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ARTES

Exposição celebra os oitenta anos do artista visual Óscar Ramos

Intitulada "Óscar Oitenta Ramos", mostra acontece na galeria de artes do ICBEU Manaus e traz obras do artistas nos diferentes seguimentos em que atuou 10/10/2018 às 14:26 - Atualizado em 10/10/2018 às 15:17
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Ao todo serão exibidas 66 obras produzidas ao longo da carreira de Óscar, sendo boa parte delas inéditas (Foto: Junio Matos)
Juan Gabriel Manaus, AM

A partir desta terça-feira (9), o Instituto Cultural Brasil Estados Unidos - Icbeu Manaus recebe obras do artista plástico amazonense Óscar Ramos como parte da exposição “Óscar Oitenta Ramos - Coletâneas da Memória”, que celebra os 80 anos de vida do artista que teve seu nome gravado na história da arte brasileira ao atuar em diferentes nichos, como pintura e cinema. A exposição acontece na galeria de artes do Instituto, localizada na Avenida Joaquim Nabuco, Centro, e ficará aberta ao público até o dia 9 de novembro.

A exposição reúne 66 obras de diferentes momentos da carreira de Óscar - parte delas inédita - e faz um retrospecto de momentos marcantes na carreira do artista que ajudou a fundar o célebre Clube da Madrugada, trazendo trabalhos produzidos em meados da década de 50, passando por capas produzidas para nomes como Anne Rice, no campo da literatura, e Caetano Veloso, durante o período do tropicalismo, indo até seu mais recente trabalho, produzido há quatro anos, em um flerte com as novas tecnologias.

Embora a mostra traga um recorte amplo do trabalho de Óscar ao longo de sua trajetória artística, para o diretor artístico da exposição, Sérgio Cardoso, o público irá se deparar com algo mais introspectivo do que retrospectivo, ressaltando de fato qual o real papel de Óscar Ramos na difusão da arte amazonense.

“Eu considero essa uma exposição de natureza introspectiva sobre a obra que se renova a cada dia apesar do tempo. Existe uma coisa que eu escrevi sobre o Óscar, que ele é o homem que estava lá. Quando o Clube da Madrugada foi criado ele estava lá, quando estava em pleno tropicalismo de Caetano e Gil, ele estava lá, é um homem predestinado e importante para a nossa história”, destaca Sérgio Cardoso.

Já Luis Fabian, diretor-presidente do Icbeu Manaus, destaca a versatilidade de Óscar dentro do cenário artístico mundial. Segundo o diretor, além de aproximar o artista dos jovens estudantes, a exposição, bem como a história do artista, pode ajudar a perpetuar seu legado e fomentar o gosto pelas artes nas novas gerações.

“O Óscar passou por várias fases distintas como artista e vários tipos diferentes de produção de arte, desde arte plástica, até seu trabalho no cinema, e a gente não consegue ver comumente um artista com a experiência e idade do Óscar fazendo isso. Temos dois grandes objetivos com isso: trazer a arte para perto dos jovens sensibilizando-os e quem sabe despertar a vontade de produzir arte”, diz Fabian.

Diante de um resumo de todo o seu legado, Óscar Ramos se diz grato com a oportunidade de poder revisitar momentos importantes de sua extensa trajetória artística. Para ele, o sentimento é de gratidão com todo o carinho em torno do trabalho que deu origem à exposição.

“A iniciativa em expor isso tudo não veio de mim, foi tudo fruto do carinho do Sérgio e de outras pessoas que se mobilizaram para reunir minha obra e poder contar minha trajetória. Fico muito grato com toda essa homenagem”, comentou.

O homem que morava no cinema Edén

Nascido em Itacoatiara, distante 269 km da capital Manaus, Óscar Ramos teve seus primeiros contatos com arte ainda criança. “Eu tive uma infância muito visual e foi com desenhos que eu encontrei uma forma de expressar o que eu sentia. Comecei desenhando com o dedo na terra”, diz o artista plástico, que viveu sua primeira grande guinada artística em meados dos anos 60, durante uma estadia no Rio de Janeiro, onde estudou com o consagrado artista plástico Ivan Serpa.

Sempre ao lado das artes plásticas, ele se entranhou também pelo cinema, onde consolidou-se como diretor de arte, conquistando diversos prêmios na área, incluindo três estatuetas no Festival de Cinema de Gramado, principal premiação do cinema brasileiro.

A relação de Óscar com o cinema vem de berço. Durante anos, literalmente, ele viveu em um cômodo montado por detrás da tela do saudoso Cinema Éden e é desse ponto de partida que sua história foi retratada no documentário “Óscar Ramos - O homem que morava no cinema Éden”, de autoria de Sérgio Cardoso. O filme traz registros inéditos captados ao longo de seis anos, entre 2011 e 2017, com relatos inéditos sobre a vida, família e obra do artista amazonense. 

O documentário será exibido na galeria do Icbeu ao lado de outros 12 filmes que tiveram participação de Óscar. Todas as quintas e sextas, dois filmes serão exibidos, sempre às 18h. As sessões serão acompanhadas de uma conversa com Óscar. Já no dia 19 de outubro, das 8h às 12h, o artista também participa de um bate-papo  no Palacete Provincial (Praça da Polícia). Inscrições devem ser feitas na Secretaria de Cultura (av. Sete de Setembro, Centro).

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