Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
Artes visuais

Ilustradora amazonense faz campanha de financiamento coletivo para livro de tirinhas

Laura Athayde está pré-lançando a coletânea de tirinhas “Histórias Tristes e Piadas Ruins”. O livro possui um viés mais pessoal e traz tirinhas curtas baseadas nas experiências de Laura com o amor, o machismo, crises com a carreira e “outras tretas"



b0230-16f.jpeg Athayde sempre adorou ler quadrinhos, começando pela Turma da Mônica e pelas aventuras de Tintim
01/08/2018 às 14:16

A ilustradora amazonense Laura Athayde produz livros e quadrinhos na Internet há cinco anos. “Já trabalhei com vários gêneros e publiquei em alguns livros e revistas, mas sempre gostei de realismo cotidiano como tema e do contato direto com o público das redes sociais”, conta. Agora, ela está pré-lançando a coletânea de tirinhas “Histórias Tristes e Piadas Ruins”, que está em fase de captação de recursos para impressão e distribuição. O livro possui um viés mais pessoal e traz tirinhas curtas baseadas nas experiências de Laura com o amor, o machismo, crises com a carreira e “outras tretas”.

A plataforma pela qual a ilustradora está fazendo a campanha de pré-venda é o Catarse (catarse.me/historiastristes). Caso consiga arrecadar R$ 15.000 em 45 dias, o projeto será possível; caso contrário, o próprio site devolve o dinheiro de todos os que apoiaram, e ninguém sai perdendo. “Esse valor custeia a impressão e montagem do livro, assim como de pôsteres e outros brindes que o acompanham, e o envio pelo correio. Já arrecadamos 78% em menos de vinte dias, então estou bem otimista”, celebra ela.

Realismo cotidiano

Athayde sempre adorou ler quadrinhos, começando pela Turma da Mônica e pelas aventuras de Tintim, passando por comics norte-americanos e mangás japoneses. Depois de muitos anos lendo HQ, ela percebeu que gostava mesmo era de ler e de fazer histórias sobre realismo cotidiano.

“No começo, eu achava que só contava histórias sobre situações vividas por mim e por meus amigos, às vezes com um viés engraçado, por puro entretenimento. Com o tempo, vi que, ao falarmos sobre experiências reais, acabamos ressaltando aspectos específicos da sociedade e dos relacionamentos”, destaca ela.

Laura passou a entender que, ao fazer uma tirinha sobre o desconforto de receber cantadas na rua, estaria fazendo uma crítica ao machismo. “Por isso, usando a internet como difusora, passei a abordar os temas mais variados, com algo em comum: eram fruto da realidade da minha vida. Relacionamentos saudáveis e abusivos, críticas alheias às minhas roupas curtas, dores e culpas: tudo era tema. Eram coisas sobre as quais nem sempre se fala, e é mais raro ainda se falar honestamente, então isso trouxe a identificação do público e também as discussões”.

Opiniões

Nos comentários das tiras publicadas online, a artista vê pessoas com opiniões muito diversas debatendo sobre esse temas e também sobre o contexto social e político em que elas acontecem. “Isso sempre foi incrível pra mim, e acho que é uma coisa muito intrínseca aos quadrinhos. Por ser uma linguagem muito popular, ela chega aonde muitas outras não chegam”, comenta.

“Hoje em dia, com os algoritmos das redes sociais dificultando o acesso do público a conteúdos independentes, percebo que, apesar de as informações potencialmente ficarem online pra sempre, elas podem simplesmente sumir das vistas e da vida das pessoas. Por isso, voltei pro livro como uma forma de resistência a isso e de manter as minhas tirinhas circulando, provocando ideias, discussões e – quem sabe? – mudanças reais”, complementa.

Representatividade

Apesar das tiras de Laura serem autobiográficas - ou semiautobiográficas, já que muitas vezes ela muda algumas coisas pra dar um viés mais bem humorado ou otimista às histórias – a artista raramente se representa nos desenhos. “Em parte pra preservar um pouco a minha privacidade e em parte porque eu acho importante representar pessoas com aparências diversas na mídia”, pondera.

Laura tenta desenhar mulheres negras, gordas e com deficiência protagonizando as tiras por acreditar que elas não se veem representadas com frequência suficiente nos veículos de comunicação. “Apesar de eu ser só uma pessoa publicando tirinhas na internet, e não um veículo de grande mídia, eu posso fazer a minha parte pra mudar isso”, reflete ela.

As personagens das tiras são todas mulheres. O gênero, especialmente no Brasil, afeta muito as vivências retratadas nas tiras. “Eu sempre li histórias sobre super-heróis ou exploradores que eram homens, e isso nunca me impediu de me identificar ou torcer por eles. Acho que a mesma lógica se aplica aqui”, pontua a ilustradora.

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