públicas que priorizem sua gente. O semideus não aprendeu quando esteve em Chicago, que criar novos empregos é coisa muito difícil e mais: ignora que distribuir novos empregos é pior ainda”, reagiu o senador Plínio Valério.

A declaração de Guedes preocupou mais ainda o parlamentar porque não aponta uma solução para a sobrevivência da Zona Franca de Manaus e os empregos que deixarão de existir. A fala de Guedes é um balde de água fria para os parlamentares da Amazônia que lutam pela modernização do único modelo de desenvolvimento sustentável para a região.

“O ministro não aponta uma saída para um modelo que emprega quase cem mil trabalhadores diretos e que representa cinquenta por cento de toda arrecadação na região Norte. E mais: que é responsável direto pela preservação da maior reserva tropical do Planeta. A questão é: qual é o plano do Governo Federal pra Amazônia Ocidental? Eu concordo que estejamos reféns da ZFM. Mas quais as alternativas postas à mesa? O Governo Federal será o grande indutor disso? Ou seremos nós? Ele não aponta nenhuma saída a não ser que entremos floresta a dentro colhendo frutas e entregando à Coca Cola para produzir sucos”, questionou o senador.

Para o Plínio, na entrevista, Paulo Guedes, por desconhecimento da realidade local,  reforçou o preconceito e o olhar enviesado do Sul e Sudeste do País em relação aos estados da Amazônia. Ao ministro, Plínio explicou que, só dentro do Amazonas cabem o Sul e Sudeste juntos,  todo Reino Unido e mais a França.

‘Deputados do Amazonas vão lutar diuturnamente’

Já o deputado federal Sidney Leite (PSD) afirmou que a bancada do Amazonas não vai aceitar, passivamente, que Guedes não considere o Amazonas como parte do Brasil. E, que, tanto de forma individual, quanto em grupo, os deputados do Amazonas vão lutar diuturnamente para que o modelo econômico da região não seja extinto, como planeja o ministro.

"Se isso acontecer, acaba com a Zona Franca. Isso mostra falta de compromisso com o nosso Estado e deixa evidente a sua intenção de extinguir de vez o modelo econômico. Não vamos permitir. Vamos lutar, em grupo e também nas comissões às quais participamos como membros, na defesa do nosso Polo Industrial", disse Leite.

A declaração de Paulo Guedes traz à superfície que as promessas feitas pelo governo federal, de manter o modelo e não oferecer nenhuma ameaça, não passem de falácias e que, na verdade, está em curso um projeto de desmonte do Polo Industrial de Manaus.  “O papel do poder público e  do ministro, como responsável pela economia brasileira, é de criar oportunidades e não acabar com empregos. E, se o que ministro planeja para o Amazonas acontecer, vai prejudicar o Estado e todo o país”, analisou o deputado.

Criada há 52 anos para alavancar a economia do interior do país, a Zona Franca emprega, diretamente, quase 90 mil trabalhadores num parque fabril de cerca de 400 empresas e, em 2018, fechou o ano com um faturamento de R$ 85 bilhões.

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