Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
DE Todd Philips

Aclamado pela crítica, 'Coringa' vence o Leão de Ouro em Veneza

Filme estrelado por Joaquin Phoenix recebeu indicação unânime dos jurados. No total, 21 filmes disputaram o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza



coringa-1567882275748_v2_1839x1034_34C5CD1D-BD8E-49D8-93AF-BE6364AD2D2F.jpg Foto: Reprodução
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08/09/2019 às 16:31

A 76ª edição do Festival de Veneza concedeu o Leão de Ouro ao filme "Coringa" ("Joker"), do americano Todd Phillips, com atuação magistral de Joaquín Phoenix como o inimigo de "Batman", um dos vilões mais arriscados do cinema.

O filme, uma superprodução escrita especificamente para o ator, conquistou o prêmio máximo e o converteu em candidato ao Oscar por sua atuação. Com a voz embargada, o cineasta americano homenageou seu astro ao receber o prêmio: "É o leão mais feroz, corajoso e de mentalidade mais aberta que conheço. Obrigado por confiar em mim com seus talentos loucos", disse, após abraçar o ator.



A mostra se confirma como um trampolim ao Oscar das produções americanas, como aconteceu no ano passado com "Roma", do mexicano Alfonso Cuarón, em 2017 com "A Forma da Água", de Guillermo del Toro, e em 2016 com "La La Land".

A primeira incursão de Todd Phillips pelo mundo dos super-heróis e vilões conquistou o júri, presidido pela argentina Lucrecia Martel, por sua ilustração detalhada dos traumas familiares, as mentiras infames que o transformarão em um perigo para a sociedade. "Uma indústria como a americana assumir o risco de produzir Coringa é um ato de coragem ante o mundo. É uma reflexão sobre os heróis e os anti-heróis", reconheceu Lucrecia.

Leão de Prata para Polanski 

Apesar da polêmica que o antecedeu por uma condenação por estupro de menor nos Estados Unidos, o Grande Prêmio do Júri foi concedido ao filme "J'Accuse", do diretor franco-polonês Roman Polanski.

O thriller político sobre o processo, no fim do século XIX, contra o militar francês Alfred Dreyfus, acusado injustamente de espionagem, pode ser comparado à situação pessoal do lendário cineasta, 86, que não compareceu à premiação.

O prêmio foi recebido pela mulher de Polanski, a atriz francesa Emmanuelle Seigner, que agradeceu, emocionada e em nome do marido, "aos produtores, atores e toda a equipe". A presidente do júri explicou mais tarde que, "não houve unanimidade" no júri, e reiterou que a decisão foi fruto de conversas livres e abertas sobre o cinema. "O pior que se pode fazer com uma pessoa é separá-la de sua obra", disse, sobre Polanski. "Certos temas que apareceram nos jornais não nos envolveram", assinalou o cineasta italiano Paolo Virzi, membro do júri.

O prêmio de melhor ator na competição italiana foi para o italiano Luca Marinelli, por "Martin Eden", e o de melhor atriz, para a francesa Ariane Ascaride, por "Gloria Mundi". 

O ator italiano, que interpreta um marinheiro que se liberta através da leitura e cultura, dedicou o prêmio a "todos os que salvam pessoas no mar", referindo-se aos migrantes que perdem a vida tentando cruzar o Mediterrâneo. Lembrando que vem de uma família de migrantes italianos que fugiram para a França "por causa da fome e miséria", a atriz francesa Ariane Ascaride, neta de imigrantes, quis dedicar seu prêmio "àqueles que vivem para a eternidade nas profundezas do Mediterrâneo".

O júri decidiu conceder o Prêmio Especial ao filme do italiano Franco Maresco "La Mafia Non È Più Quella di Una Volta", que faz um balanço entre a ficção e realidade da luta contra a máfia na Sicília 25 anos após os assassinatos dos dois juízes símbolos da antimáfia.


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