Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
REFORÇO

Amazonense abandona faculdade e brilha em editora mundial de HQ's

Sâmela Hidalgo liderou o projeto editoral da Liga Extraordinária e Dossiê Negro, ambos do renomado artista Alan Moore



alan_41316973-BD12-4056-BB24-58418EDEE776.JPG Foto: Divulgação
16/12/2019 às 08:22

No alto de seus 26 anos, a amazonense Sâmela Hidalgo tem uma rotina de dar inveja a qualquer aficcionado por quadrinhos. Após abandonar a faculdade de Arquitetura e se mudar para São Paulo em busca de novas perspectivas profissionais, a jovem vem há cerca de três anos atuando como produtora editorial da Devir Brasil, uma das principais editoras de HQs do País. 

Por lá, Sâmela trabalhou em diferentes setores - da organização de eventos a distribuição e marketing - e vivenciou momentos marcantes, como quando conheceu Gerard Way, ex-vocalista da banda My Chemical Romance e criador do fenômeno literário “The Umbrella Academy”, durante a Comic Con Experience 2018. “Dei uma paralisada quando me apresentaram a ele”, relembra. Em entrevista ao BEM VIVER ela revela como essa paixão começou, fala sobre o atual cenário dos quadrinhos brasileiros e conta quais os desafios de ser mulher em um universo predominantemente masculino.

Como começou seu interesse pelos quadrinhos? 

Eu já havia lido alguns quadrinhos do smilinguido quando era criança. Sempre gostei muito de ler e sempre fui apaixonada pelos livros. Mas foi na faculdade quando li ‘Maus’, de Art Spiegelman, que realmente me apaixonei pela nona arte. Minha cabeça simplesmente explodiu e eu quis ler mais e mais.



Como deu início a carreira nesse universo dos quadrinhos? 

Em 2016, a minha amiga da faculdade que trabalhava na editora Devir, mudou pros Estados Unidos e me indicou pra vaga dela. Desde então, eu ingressei nesse mundo. Foi surpreendente porque quando entrei tive o estalo na alma e percebi que aquilo era exatamente o que eu queria fazer da vida. 

O setor de quadrinhos ainda é bastante masculino. Você sofreu preconceitos quando começou a trabalhar com isso?

Sim. Essa é uma tecla que eu e muitas outras mulheres do meio batemos constantemente. Ainda recebo comentários irônicos quando descobrem que eu trabalho com isso, tentam me menosprezar ou me testar quando acham que eu não entendo do assunto. Isso ainda existe e todos os dias a gente tenta mudar essa realidade e mostrar que viemos pra ficar.

Qual o maior sonho que você atingiu trabalhando com quadrinhos?

Até o momento foi estar na Comic Con (CCXP) participando de um painel falando sobre personagens femininas e, de quebra, falando também sobre a descentralização da produção dos quadrinhos. Mas participar de um documentário sobre quadrinhos do Omelete também foi um sonho muito surreal que eu nem sabia que tinha.

Qual projeto que foi mais difícil de executar na sua carreira de edição? Por quê?

Foi participar do planejamento do Liga Extraordinária Dossiê Negro e Liga Extraordinária 1898. Primeiramente porque são dois títulos do Alan Moore - um dos maiores quadrinistas do mundo. Então a responsabilidade era bem grande. E também porque os dois projetos foram bem ousados, mas deu tudo certo e ganhamos o troféu HQ Mix de 2017 como Melhor Projeto Editorial com o Dossiê Negro. 

Você acredita que os quadrinhos nacionais têm ganhado mais reconhecimento com o passar do tempo? 

Acredito que ainda temos muito a fazer e a trabalhar por esse reconhecimento nacional, mas sim. A internet proporciona uma maior visibilidade para os quadrinhos nacionais. Infelizmente, essa produção nacional ainda é muito centralizada nesse eixo sul-sudeste, mas não podemos deixar de perceber quantos artistas incríveis têm também no nordeste, no norte e no centro-oeste.
 

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