Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
'Jaraqui Valley'

Conheça as startups ‘caboclinhas’ que ganham a cena no Amazonas

Capital amazonense conta com 76 empresas de base tecnológica; conheça alguns exemplos de startups locais que estão ganhando protagonismo



1519541_2516D032-11CD-475A-B21B-41EF9D9DEE69.jpg Foto: Shutterstock
02/10/2019 às 21:58

Buscando soluções para um complemento à economia local, que atualmente, ainda tem forte dependência da Zona Franca de Manaus (ZFM), o estado avança no desenvolvimento de um ecossistema favorável para o empreendedorismo.

Segundo o último levantamento de comunidades realizado pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups), a capital amazonense conta, atualmente, com 76 empresas atuando neste formato de negócios.



O estudo estabeleceu seis categorias primordiais para que o ambiente seja propício para que ideias inovadoras sejam realidade: cultura, densidade e diversidade, capital, ambiente regulatório, talentos e acesso ao mercado.

Dentre os líderes de comunidades está o Fundador da Cardume Coworking, Daniel Goettenauer. Ele esclarece que funcionamento dessas comunidades - que na cidade é nomeada como Jaraqui Valey - são independentes.

“Então o Jaraqui Valey é sustentado com as startups, sendo centro da comunidade que existe somente com a presença dos empreendedores digitais e instituições que apoiam”, disse.

“Paralelo ao Jaraqui Valley, existe também um movimento muito forte que é do Polo Digital de Manaus. Ele é um pouco mais amplo, pois inclui empresas, instituições de ensino, Institutos de Ciência e Tecnologia, que são os ICT’s”, informou Daniel Goettenauer.

Zona Franca

O Polo Digital é um dos pontos citados como alavancagem da criação de startups na região. O fomento a essas iniciativas pode vir pela obrigatoriedade estabelecida pela Lei da Informática, que reverte os benefícios recebidos pelas empresas que estão presentes no Polo Industrial de Manaus (PIM) em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

Para isso, este mês o Instituto Sidia de Ciência e Tecnologia, em parceria com a Softex, coordenadora do Programa Prioritário de Fomento ao Empreendedorismo Inovador da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), lançaram o Manaus Tech Hub, o maior espaço de inovação aberto do Norte do País.

O Hub foi criado para colaborar com a modernização das empresas presente no PIM. O especialista de desenvolvimento de novos negócios do Sidia, Daniel Coimbra, acredita que a cidade possui um bom ambiente para novos modelos de negócios e que o Polo Digital pode ser um caminho para um novo modelo de economia na região.

“Nós estamos formando pessoas em cursos técnicos, empresas de tecnologia estão surgindo cada vez mais. Então, parece ser um caminho viável. A Prefeitura e o Estado têm apostado em políticas e leis para tecnologia, e isso tem se mostrado um bom cenário”, disse.

Capacitação

Uma das iniciativas para a capacitação dos novos empreendedores são feitas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas do Amazonas (Sebrae/AM).

A instituição recebe o apoio para o ajudar no fortalecimento de ideias de empreendedorismo, através do projeto Startup Amazonas, e busca ajudar em um problema pertinente nos novos negócios, a falta de capacitação, que pode ser um ponto decisivo para o sucesso das empresas.

Ele trabalha com o que é chamado de pré-aceleração, que são pessoas com ideias inovadoras que vão se tornar o que chamamos de startup em fase de nascimento. Isso significa que a empresa está entre ideação e o teste de mercado - o famoso Produto Minimamente Viável (MVP) - cálculo do negócio.

 

Communy

A startup Communy foi criada por quatro amigos, ex trabalhadores do distrito, que uniram forças para obter a sua independência financeira e solucionar problemas dos condomínios de Manaus, através de soluções tecnológicas. Com um projeto ambicioso eles buscam agora a expansão para outras localidades no Norte do País e já estão presentes em São Paulo.

Trocados

“Sabe aquele problema chato quando você vai no supermercado e o caixa não tem troco? Para acabar com isso nós desenvolvemos a trocados que aplicativo que facilita isso para o consumidor”, conta o CEO da Trocados Silvestre Paiva. A plataforma permite usar o troco acumulado para usar em créditos de celular, vale-transporte e serviço como Google Play e Spotify.

Onisafra

Criada em Manaus no ano de 2016, a startup Onisafra busca se estabelecer também na cidade de São Paulo. Ela tem como missão facilitar a vida de quem busca produtos mais saudáveis no seu dia a dia, intermediando a relação dos produtores agrícolas com o consumidor que contrata uma cesta de produtos escolhidos pela plataforma que entregues na casa do cliente.

Manaós Tech

A startup promove cursos que abordam temáticas como Iot, robótica e arduino a crianças e adolescentes, através de um ensino alinhado a revolução industrial. Para Glauco Aguiar, fundador da Manaós juntamente com Luiz Garcia, “a motivação é transformar nossa região em polo de desenvolvimento de tecnologia”, conta.

 

Ricardo Serudo - Coordenador Geral Hub de Inovação e Tecnologia da UEA

“Se olharmos do ponto de vista histórico o amazonense tem um caminho de empreendedorismo fantástico. Tivemos pessoas que foram desbravadores extremamente corajosos, que geraram muitas riquezas para o Estado. Se você olhar, por exemplo, as histórias de outros países, podemos ver a transformação, como o estado da Califórnia que era um estado agrícola, pobre para os padrões americanos. E depois dos incentivos do governo, que decidiu apoiar as iniciativas na área de tecnologia. Hoje, o estado tem o sexto maior PIB do mundo, se fosse um país. Observamos o poder de transformação que a tecnologia tem quando há liberdade para acontecer e há um povo criativo e trabalhador, como é o amazonense. Eu creio, sim, que a gente vai passar por dificuldades em função do declínio da Zona Franca, mas estou confiante de que povo amazonense vai, sim, conseguir, usando essa imensa capacidade que ele tem de te dar a volta por cima e, através da tecnologia, recuperar isso. E nós já começamos! E o que está sendo mais bonito é que ele está sendo espontâneo, não necessariamente liderado pelos governos, mas sim da sociedade civil, que está organizando e avançando”.

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