Segunda-feira, 12 de Abril de 2021
Exposição

Artista do Amazonas participa de mostra no Rio de Janeiro

Instalação com Emerson Pontes, que vive a entidade Uýra, marca a exposição "Casa Aberta: Passagens". Evento dialoga com fatos históricos e políticos do País na Casa França-Brasil



uyra_CC35FFD5-94D2-483A-B1AA-7F49EE46470E.jpg Foto espelhada de duas cabeças é um dos registros de Uýra no local (Foto: Selma Maia/Divulgação)
16/03/2021 às 20:28

Localizada no Rio de Janeiro, a Casa França-Brasil, que completou 30 anos, recebe a mostra “Casa Aberta: Passagens”. Em tempos de pandemia, quando a cultura teve seu espaço reduzido ao ambiente virtual, 10 artistas foram convidados a propor trabalhos que celebrem a reabertura de um dos mais importantes espaços culturais do País, estimulando novas vivências, mas acima de tudo gerando reflexões sobre todo o percurso do lugar.

Dentre os artistas selecionados, Emerson Pontes foi o escolhido para representar o Amazonas. O artista visual e indígena, nascido em Santarém (PA) e radicado em Manaus, conhecido por encarnar a entidade Uýra, apresenta em sua videoperformance intitulada “Mãe da Lua” o confronto do tempo e a vigilância para a luta. 



"Minha obra é composta por três itens: uma foto espelhada de duas cabeças que olham em direções opostas, ou seja, para o presente e para o futuro. A instalação é composta também por um trecho de uma videoperformance em looping da Uýra comendo da terra, de forma a evocar a sua ancestralidade. O terceiro elemento da peça é a música 'Nenúfar', símbolo da Exposição Colonial na França, executada de trás pra frente que é pra diluir a narrativa colonial e racista de sua letra", explica o artista. 

Casa França-Brasil

A mostra, que ocorre até o dia 31 de março, pretende investigar os aspectos que marcam a Casa França-Brasil, relacionando-a ainda com o contexto histórico e atual dos seus registros, lançando mão, para isso, da sua ocupação com uma exposição de obras de artistas contemporâneos cuja pesquisa e iconografia se relacionem com aspectos da Casa.

“Uma viagem para dentro das almas, dos corpos e do edifício da Casa França Brasil, pois foram várias as respostas dos artistas convidados que pensaram o tempo em que vivem. Quando apresentamos o título da exposição, cada um trouxe uma leitura da palavra ‘Passagens’. Pode ser um caminho, uma estrada, uma tenda persa, uma revoada de pássaros migratórios que repousam no chão. ‘Passagens’ pode ser apenas a fração do tempo”, destaca Ricardo Resende, um dos curadores do evento.

Os 30 anos da Casa França-Brasil são também um marco de entrada do século, quando o mundo se vê diante do enfrentamento de uma pandemia que reconfigurou a forma como nos relacionamos com pessoas, coisas e lugares. A lida com a casa tomou outras dimensões, afetivas e conflituosas. A cultura teve seu espaço relegado ao ambiente virtual. 

“A mostra rememora os 200 anos deste importante monumento arquitetônico do Brasil com um convite aos artistas a dialogarem com a História, investigando o tempo e a Casa, não como um espaço estático, mas como um lugar de permanentes transformações e atravessamentos, de passagens e ressignificações”, conta Diego Martins, curador da mostra.

Saiba mais

Patrocinada pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, por meio da Lei Aldir Blanc, a exposição dialoga com os fatos históricos e políticos do País, como a escravidão e a ditadura militar. 

Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.