Sábado, 24 de Julho de 2021
MÚSICA

Funk completa 32 anos de história e se consolida como identidade brasileira

Ritmo musical mais ouvido entre os jovens atualmente, o Funk enfrentou diversas dificuldades e preconceitos desde o seu início, até se tornar ‘quase’ unanimidade nos dias atuais



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17/03/2021 às 16:45

Foi um longo caminho percorrido por um ritmo musical até se tornar, na atualidade, o ritmo mais ouvido entre os jovens no Brasil. Passando por descrédito e preconceito nas suas origens, influenciado pelo soul, jazz, rock e R&B dos EUA dos anos 60, o ritmo musical passou de desacreditado em terras brasileiras desde o seu início, nos anos 70, a quase unanimidade nos dias atuais, mas para isso, teve de se transformar buscando se aperfeiçoar durante mais de três décadas.

“O funk já contava com uma boa parcela de ódio muito antes de se falar em ‘haters’. Já nos anos 90, era incluído num pacote de música brasileira desprezível, inculta, junto com os também populares axé music e pagode romântico. Desde então, passaram por um processo de reavaliação. E nos anos 2000 ressurgiram, diante do senso comum, como expressões legítimas de uma cultura brasileira. Hoje, o funk tem mais de 30 anos de história, está arraigado no imaginário do brasileiro, formou público fiel e gerações de artistas”, explica o jornalista e escritor Silvio Essinger, autor do livro ‘Batidão: Uma História do Funk’.



Para ter o sucesso de hoje, o funk precisou que duas pessoas fossem os precursores do ritmo musical na sua origem. Um levantamento da Betway, site de roleta online, mostrou que o ‘momento da virada’ no funk se deve aos artistas Agnaldo Batista de Figueiredo, o ‘MC Abdullah’, e ao cantor Fernando Luís Mattos da Matta, mais conhecido como ‘Dj Malboro’, autores de hits como o ‘Melô da Mulher Feia’ e do álbum histórico ‘Funk Brasil Volume 1’, respectivamente.

Em uma entrevista especial sobre os 32 anos do ritmo no país, os artistas detalharam o início do caminho que foi percorrido para consagrar o funk como identidade nacional e ganhar o mundo.

“Quando fiz o ‘Funk Brasil’, em 1989, quase não lanço! O pessoal da gravadora queria usar o ‘Carioca’ no disco. Já tinham feito até um ensaio de capa com o nome ‘Funk Carioca’. Aí eu disse: ‘Não! Tem que ser ‘Funk Brasil’ porque o funk não tem que ficar resumido ao Rio de Janeiro”, disse o DJ.

Na época, munido de uma simples bateria eletrônica doada por um amigo, o DJ Marlboro chamou Abdullah e propôs a gravação de uma versão da música “Doo Wah Diddy Diddy”, do grupo Manfred Mann (1964), que tocava em bailes numa variante hip hop do 2 Live Crew, e era cantada pelo público com uma letra satírica que virou o “Melô da Mulher Feia”. Quando terminou de gravar, Marlboro vibrou: “Eureca, esse é o caminho!”.

Começava ali a versão brasileira do funk norte-americano que dominava os bailes black desde a década de 70 nos bairros suburbanos cariocas. Um funk abrasileirado com a cara do Miami Bass, vertente do funk feito na Flórida (EUA) com muito grave.

Entre apresentações e exposições em programas de TV, novos artistas surgiram e aderiram ao movimento funkeiro, o que deu mais visibilidade ao ritmo. Artistas como Claudinho & Buchecha facilitaram a introdução de novos públicos ao mercado emergente do funk, com letras que poderiam ser ouvidas sem estranheza por quem não conhecia o ritmo carioca.

Hoje, segundo o Datafolha e a consultoria JLeiva Cultura & Esporte, o funk é o preferido da juventude. Na faixa etária de 12 a 15 anos, o gênero é apontado como favorito por incríveis 55% dos entrevistados. Além disso, o ritmo musical é o segundo mais ouvido em 23 estados brasileiros e vem ganhando cada vez mais força também em outros países.

 

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