Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021
Reflexão

Artistas buscam maneiras de sensibilizar a sociedade durante o período de pandemia

Conheça algumas manifestações artísticas que refletem o impacto da Covid-19 e, ao mesmo tempo, homenageiam quem está na linha de frente



wanda_56D8C796-E5AA-4E29-AFDA-E45D414B3C7F.jpg A técnica de enfermagem indígena Vanda Witoto, primeira vacinada contra a Covid-19 no AM, foi homenageada por Raiz Campos (Foto: Michael Dantas/Divulgação)
08/07/2021 às 16:05

Seja por meio dos quadrinhos, do audiovisual ou do grafiti, a arte é capaz de dar ‘voz’ a ideias e emoções durante períodos turbulentos. Já dizia o pintor russo Wassily Kandinsky: “toda obra de arte é filha de seu tempo e, muitas vezes, mãe dos nossos sentimentos”. Diante de um ano e meio da pandemia da Covid-19, as manifestações artísticas refletem o impacto da doença e, ao mesmo tempo, homenageiam quem está na linha de frente da ‘batalha’.

O grafiteiro Rai Campos – mais conhecido como Raiz – é um dos artistas que resolveu referenciar um nome essencial na luta. Com um mural de 15m de altura, localizado no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, ele homenageia a líder indígena do povo Witoto, Vanda Ortega, primeira pessoa vacinada do Amazonas.



Técnica de enfermagem, Vanda foi responsável por salvar diversas vidas contra o surto da doença em sua comunidade (Parque das Tribos, localizado na zona oeste). De acordo com Raiz, é uma guerreira que merece uma homenagem enquanto viva.

Outro tributo similar foi feito pelo artista urbano Jarbas do Carmo Gato Marinho, mais conhecido como Lobão, que desenvolveu a primeira pintura em uma empena (parede lateral de um prédio) da cidade, em consagração aos profissionais de categorias essenciais que não pararam durante a pandemia. Feito em parceria de Lamartine Silva (Negro Lamar), Edwin Bastos Ribeiro (Sprok) e Celso Miguel Rodrigues (Bin), o mural de 27 metros de altura por 18 de largura está localizado no Edifício Zulmira Bittencourt, na Avenida Eduardo Ribeiro, Centro.

“Essas manifestações levam o público a refletir sobre o tema, principalmente a pensar sobre sua parte na luta, por meio da prevenção”, pontua Lobão.

Sob o Olhar da Arte

Para falar da pandemia, o ator e criador de conteúdo Diogo Ramon resolveu produzir a websérie “Endemia”, que mistura a rotina de isolamento social de sete artistas durante o ano de 2020 com a vida dos personagens que eles mesmos interpretam.

Segundo Ramon, expressões artísticas como essa servem para levar a sociedade a rever suas atitudes e repensar sua própria humanidade. “A arte consegue mostrar que é necessário usar máscara atingindo lugares mais profundos. Não é só porque quando não usamos temos mais chances de ser infectados, mas sim porque, em uma cena ou música, alguém viu um personagem que não usou máscara, foi infectado, morreu e deixou um vazio enorme nos familiares”, exemplifica.

O roteirista, ilustrador e jornalista Ademar Vieira segue a mesma linha de pensamento. Ele é autor de diversas tirinhas sobre a pandemia que viralizaram. A primeira a abordar o tema foi “Dias e Dias”, que mostra um personagem durante o isolamento social, vivendo dias de alegria e outros de tristeza. Já a de maior sucesso foi “Pandemias”. “Ela mostra as trajetórias de uma patroa e uma empregada doméstica acometidas pela Covid-19. A patroa consegue se curar na rede particular de Saúde, mas a empregada encontra a rede pública colapsada e, sem atendimento rápido, acaba vindo a falecer”, descreve.

Segundo Vieira, a arte consegue ir a lugares aonde nem o jornalismo consegue. “A gente vê todos os dias os números de mortos na pandemia e isso, com o tempo, vai se tornando normal, aceitável, porque não é mais novidade. Então, aquela pessoa que já não se emociona com o telejornal, de repente, vê uma história em quadrinho que aborda o tema de forma diferente e, naquele momento, ela se comove”, detalha.

Potência

No âmbito musical, é claro que também não poderiam faltar manifestações sobre o tema. A cantora Kely Guimarães lançou duas canções que traduzem um pouco das suas reflexões: “Pranto Silencioso” e “Falta”, ambas produzidas por Ana Paula Mady – produtora cultural da Fubica Home Studio.

A primeira surgiu após uma leitura do poema da escritora Lívia Prado, que aceitou ter seu texto musicado. A faixa aborda a mistura de emoções, como aflição e esperança, no atual contexto sanitário e social.

Já a segunda é um desabafo a respeito de questões vivenciadas na segunda onda da Covid-19 no Amazonas. Para Kely, é por meio da arte que as pessoas se expressam e podem mudar suas realidades. “Arte é potência”.

Repórter

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