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GASTRONOMIA

Choperia investe em frutos da região para criar cachaças com sabores exclusivos

Engenheiro químico começou a estudar a criação de bebidas amazônicas durante o TCC da faculdade 07/05/2018 às 15:26 - Atualizado em 07/05/2018 às 15:38
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Fotos: Antônio Lima
Tiago Melo Manaus (AM)

Cumaru, preciosa, açaí, mastruz, guaraná, camu-camu, bacuri, e muitos outros. Esses são apenas alguns dos sabores criados pelo engenheiro químico Cássio Oliveira, que desde 2012, quando provou uma cachaça de jambu em um Carnaval de rua, começou a trabalhar com bebidas artesanais com frutos da Amazônia. 

A ideia, segundo ele, a princípio, era criar uma aguardente de aluá, espécie de bebida feita com fermentação de grãos de milhos moídos na casca do abacaxi, de origem indígena, para o seu trabalho de conclusão de curso na faculdade. “Aproveitei a produção do TCC para ganhar algum dinheiro e comecei a produzir licores com sabores da Amazônia”, explicou Cássio, ressaltando que o primeiro licor que aprendeu a fazer foi o de cupuaçu, com sua avó. 

Cássio conta que, infelizmente, a produção de licores não teve uma boa aceitação no bar em que trabalha, a Choperia Curupira, localizada na Rua Barroso, no Centro de Manaus. Por conta disso, ele teve de partir para uma bebida ainda mais brasileira, no caso a cachaça. “De 2012 para cá, já criei cerca de 15 sabores diferentes de cachaça. Se os fizesse de forma inteiramente artesanal, levaria um mês para fazer uma garrafa de um litro. Hoje, já consigo produzir sete litros por dia”, afirmou o engenheiro químico.

De acordo com Cássio, um acreano de nascença que desde 2005 mora em Manaus, todos os sabores são criados na cozinha do bar Curupira. O processo, conforme ele, não é muito complexo. Para tanto, é necessário uma cachaça pronta, de preferência a 51, e o sabor desejado, que pode ser facilmente obtido nos frutos e raízes encontrados nos mercados da cidade.

“Toda fruta, por si só, pode passar pelo processo de fermentação. Contudo, na época em que fazia meu TCC, com base no trabalho de um amigo a respeito da cachaça de tucumã, descartei a possibilidade de destilar a matéria-prima, porque descobri que se perdia o sabor e restava apenas o gosto do álcool”, comentou ele, revelando que da primeira versão da cachaça de jambu, até o produto final, que agora pode ser comprado no bar, diversas versões foram testadas. 

Dos 15 sabores criados, Cássio afirma que apenas dois foram oficialmente aprovados: o de jambu, o carro-chefe do bar, e o de pimenta com canela. Ambos podem ser provados nas caipirinhas Paraense e Curupira, respectivamente, ou em doses no valor de R$ 7. As caipirinhas contam ainda com a opção de cubiu no lugar do limão, afirma o engenheiro químico. “Temos também a opção de degustação, por R$ 20, na qual o cliente escolhe quatro sabores”, disse ele. 

Cerveja artesanal

Após se aventurar com o aluá, os licores e as cachaças, Cássio agora investe na produção de cervejas. Seu objetivo é estudar para desenvolver uma cerveja com o estilo da Amazônia. Após passar um ano e meio estudando a profissão de mestre cervejeiro em Curitiba, o engenheiro químico conta que pretende continuar trabalhando com plantas alimentícias não convencionais (panc).

 “Minha ideia é criar uma cerveja pilsen com ervas diferentes. Por exemplo, uma cerveja maturada com jambu”, adianta Cássio, que este ano ainda participará de dois concursos nacionais de cerveja, o Acerva e o Slow Brew, nos quais concorrerá com suas cervejas de goma de tapioca e mostura de buriti. 

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