Terça-feira, 02 de Junho de 2020
ECONOMIA

Amazonenses sentem impactos de fechamento de fronteiras

Peru e Colômbia anunciaram medida como forma de conter avanço do coronavírus e afeta municípios de Tabatinga e Benjamin Constant



WhatsApp_Image_2020-03-18_at_16.18.04_235BA670-C0A2-4B75-AF5A-DA20A96793AA.jpeg Foto: Divulgação
18/03/2020 às 17:46

O avanço dos diagnósticos de contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19) forçou os governos do Peru e da Colômbia a fecharem as suas fronteiras. As populações dos municípios amazonenses que fazem fronteira com os dois países, habituados a circularem nas cidades vizinhas para adquirirem mantimentos por um preço mais em conta, já tem sentido o impacto do fechamento.

Em Benjamin Constant, a 1.116 km de Manaus, só pode entrar na ilha peruana de Islândia no horário do almoço. Já em Tabatinga, distante 1.108 km da capital, só é possível ir à cidade colombiana de Letícia a pé.



O presidente do Peru, Martín Vizcarra, decretou, no último domingo (15), quarentena obrigatória para a população e o fechamento das fronteiras do país por 15 dias. Na Colômbia, o governo de Iván Duque decretou estado de emergência sanitária até o fim do mês e, oficialmente, fechou as fronteiras ontem. A medida abrange todos os cidadãos nacionais e estrangeiros.

Em Benjamin Constant, de acordo com o ex-vereador Totó Cabral, é comum os moradores irem fazer compras do outro lado do rio Javari, na ilha peruana de Islândia, no Distrito de Yavari, cidade que tem como característica as habitações em forma de palafitas por conta das cheias do rio.

A fronteira abre somente na hora do almoço. Na maior parte do tempo fica proibido o acesso dos amazonenses à cidade.

“A nossa moeda [o Real] ainda tem força no outro lado da fronteira. Conseguimos comprar alimentos e até gasolina por um preço mais em conta que em Benjamin Constant, onde a cesta básica é cara.  Hoje [ontem] pela manhã quando tentei fazer a travessia, fui informado por um soldado do exército peruano que nenhum brasileiro pode atravessar a fronteira a qualquer hora por tempo indeterminado”, relatou.

Questionado se houve um superfaturamento nos preços dos alimentos em Benjamim Constant por conta do fechamento da fronteira, Totó frisou que os produtos, até agora, não sofreram nenhum reajuste, mas o impacto no orçamento da população será inevitável.

“Compramos muito mais verduras em Islândia. O quilo da cebola, no lado peruano, por exemplo, custa R$ 2,50; no Brasil, R$ 5”, disse.

“Não houve fechamento das fronteiras por parte do governo brasileiro. De medidas preventivas, o que tem acontecido em Benjamin Constant é que as escolas estaduais e municipais mais a Universidade Federal do Amazonas estão com as atividades suspensas. As ruas estão menos movimentadas por conta disso’’, completou.

Em Tabatinga

Já no município de Tabatinga, desde ontem tem sido barrada a passagem de carros e motos entre a fronteira do município amazonense e a cidade colombiana de Letícia – a cidade está localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A região tem sido monitorada pela Polícia Nacional da Colômbia, por agentes de imigração e pelo exército do país vizinho.

De acordo com a assistente administrativa Lenidezia Migueis, mesmo com a mudança, os brasileiros têm permissão de deixar os veículos estacionados no lado amazonense e atravessar a fronteira a pé. As travessias de barco para o lado peruano também estão sendo barradas, segundo moradores.

‘’Geralmente  deixamos o carro ou moto na fronteira  e atravessamos a pé. Lá podemos tomar um mototáxi pra fazer as nossas compras. Para as pessoas que atravessam a pé, os guardas não dão nenhum tipo de orientação ou restrição no que diz respeito ao coronavírus”, informou

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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